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Estado de Minas

Informação de qualidade

O mundo tecnológico moderno tem como característica principal a velocidade das mudanças. No entanto, é preciso buscar fontes confiáveis e leituras que provocam a reflexão e nos ajudem a entender nosso papel na sociedade


postado em 09/12/2018 05:06

(foto: Arquivo pessoal %u2013 16/11/18)
(foto: Arquivo pessoal %u2013 16/11/18)

 

 

 

 






Infoxicação não é um termo tão novo assim. Foi criado há mais de 20 anos, pelo físico espanhol Alfons Cornellá, para designar as consequências da situação em que uma pessoa tenta (sem sucesso) receber e analisar um número de informações muito maior do que a capacidade de seu cérebro. O médico preventivista da Unimed de Itapetininga, em São Paulo, Antonio Monteiro, que também é mestre em saúde coletiva pela Faculdade de Medicina de Botucatu, constata que o mundo tecnológico moderno tem como característica principal a velocidade das mudanças. “No entanto, nós, seres humanos, continuamos com praticamente as mesmas capacidades biológicas do homem existente na época do nosso descobrimento. Assim, o conflito entre nossos potenciais biológicos e a necessidade de nos adaptarmos a essa incrível velocidade de mudanças, que a cada dia nos apresenta uma novidade e torna obsoleta a de ontem, vem exigindo de nossa capacidade biológica algo para a qual ela não está preparada e nunca estará! Um desses conflitos, sem dúvida, está entre a quantidade de informações de que hoje dispomos e nossa capacidade real de processá-las.”

 Para Antonio Monteiro, se não nos dermos conta de que temos esse limite e adotarmos medidas preventivas contra isso, sem dúvida, viveremos uma situação extremamente estressante com todas as suas consequências. “Não diria que é necessário ser um paranoico para se sentir ameaçado por esse tsunami de informações. Creio, sim, que é essencial que as pessoas entendam essa situação e suas limitações naturais para enfrentá-la e, claro, estabeleçam prioridades que possam ser atendidas com seu cérebro humano.”

 O médico preventivista afirma que há duas ações básicas para que cada pessoa processe as informações e mantenha a saúde mental. A primeira é estabelecer, honestamente, de que tipo de informação precisa realmente, seja por necessidades de trabalho ou para sua vida pessoal. A segunda é fazer criteriosa análise de confiabilidade. Isto é, saber selecionar muito bem o que é sério e bem fundamentado daquilo que é mera informação, sem qualquer base ou interesse comercial, político ou ideológico. “Para isso, é fundamental que possamos conhecer o máximo possível (sem neuras) quem é o autor da informação, que instituições ele representa.”

DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS 

 

O médico avisa que quem vive nesse turbilhão em algum momento apresentará transtornos para sua saúde. “Já são muito bem conhecidas as consequências dos distúrbios emocionais sobre nosso funcionamento orgânico. As doenças psicossomáticas são efeito dessa relação. Assim sendo, respeitadas as diferenças individuais, cada um terá consequências maiores ou menores, mas que sempre serão percebidas. E, muitas vezes, sem entender a verdadeira causa do problema, que não está no órgão onde surgem esses sintomas ou sinais. Entre esses sintomas encontramos, com grande frequência, distúrbios do sono, depressão, problemas gástricos e intestinais, distúrbios respiratórios, enfim, sintomas em qualquer órgão, porque, afinal, tudo é comandado por nosso encéfalo.”

 A sensação de ter que saber de tudo é o mal do século 21 e a grande culpada seria a tecnologia? Para Antonio Monteiro, a tecnologia não tem culpa de nada. “Afinal, fomos nós que a criamos. A culpa, se é que podemos dizer que há culpados, é de nós mesmos, que não conseguimos domar essa tecnologia usando-a para melhorar a vida de toda a humanidade. Pelo contrário, a maioria dos atuais grandes problemas é do comportamento humano: egoísmo, individualidade excessiva, degradação do meio ambiente, violência e intolerância.”

 Antonio Monteiro enfatiza que a diversidade sempre é muito interessante e saber entendê-la e respeitá-la torna os homens melhores. “A troca de opiniões, experiências e valores é fator essencial para a evolução humana. Só não podemos cair na armadilha de buscar informações ou trocá-las apenas com pessoas que pensam como nós.” Mas a busca por informação, por estar 100% informado, é uma corrida inglória. “Lutar contra nossa condição humana é uma luta inglória e um dia, mais cedo ou mais tarde, se pagará por essa tentativa. A detecção desse problema é muito simples: toda vez que você se sentir infeliz ou angustiado por não conseguir consumir e processar todas as informações de que é cobrado, cuide-se. Você está em risco.”

"Não diria que é necessário ser um paranoico para se sentir ameaçado por esse tsunami de informações. Creio, sim, que é essencial que as pessoas entendam essa situação e suas limitações naturais para enfrentá-la e, claro, estabeleçam prioridades que possam ser atendidas com seu cérebro humano”


. Antonio Monteiro,
médico preventivista e mestre em saúde coletiva


quatro perguntas para...

Fabiano de Abreu
filósofo e pesquisador


Vivemos na era digital, com volume absurdo de informação. Como lidar com isso?
Com moderação! Penso que tudo na vida deve ser moderado. Não podemos confundir a vida com a realidade virtual. É necessário iniciarmos o processo de salvação humana baseados na conscientização. Mídias sociais aumentam a sensação de solidão, pois invertem a realidade. Imagine passar o dia inteiro em frente ao computador, vivendo aquela realidade virtual e, ao olhar para o lado, ver paredes e “ninguém”? Nosso cérebro primitivo não nos permite e não acredito que nos permitirá vivermos sozinhos, sem presença física humana. Há quem acredite que estamos ligados por uma energia. Se é real ou não, não podemos duvidar de que somos energia e, pode sim, haver uma ligação. Devemos filtrar as informações e, para isso, a imprensa se faz necessária. Aliás, ela deveria ter um ministério que pudesse controlar as fake news, para não perder a credibilidade e, assim, ser o carimbo confirmador daquela informação, para que ela não tenha diferentes versões, ou que tenha menos versões e, assim, com a razão e o raciocínio lógico, possamos tirar nossas conclusões.

Há pessoas que adoecem porque querem, mas não conseguem absorver tanta informação.
Adoecer é a última opção, quando as ações das pessoas, para resolver seus problemas, já não dão resultado. Novamente, devemos moderar, filtrar as informações e aproveitar melhor o tempo. Repare que as notícias que não levam a lugar nenhum e deseducam têm mais audiência do que aquelas que nos trariam mais informações de conhecimento. O que devemos fazer é aproveitar melhor nosso tempo, filtrando as informações que realmente façam a diferença em nossas vidas. O tempo, nos dias de hoje, é a maior preciosidade. Tivemos um súbito avanço tecnológico. Estamos evoluindo sob “pressão” em relação ao tempo que existimos (vida humana) e isso faz com que haja um excesso de informação e nosso cérebro tenha dificuldade de organizar toda ela. Não podemos esquecer de que há pouco tempo não tínhamos todas essas informações. O transtorno do excesso de informação é a confusão mental de um cérebro primitivo tendo que se adaptar a uma realidade presente como consequência do avanço tecnológico.

As pessoas têm acesso à informação, mas não têm tempo para pensar. Como agir?
Procurar desenvolver raciocínio sobre a informação recebida e colocar para fora. Costumo passar para o papel, para o computador. Há pessoas que contam ao familiar ou amigos. É preciso registrá-la ou, então, será esquecida, como uma máquina, uma inteligência artificial que recebe a informação e não a processa. Então, ela se apaga ou fica armazenada sem respostas. Temos que expôr nossas opiniões e transportar esse conhecimento.

Como filósofo, o que recomendaria para quem tem sede de saber e uma oferta inatingível?
Tem uma dúvida? Anote-a, busque na internet, em lugares confiáveis sobre o assunto. Não se contente apenas com uma fonte. Junte todas elas e chegue a um denominador comum. Passe isso para o papel, computador ou grave em voz para que possa ouvir novamente. Passe adiante para quem tenha interesse em escutar ou até mesmo publique em sua rede social. Não ligue para as críticas, os inteligentes não criticam, eles comentam seu ponto de vista sem ofensas. O resto não importa, não interessa, há pessoas para diminuir e somar. Aproxime-se do que possa te fazer bem e ignore o que te faz mal. Tenha sempre um raciocínio lógico, com razão, mas sem se desfazer da emoção, pois o sentimento é a locomotiva do saber e querer saber mais.

 

.oito passos para a desintoxicação digital*

. Bom senso para que o uso das tecnologias não se torne abuso no cotidiano

. Fique atento às consequências físicas (privação de sono, dores na coluna, problemas de visão) e psicológicas (depressão, angústia, ansiedade) devido ao uso abusivo          das tecnologias

. Dose o uso de tecnologias no cotidiano. Verifique se seu desempenho acadêmico, no trabalho, na família ou pessoal está sendo prejudicado pelo uso abusivo das tecnologias

. Não troque atividades, compromissos ou encontros ao ar livre para ficar conectado às tecnologias

. Reflita sobre seus hábitos cotidianos efaça diferente

. Prefira uma vida social real à virtual. Escolha relacionamentos e amizades reais em vez de virtuais

. Pratique exercícios físicos regularmente. Crie intervalos regulares durante o uso das tecnologias fazendo alongamentos

. Não abale o seu humor com publicações virtuais. Não acredite em tudo o que é postado e cuidado com o que você publica na internet

* Fonte: www.institutodelete.com



FIQUE POR DENTRO
Reflexos da infoxicação
Para saber mais sobre a “doença” que afeta as pessoas conectadas demais, a infoxicação, o programa da TV Brasil Um olhar sobre o mundo, comandado pelo jornalista e ex-correspondente internacional Moisés Rabinovici, entrevistou, direto de Barcelona, Espanha, o criador do termo, em 1996, o físico espanhol Alfons Cornellá, que definiu como mal dessa civilização a soma de informação com intoxicação. Uma epidemia graças “ao vírus que está na internet, TVs, jornais, videogames, blogs, redes sociais, com que todos nós corremos o risco de nos infectar. Com o excesso de notícias, a informação não é totalmente digerida e, por isso, sentimos sintomas como dispersão, estresse e ansiedade, entre outros”. Acesse o link e assista à entrevista: http://tvbrasil.ebc.com.br/um-olhar-sobre-o-mundo/2018/08/um-olhar-sobre-o-mundo-06082018

 

 


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