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A força moral

Tudo que se pensa, fala e faz é carma. Portanto, cada indivíduo precisa estar atento e em constante vigília sobre as suas atitudes, sejam elas boas, más ou inconsequentes


postado em 30/12/2018 05:03

(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

 

 







Poucos sabem o significado, muitos definem de forma errada, mas o carma é um tema que sempre desperta curiosidade. Carma ou karma, em sânscrito, é a força moral de nossas intenções, pensamentos e comportamentos. A palavra significa ação e reação. É uma expressão dinâmica de uma lei natural de responsabilidade, de acordo com a professora Maria José Marinho, yogueterapeuta e reiki máster. “Tudo o que pensamos, falamos e fazemos é carma. Portanto, ele é definido no momento de nossa ação ou reação, na realização das nossas atitudes, boas, inconsequentes ou más.”

Por isso, é possível mudar o carma: “É possível mudar no presente, mas no passado não, já que existe uma lei de causa e efeito, lei da reação a uma ação. Cada ato que fazemos deixa na substância mental uma impressão, que, por sua vez, se torna semente de uma nova ação de natureza semelhante. Por opção, podemos, por meio das novas atitudes, novos pensamentos trabalhados pelo ioga, meditação e krya dault (método ou sistema de ioga), mudar, sim, nosso carma”.

Geralmente, quando as pessoas dizem “é seu carma”, na maioria das vezes, a frase é acompanhada de uma interpretação negativa. Tipo “aahhh, isso é seu carma, não tem jeito”. A sensação é de que ele seria o peso da vida. Maria José Marinho explica que o carma de hoje é a consequência dos atos de ontem. Mas existem também carmas familiares e territoriais, pois ele é o mecanismo pelo qual a existência condicionada se mantém. “Mas não é preciso se conformar com o carma negativo, aguentar ou aturar. Podemos, sim, transcender a nossa consciência que gera ações físicas e mentais e suas consequências. A vida pode ser leve dentro de cada um de nós, já que ela é sinônimo de atividade. Cultivando, constantemente, a disposição de autotranscendência por meio da ioga, meditação e conhecimento, esse círculo vicioso da existência kármica pode ser mudado. Estamos terminando um ano de carma muito doloroso e pesado, mas acredito que no próximo teremos um carma coletivo melhor.”

Maria José Marinho afirma que o carma define cada pessoa. Nesse sentido, a palavra karma inclui os resultados acumulados de ações passadas, que são as formas de futuras atividades. “O que eu sou, nesse momento, é o efeito da soma total de todas as impressões da minha vida passada. É isso que determina o caráter de uma pessoa, sendo o resultado o agregado de trabalhos da sua vida precedente.”

Às vezes, o carma é colocado como punição. Visão errada. Maria José Marinho diz que o carma não é uma expressão de castigo ou punição e, sim, uma manifestação da justiça universal, um ajuste das coisas que se realizam. Ela faz o ajuste, muitas vezes, acima do nosso entendimento. O carma individual está interligado com o carma familiar, carma de grupo, de nação e, finalmente, com o da humanidade. Somos atingidos pelo carma familiar tão intensamente que não percebemos de imediato quais as razões do nosso sofrimento. E cabe a cada um interromper o carma ruim, resgatando-o e libertando-se para uma vida interior plena.

AUTOINVESTIGAÇÃO

 Qual seria, então, a finalidade do carma? A yogueterapeuta destaca que a meta da humanidade é o conhecimento e a evolução, e esse é o ideal da filosofia oriental. O motivo das misérias do mundo está em o homem pensar que o prazer é a finalidade que ele deve buscar. “Mas a finalidade é a liberdade da alma. Só por meio das ações o homem pode chegar ao estado que Buda alcançou, em grande parte pela meditação, e Cristo, pela devoção. Buda descobriu que o homem é constituído da parte instintiva, humana e divina, o reto pensar, o reto falar, o reto fazer. É uma forma de avaliar a vida, fazer Vishara, que é a autoinvestigação, quem sou eu, quais os meus sentimentos e as minhas emoções. A finalidade principal é desenvolver o perdão, a gratidão e entender que cada pessoa está no processo de evolução.”

A professora completa lembrando que “os mestres dizem que aqueles que estão mais evoluídos, devemos levantar as mãos e buscar a energia deles; para aqueles que são como nós mesmos, fica fácil conviver e não ter grandes conflitos; e para aqueles que são menos evoluídos, devemos descer nossas mãos e ajudá-los a desenvolver um bom carma, sendo mais felizes, mais prósperos e ter menos conflitos familiares”.

Para muitos, o carma pode ser entendido como destino. Maria José Marinho reforça que carma significa fisicamente ação, metafisicamente a lei da retribuição, a lei de causa e efeito ou de causação ética. “Como disse Annie Besant (escritora e teósofa), carma é o poder que governa todas as coisas, a resultante da ação moral, o núcleo moral de todo o ser, o único que sobrevive à morte e continua na transmigração. Cabe aqui destacar a fala de Swami Sivananda (líder espiritual hindu): ‘O homem semeia um pensamento e colhe uma ação. Semeia uma ação e colhe um hábito. Semeia um hábito e colhe caráter. Semeia o caráter e colhe o destino.’”

DESEJO DE MUDANÇA

Todo fim de ano e início de uma nova jornada, o desejo de mudança nas pessoas é aflorado. Será que o carma tem alguma influência para um novo recomeço na trajetória de vida de cada um? Maria José Marinho esclarece que, o Bhagavad Gita, o livro sagrado dos yogues, afirma: “Portanto, sem apego, faça o carma que for necessário, pois ao fazê-lo sem apego, ó, Bahrata, procure o ato sábio sem apego e terá o coração tranquilo”. É começar o ano acreditando no bem, tendo fé e levar uma vida com dignidade. Aí vamos ter um carma bom. “Praticar o dharma (o dever) é um dos caminhos, que significa fazer bem aquilo que a vida colocar em suas mãos.”

O carma de 2019, ensina Maria José Marinho, pode ser melhor, sim, que o de 2018, “pois num mundo em constante movimento e atualização de novas potencialidades dos seres, a recusa de se mover em direção ao futuro significa regredir. É aceitar a inércia repetitiva das escolhas passadas como inevitável ou forte demais para se opor a elas. É sucumbir ao carma em vez de usar aquilo que o passado produziu como um pavimento sobre o qual saltamos, investindo nesse salto com significado criativo, gerador de futuro. E nesse momento existe uma esperança, uma mudança, um ajuste no comportamento coletivo gerando esperança de transformação para um mundo melhor para todos os seres”.
Leandro Couri/EM/D.A Press

"Estamos terminando um ano de carma muito doloroso e pesado, mas acredito que no próximo teremos um carma coletivo melhor"

. Maria José Marinho,
yogueterapeuta e reiki máster



PARA PRATICAR

Pensamento para criar um bom carma para o ano novo:

“Que eu possa ser feliz, que eu possa ter saúde física perfeita, que eu possa ter a mente equilibrada, que eu possa estar em paz, que eu caminhe sempre em direção à luz” 

 

 


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