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Estado de Minas

Tempo de aprendizagem

Medo do fracasso na puberdade costuma ser tão forte que muitas meninas deixam de aproveitar as oportunidades de desenvolvimento. Campanha estimula a autoconfiança


postado em 27/01/2019 05:08

Clara Lessa, de 16 anos, conta que o apoio da família e dos amigos foi fundamental no processo de autoaceitação(foto: juarez rodrigues/EM/D.A Press )
Clara Lessa, de 16 anos, conta que o apoio da família e dos amigos foi fundamental no processo de autoaceitação (foto: juarez rodrigues/EM/D.A Press )


 

 

 

 

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a adolescência como o período compreendido entre 10 e 20 anos incompletos. O corpo começa a passar por um processo de maturidade na época da puberdade, que pode principiar entre 8 e 13 anos para meninas, e entre 9 e 14 para os meninos. Durante essas fases da vida, as crianças experimentam lentamente a transformação para o tempo adulto, em uma transição que engloba o desenvolvimento físico, emocional e comportamental. Não é possível cravar a idade certa para o início das mudanças – tudo ocorre naturalmente, fruto das características individuais e das vivências de cada um.

Com base em pesquisa sobre confiança e puberdade, há algum tempo a marca global Always promove campanhas sobre o universo feminino. O foco é auxiliar adolescentes a conquistar segurança, alterando sua percepção sobre os dissabores, tentando estimulá-las a abraçar derrotas como eixo da aprendizagem e evolução. Lançada em junho de 2014, a campanha #TipoMenina #LikeAGirl foi motivada pela percepção de que o início da puberdade e a primeira menstruação marcam o momento em que a autoconfiança das meninas está mais baixa e palavras negativas podem contribuir para essa queda.

A inspiração para o projeto vem de estudo que afere que metade das meninas se sentem paralisadas pelo medo do fracasso durante a puberdade. É uma sensação tão forte que muitas deixam de aproveitar oportunidades de crescimento importantes nesse período, como assumir desafios e tentar coisas novas. Segundo o levantamento, sete entre 10 garotas evitam o novo por receio de ‘escorregar’.

Os dados dão conta ainda de que 80% das adolescentes, diante da pressão para agradar aos outros e serem perfeitas, temem incorrer em algum erro – 75% das entrevistadas concordam que as mídias sociais contribuem para esse sentimento. A pesquisa constata ainda que perseverar, mesmo diante do fracasso, é atitude-chave para aprender e desenvolver outras habilidades. O tópico da campanha é fazer do limão uma limonada – assumir o fracasso e lançar mão dele para impulsionar e fortalecer a autoafirmação.

Resultados complementares deixam claro que os principais ganhos obtidos pela maior positividade na hora de lidar com o fracasso são o aumento do autoconhecimento, da força e da confiança. O estudo também reitera a necessidade de as meninas receberem apoio da comunidade da qual fazem parte para efetivamente prosperar.

LIMITAÇÕES

Em 2015, outro estudo realizado pela empresa apontou que 72% das meninas notam que a sociedade as limita quando lhes diz o que devem ou não ser. E mais da metade considera que as limitações impostas seriam iguais ou piores daqui a 10 anos, mostrando desesperança. “Os dados revelam que uma a cada duas meninas sente que, se falhar, a sociedade vai rejeitá-la. Isso é de partir o coração, além de ser alarmante”, diz Laura Vicentini, diretora de marketing da Always.
“Sempre faremos tudo o que pudermos para reformular o significado do fracasso como algo que não deve ser temido, mas algo crucial para o crescimento e a construção da confiança. Nosso objetivo é criar um ambiente onde as adolescentes sintam que têm todo o apoio para tentar coisas novas, mesmo cometendo erros”, afirma.

AGRESSÕES

O bullying era uma constante na vida colegial de Luiza Carvalho de Almeida, de 16 anos. Enquanto estudava na rede particular, diz que a primeira diferença em relação aos demais era o fato de não ter dinheiro. Meninos e meninas se organizavam em grupos, as chamadas “panelinhas”, e Luiza não se via à vontade em nenhum deles. “Tinha algumas amigas, mas mesmo entre elas não me sentia tão incluída. Sempre tive dificuldade de me enturmar. Era um medo de não ser aceita.”

Luiza considera a questão do sobrepeso o motivo central de ser alvo de agressões verbais e, muitas vezes, até físicas. “Me chamavam de gordinha, baleia, feia, e vários outros termos. Prefiro esquecer.” A reviravolta se deu quando Luiza mudou para uma escola pública, aos 13, e se surpreendeu. Era um ambiente de respeito no quesito ‘diferenças’. “Melhorou muito. Quando acontecia de alguém fazer bullying, outros alunos me defendiam.”

Para a jovem, o bullying leva à insegurança, e por isso deve ser combatido. “Minha vida seguiu. O que ocorreu ficou no passado, não guardo ressentimentos. Sou outra pessoa. Hoje, confio em mim, tenho boa autoestima, sei que sou capaz. Sempre acreditei que se estudasse e batalhasse poderia construir uma boa vida no futuro. Aprendi uma lição. Tudo o que aconteceu serviu para me transformar em quem sou agora, e sou melhor por isso”, diz.

Para Clara Lessa, de 16, quando há imperativos por moldes predeterminados, invariavelmente o sofrimento é natural para quem não responde a padrões estéticos, de comportamento etc., o que pode influenciar no próprio trato com as outras pessoas. Pela sua experiência, a redescoberta da sexualidade foi, em um primeiro momento, o significado de estar fora da caixinha. “Nessa época era tudo muito novo, foi difícil, vivi preconceito, sentia-me fora do lugar.”

Depois de vivenciar a pressão externa a ponto de se bloquear e se anular entre os demais, Clara encontrou representatividade e passou a se aceitar. Ela conta que o apoio da família e dos amigos foi fundamental nesse processo, uma vez que o diálogo sempre foi aberto, carinhoso e sem imposições. “Nunca pensei que não seria aceita. Não falava nada na escola, por exemplo, mas, pelo meu jeito de ser, as pessoas descobriram. Depois, vi que existem outras pessoas como eu, percebi os outros, chamei-os para o convívio. Antes, havia o medo de como seria a vida dali pra frente. Mas agora melhorei muito, sou segura de mim, feliz com quem sou”, comemora Clara.

padronização

“Não sou magra, não tenho o cabelo liso e nem a aparência perfeita. Sou mais gordinha”, diz, sem papas na língua, Julia Trajano de Lima, de 13. Os problemas de ser mira de bullying já se esgotaram – eram mais comum quando a menina era mais nova. Mesmo assim, ela conta que foi afetada nessa época. “Ficava mal na hora e depois desabafava com minha mãe. Com o tempo isso mudou, a partir do momento em que passei a não dar mais importância para o que diziam os colegas de escola.”

Para Julia, a padronização em geral é cruel. São pressões, continua, esclarecida, que interferem na saúde psicológica das crianças e adolescentes que não conseguem se encontrar em moldes e não têm nada a fazer quanto a isso. “Deixa triste, pode ocasionar depressão, ansiedade, estresse, complicar até a vida adulta. Quando você já tem a autoestima baixa e vem alguém para reforçar isso, pode formar um adulto pior. Acredito que a pessoa deve se aceitar do seu jeito, olhar no espelho e se ver bonita, em qualquer situação”, atenta Julia.



. O medo de falhar
DESTAQUES DA PESQUISA SOBRE CONFIANÇA E PUBERDADE ALWAYS (GLOBAL)

» Mais da metade das garotas perdem a confiança na puberdade
» 50% das meninas se sentem paralisadas pelo medo de falhar durante a puberdade
» Sete entre 10 meninas evitam tentar coisas novas durante a puberdade porque têm medo de falhar e seis em cada 10 disseram que falhar durante a puberdade fez com que desejassem desistir
» Metade das meninas sentem que a sociedade rejeita meninas que falham
» Oito em cada 10 meninas relatam que a pressão social para agradar aos outros e para serem perfeitas é uma das principais contribuições para o medo do fracasso durante a puberdade
» 75% das entrevistadas concordam que as mídias sociais contribuem para o medo das meninas de falhar durante a puberdade
» Os três principais ganhos sobre perseverar, mesmo com o fracasso, são aumento do conhecimento, da força e da autoconfiança
» Mais de 80% das entrevistadas concordam que se as meninas achassem durante a puberdade que falhar fosse algo natural, elas continuariam fazendo as coisas que amam, assumiriam mais desafios e cresceriam com mais autoconfiança

 

 


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