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A força da renovação

O mundo está em constante mudança e a nossa vida também. Impossível impedi-la. O que nos cabe é a sabedoria da escolha, a certeza do desejo e a perseverança em arriscar sem perder a essência


postado em 06/01/2019 05:06

Ao lado de Pedro Lucas, personagem de seu filme, Sérgio Utsch disse que descobriu novas possibilidades ao buscar repaginar sua vida(foto: Arquivo pessoal )
Ao lado de Pedro Lucas, personagem de seu filme, Sérgio Utsch disse que descobriu novas possibilidades ao buscar repaginar sua vida (foto: Arquivo pessoal )

 

 

 

 











Como canta Caetano “(...) rapte-me camaleoa... adapte-me, capte-me (...)”. Notável pela capacidade de se adequar ao ambiente em que se encontra, o camaleão simboliza mudança, flexibilidade e evolução pessoal. Dois mil e dezenove chegou e, com ele, os anseios de um ano novo. Mudar: verbo transitivo direto e indireto, intransitivo e pronominal, logo, dependerá do contexto para saber empregá-lo. Ou seja, como você se encaixa quando o assunto é mudança? Você é daquele que veste a pele de um camaleão ou só de pensar em mudar lhe dá calafrios?
O Bem Viver hoje apresenta personagens que prometeram mudar em 2017 e concretizaram o sonho em 2018. Há quem planejou o segundo filho e fez a primeira viagem internacional ao lado da mulher, conquistou o emprego dos sonhos, pediu demissão de um emprego público para viver uma paixão e buscou uma jornada espiritual longe de uma multinacional. São exemplos para inspirar você a mergulhar já em 2019 forte o bastante para colocar em prática as possíveis reviravoltas que pretende dar em sua vida nos próximos 359 dias (seis já se foram). Especialistas, psiquiatra e psicanalista, coach e sociólogo também contribuíram, alertando sobre dores e delícias da mudança.

Mudar, acima de tudo, é um ato de coragem. Requer sabedoria, porque a mudança não pode implicar perda da essência e dos próprios valores. Aliás, é fundamental que esse ato signifique se aproximar de si mesmo, do que realmente deseja ser. É o que basta.

Fácil? Claro que não. É arriscado, dá medo, causa insegurança, pode dar errado. No entanto, resistir à mudança é contrariar a ordem natural da vida. Será sempre um aprendizado. Pode dar certo, é o caminho para realizar sonhos, poder ter sucesso, garantia de satisfação, prazer e tudo o mais que vislumbrar conquistar.

A mudança não prevê garantias. Pelo contrário. Até dar o primeiro passo, tudo (ou quase tudo) é uma incógnita. Mas à premissa de que toda mudança é traumática, a única saída é estar aberto a ela, para que o impacto seja amenizado e, assim, cada um possa experimentar esse momento de renovação e reinvenção.

E não precisam ser mudanças definitivas, drásticas, mas que incluam algo de novo em sua vida. O jornalista e correspondente internacional do SBT Sérgio Utsch, depois de cobrir guerras, conflitos, viver há mais de 10 anos em outro país, voltou ao Brasil para realizar o sonho de dirigir e produzir seu primeiro filme, lançado no ano passado. O documentário O menino que fez um museu, coprodução com a Horizonte Vídeos, do também jornalista mineiro Emerson Penha, com direção de fotografia do britânico Louis Blair, mostra o universo peculiar e apaixonante de um menino de 11 anos, Pedro Lucas, que se inspirou na música de Luiz Gonzaga para fundar o primeiro museu de Dom Quintino, no Crato, interior do Ceará, no Sertão do Cariri.

APRENDIZADO

“Não foi uma mudança de rumo completa. Foi um exercício de ampliação dos horizontes, de saída da zona de conforto e de reconexão com meu país. Vinha de uma rotina pesada de cobertura de conflitos armados e atentados terroristas. Foram assuntos importantes e necessários, mas tinha outro lado do meu cérebro que precisava se exercitar também. Foi por isso que reuni forças e um punhado de gente, que, assim como eu, se encantou com a história do Pedro Lucas”, revela Sérgio. Documentário independente, ele foi premiado pela Foreign Press Association (FPA), a associação de correspondentes estrangeiros mais antiga do mundo, fundada em 1888. O prêmio foi entregue no início de dezembro. A história de um Brasil profundo, sofrido e bonito foi exibida na embaixada do Brasil em Londres, onde Sérgio mora atualmente; no 21º Festival de Cinema de Tiradentes; para moradores de Crato; dentro do próprio Museu de Luiz Gonzaga; assim como na Universidade de Birmingham e no Festival de Padova, na Itália.

Para Sérgio, contar histórias não era algo novo, mas aquele universo de cinema e festivais era sim. “Tive de aprender. E isso não me assusta. Pelo contrário. Acho que ter a capacidade de aprender é um privilégio, que exerci com todas as minhas forças. Na TV, a reportagem comum é feita em algumas horas, exibida no mesmo dia e, no dia seguinte, às vezes a gente tem dificuldade de se lembrar dos detalhes. É tudo muito absurdamente corrido. Precisava dar uma quebrada nesse processo. E o documentário cumpriu esse papel. O filme me permitiu ter outra relação com o conteúdo e com as pessoas que o absorviam. Não costumo fazer planos para o fim do ano, mas, recentemente, pensei em voltar para a academia. Acho que vou esperar alguns meses ainda. Não quero o peso de uma promessa de fim de ano.”

Vale ressaltar que a mudança também requer proteção. Quer dizer, além de lidar com suas próprias barreiras, certamente, muitos ao redor discursarão contra, apontando sempre os riscos e, raramente, as chances de acertos. Por isso, é preciso acolher o seu desejo de mudar. A decisão, quase sempre, está em suas mãos.

É preciso ter cuidado ao planejar a mudança. Esteja certo de que ela significa uma evolução, um passo à frente (às vezes, é preciso que seja um passo atrás), e não se transforme em alguém que não é. O ideal é que, ao mudar, cresça, conquiste sonhos, faça o que gosta e, por consequência, conquiste o sucesso (se for um desejo). O essencial é que tudo seja do tamanho que imagina e busque para você.

Medo não é vergonha. Faz parte do processo. É saudável até o momento em que não se torne um empecilho, que o faça sofrer, que o impeça de agir. Por isso, é importante estabelecer objetivos realistas. No fim de tudo, a mudança é um processo que só você pode decidir, passar e viver. É um momento individual, particular, de autoconhecimento, autopercepção e autoproteção. Lembre-se: não é, simplesmente, se jogar. É pular consciente, sabendo o que plantar, o que regar, o que colher, o que replantar.


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