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Estado de Minas

Impacto na qualidade de vida


postado em 27/01/2019 05:08

Dieta saudável é fundamental para que o paciente controle o quadro inflamatório (foto: jair amaral/em/ d.a. press - 14/3/17 )
Dieta saudável é fundamental para que o paciente controle o quadro inflamatório (foto: jair amaral/em/ d.a. press - 14/3/17 )

 

 

 

 









Doença que afeta a qualidade de vida do paciente e favorece o surgimento de transtornos mentais, como depressão, a artrite reumatoide (AR) pode levar à perda da mão ou do pé se não for tratada adequadamente. A doença crônica e autoimune é caracterizada pela inflamação das articulações e pode alcançar órgãos vitais, como coração, pulmões e cérebro.

Estudo feito pelo Prose-RA , realizado no Brasil, Argentina, Colômbia e no México, acompanhou 309 pacientes e comprovou que os brasileiros com artrite reumatoide são os mais afetados em qualidade de vida e produtividade no trabalho. Os sintomas mais comuns são dor, edema, calor e vermelhidão em qualquer articulação do corpo, principalmente nas mãos e nos punhos. Apesar dos avanços em pesquisas, a causa da doença ainda é desconhecida. Porém, a maioria dos cientistas concorda que a combinação de fatores genéticos e ambientais é a principal responsável.

De acordo com Viviane Angelina de Souza, presidente da Sociedade Mineira de Reumatologia (SMR), a AR é uma doença inflamatória crônica, autoimune. “Ela acomete principalmente mulheres, na proporção de três a quatro pra cada homem, na faixa etária dos 30 anos”, explica a especialista. “Vários fatores estão envolvidos no desenvolvimento da AR. Existem alguns fatores de risco que predispõem a pessoa a desenvolver a doença, que podem ser genéticos ou ambientais, como tabagismo, algumas infecções, dieta ocidental e alterações da microbiota da mucosa intestinal.”

A médica esclarece que esses fatores atuam em conjunto ou isoladamente, promovendo um desequilíbrio no sistema imunológico, culminando com a inflamação das articulações. “A autoimunidade, portanto, tem uma importante participação no início e na perpetuação dos sintomas da AR. Ocorre a produção de substâncias pró-inflamatórias, como algumas citocinas, assim como alguns marcadores de fase aguda de inflamação como a proteína C reativa. Ocorre também a produção de autoanticorpos, como o fator reumatoide e os anticorpos contra peptídeos cíclicos citrulinados, ou anti-CCP.”

Viviane explica que a artrite se manifesta, principalmente, por dor nas juntas – ocorre uma inflamação da membrana sinovial da articulação, ou seja, uma sinovite. “As principais articulações acometidas pela AR são as pequenas articulações das mãos e dos punhos. Mas outras articulações também podem ser envolvidas, como os ombros, joelhos e cotovelos. As pessoas costumam apresentar dor nessas articulações por causa da sinovite. A característica dessa dor articular apresenta  padrão denominado inflamatório.”

rigidez matinal

A médica ressalta que o indivíduo costuma ter dor ou piora dos seus sintomas dolorosos, principalmente ao repouso e à noite, além de uma rigidez matinal nas articulações acometidas, dificultando os movimentos pela manhã ou após um repouso prolongado. “Além das articulações, outros sistemas podem estar acometidos. Entre eles, os nódulos subcutâneos, que ocorrem principalmente na região extensora das articulações, como cotovelos.”

Ela ressalta que os pulmões também podem ser acometidos por meio de uma inflamação que pode levar a um quadro de fibrose pulmonar. “Nos olhos podem ocorrer a ceratoconjuntivite sicca, caracterizada por secura ocular, além de episclerite e esclerite. Úlceras também podem ocorrer como resultado de uma vasculite, podendo ser extremamente dolorosas e que se não tratadas adequadamente podem evoluir para necrose e até a necessidade de amputação”, alerta a reumatologista.

Viviane esclarece que o diagnóstico é feito a partir da avaliação de sintomas clínicos, principalmente os sintomas articulares, com exames de laboratório e de imagem. Entre eles, ela cita a ultrassonografia, “que é um exame tecnicamente fácil de ser realizado, de baixo custo, que não envolve radiação e que pode evidenciar a inflamação articular. A ressonância magnética é outro exame que pode ser utilizado, com grande sensibilidade para evidenciar as alterações articulares características da AR. Entretanto, o custo elevado pode limitar seu uso. A radiologia convencional fornece dados inespecíficos em fases iniciais da doença, e alterações como presença de erosões articulares e redução dos espaços das articulações ocorrem em fases mais avançadas da doença”.

Viviane alerta que o tratamento deve ser feito pelo reumatologista. “Atualmente, dispomos de uma ampla gama de medicamentos. Feito o diagnóstico, o tratamento deve ser instituído, de preferência, em fases precoces da doença. Existem diretrizes internacionais e também nacionais para o tratamento da AR, sendo que a Comissão de Artrite Reumatoide da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) publicou recentemente a atualização do consenso para o tratamento da AR no Brasil. Em linhas gerais, o tratamento passa por várias etapas.”

DIAGNÓSTICO 

A médica alerta que se o diagnóstico não for realizado em fases precoces, há uma chance de o quadro articular ser mais grave. “Elas podem incapacitar o paciente para o desempenho de suas atividades laborativas e impactar negativamente a qualidade de vida.” Ela ressalta que, durante o tratamento, uma grande preocupação é o aparecimento de infecções, por conta do emprego das medicações. “Os reumatologistas ficam atentos para a ocorrência de sinais e sintomas das principais infecções que podem aparecer como consequência do uso dos medicamentos empregados no tratamento da AR. Uma causa tardia de morte é a relacionada a doenças cardiovasculares. A inflamação que o paciente fica exposto, assim como o uso de algumas medicações, pode aumentar os riscos de um problema cardiovascular, como infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral.”

A recomendação é que os pacientes tenham hábitos saudáveis de vida, como prática regular de exercícios físicos, alimentação saudável, evitando o tabagismo. Viviane afirma que a AR não tem cura, mas tem tratamento eficaz se começar assim que for diagnosticado, que permite que o paciente tenha um bom controle do quadro inflamatório e uma boa qualidade de vida.


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