Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

Alfabetização emocional

Projeto educacional aplicado no Morro do Papagaio, em BH, tem como objetivo despertar nas crianças o sentimento de cidadania e prepará-las para um futuro promissor


postado em 06/01/2019 05:06

 Meninos e meninas de 1 a 5 anos participam do Vida Feliz em creche no Morro do Papagaio, em Belo Horizonte(foto: Thiago Ventura/Divulgação %u2013 23/8/18 )
Meninos e meninas de 1 a 5 anos participam do Vida Feliz em creche no Morro do Papagaio, em Belo Horizonte (foto: Thiago Ventura/Divulgação %u2013 23/8/18 )

 

 





Período primordial para a construção da personalidade do indivíduo, já que é justamente o princípio da vida, a infância é marcada por grandes descobertas, mas também, muitas vezes, por quadros de instabilidade emocional. Nessa fase, características biológicas, sociais, comportamentais e psicológicas podem ser determinantes e influenciar no futuro dos pequenos. Para as crianças que se encontram em condição de fragilidade, vulnerabilidade e risco, isso é ainda mais marcante. Nesse ponto, o bem-estar, o equilíbrio e a harmonia para vivenciar as experiências de todos os dias podem ser comprometidos a curto e a longo prazos.
Responsáveis e atentos à questão da meninice saudável propõem algumas medidas e procedimentos, dão ideias para melhorar a situação de crianças integrantes de famílias em contexto socioeconômico desfavorável. O projeto psicossocial Vida Feliz é um exemplo. Desenvolvido pela psicóloga mineira Raquel Araújo em uma comunidade carente de Belo Horizonte, que atende a cerca de 200 crianças de 1 a 5 anos, a iniciativa aposta no conceito da alfabetização emocional, abordagem inovadora que pode transformar a educação infantil, potencializar talentos e minimizar a predisposição para a marginalidade. Também firmada no método do coaching integral sistêmico, a ação espera impulsionar o desenvolvimento social. O trabalho ocorre desde agosto de 2017, na Creche Morada Nova, no Morro do Papagaio, Região Centro-Sul da capital, coordenado por uma equipe de psicólogos, e envolve, ainda, professores e familiares dos alunos.

O eixo conceitual é fortalecer sentimentos positivos e, ao mesmo tempo, distinguir e eliminar os prejudiciais. Com o reconhecimento das emoções que influenciam no comportamento social, a pretensão é deixar de lado sensações como ira, tristeza, inferioridade e rejeição e, concomitantemente, explorar as boas, como alegria e companheirismo. Quando aplicada em crianças, a abordagem diminui traumas e traz benefícios pessoais.

No Vida Feliz, o processo da alfabetização emocional começa em oficinas com os professores, que são capacitados para detectar as emoções mais fortes nos alunos. A seguir, as crianças são acompanhadas pelos membros da creche, em procedimentos que também podem ter a participação da família. Como ferramentas complementares são oferecidos cursos profissionalizantes e atividades culturais.

Quanto à técnica do coaching integral, esse é um mecanismo voltado para a evolução da inteligência emocional. Os coaches são realizados em três níveis: professores, pais e em uma incubadora de negócios. Em um segundo momento, já com as competências positivas dos pais das crianças pontuadas e ativadas, os tutores pretendem incentivar o empreendedorismo e proporcionar uma completa transformação social. “Nossa ideia é agregar a alfabetização emocional com técnicas de coaching, para inserir, nos interessados, o ‘poder da ação’, para a busca de uma transformação de vida, por exemplo, na geração de negócios”, explica Cláudio Tavares, coaching integral da equipe do projeto.

EXPANSÃO

Daqui pra frente, a intenção é ampliar o programa para um número maior de instituições de ensino, levando ao conhecimento de outros atores envolvidos com a infância a nova proposta, que tem muito a acrescentar na instrução educacional e cidadã dos contemplados. Mirando no modelo bem-sucedido das atividades iniciais, cinco entidades da comunidade estão interessadas em receber o projeto. Assim, há possibilidade de expandir o alcance para até 1,7 mil pessoas da região.

“Crianças com alto grau de emoções dominantes de distanciamento social podem resultar na manutenção de um comportamento marginal quando adolescentes e adultos. Se as emoções negativas forem eliminadas de forma adequada, corta-se pela raiz a possibilidade de tornar-se um marginal”, afirma Raquel Araújo. De acordo com a profissional, o método pode impedir condutas sociais inadequadas se for introduzido até os 8 anos. Depois dessa idade, a alfabetização emocional funciona como terapia curativa.

Ao mesmo tempo, as condições emocionais positivas são maximizadas na percepção das capacidades naturais do indivíduo. “Na identificação de dons específicos de arte e talentos intelectuais, a alfabetização emocional pode gerar seres autônomos e responsáveis, em um exercício de cidadania consciente. Pelo autoconhecimento, configura-se uma pessoa menos alienada e mais consciente de suas competências inatas”, afirma a psicóloga.

A abordagem parte de 26 anos de experiência clínica e é ancorada em estudos do psiquiatra austríaco Viktor Frankl, do psicoterapeuta suíço Carl Jung, do neurologista, criador da psicanálise, Sigmund Freud, da psicopedagoga argentina Alicia Fernández e do escritor americano Daniel Goleman. Em busca de possibilitar a expansão do trabalho, o projeto Vida Feliz recorre aos meios de financiamento coletivo por crowdfunding, além de inaugurar um canal on-line para informar mais pessoas sobre a metodologia da alfabetização emocional.

Quem estiver interessado em saber mais sobre o projeto e contribuir com o trabalho pode acessar o site http://vidafeliz.club/ajude/.



"Na identificação de dons específicos de arte e talentos intelectuais, a alfabetização emocional pode gerar seres autônomos e responsáveis, em
um exercício de cidadania consciente”

. Raquel Araújo,
psicóloga, coordenadora do projeto

 

 


Publicidade