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Reflexos a longo prazo

Mais cautelosas com a saúde, as mulheres costumam respeitar as medidas de proteção solar e outros hábitos que podem diminuir em até 50% o surgimento da enfermidade


postado em 02/12/2018 05:02

(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press )
(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press )

 

 









Os brasileiros não são muito cuidadosos com a saúde em geral, não só com as questões da pele, sem perceber que a atenção, ou a falta dela, com o próprio organismo tem reflexos a longo prazo, constata o oncologista Enaldo Melo de Lima, coordenador do Hospital Integrado do Câncer do Mater Dei, em Belo Horizonte. Considerando as atitudes que levam ao aparecimento do câncer como um todo e, por outro lado, hábitos para evitá-lo, medidas preventivas podem diminuir entre 40% a 50% o surgimento da doença, informa o médico.

Nesse cenário, existe também uma comparação entre gêneros. Homens são mais negligentes com a saúde, e, no caso do câncer de pele, figuram em primeiro lugar no ranking de mortes causadas pela doença. “As mulheres são mais cautelosas, respeitam as medidas de proteção solar, como a aplicação diária do filtro e a observação do horário adequado de exposição ao sol. Estão mais alertas com a saúde em seu contexto total. Procuram com frequência assistência médica. Fazem checapes periódicos para cuidados cardiovasculares, acompanhamento ginecológico e mastologia, por exemplo. E não é só no Brasil. Esse é um fenômeno mundial”, pontua o especialista. Em relação aos transtornos com a pele, outro fator é que, nas mulheres, o lugar onde o câncer comumente aparece é nas pernas, mais visível, enquanto nos homens surge muito nas costas, o que torna difícil sua percepção.

A aposentada Gilda Valente, de 70 anos, sempre foi preocupada e antenada com as questões da saúde, e diz que não se descuida. No início do ano, observou uma mancha diferente na parte posterior do joelho, enquanto fazia um autoexame em seu corpo. “Era rosada, um pouco avermelhada, em formato retangular, disforme. Achei estranho, porque, geralmente, as pintas normais são redondas. Fui à minha dermatologista de costume, ela olhou e me direcionou para outro médico, que faz pequenas cirurgias”, conta. No hospital, o médico realizou a retirada da mancha, que foi encaminhada para biópsia. Foi nesse momento o diagnóstico de câncer de pele, do tipo basocelular, no caso de Gilda, perfeitamente curável. “Não foi preciso continuar com nenhum outro procedimento. Não houve complicação, cicatriz, no lugar nem aparece mais nada. Quando percebi a marca, logo tomei providência, peguei o problema no início.” Mas a aposentada, que não tem registros da doença na família, segue atenta. “Continuo olhando meu corpo, me examinando, principalmente durante o banho”, ensina.

No momento do diagnóstico do câncer de pele, para fazer com que os pacientes não fiquem receosos, a melhor forma de abordagem é prover a informação de que o tumor é totalmente curável, e desmistificar o problema. Para os carcinomas, cirurgias simples resolvem, algumas vezes também o uso de pomadas, e, para os três tipos de câncer de pele, é muito raro a demanda por quimioterapia ou radioterapia, tratamentos mais agressivos. Quando se trata do melanoma, pode ser sugerida a imunoterapia. Trata-se de um medicamento intravenoso, que ativa a defesa do organismo, com uma aplicação a cada 14 ou 21 dias, conforme o fabricante. “O aspecto psicológico (enfrentar a doença com pessimismo ou otimismo) influencia muito na aderência ao tratamento. A forma de encarar a situação com positividade parte de informação eficiente e esclarecimento”, diz Enaldo.

A recomendação médica é evitar a radiação ultravioleta extrema. A diferença entre as variações UVB e UVA é o tipo de dano que causam ao organismo, esclarece o oncologista. “Com a UVB, o dano é a queimadura. Com a UVA, é imunogênico, ou seja, influi na imunidade da pele, que é um sistema orgânico, cuja imunidade é alterada pela radiação. Diante de grande incidência, a pele fica mais sensível a partir de uma reação imune – seu sistema de defesa é fragilizado”.

RISCO

Entre os grupos de risco para o desenvolvimento desse tipo de câncer estão pessoas de pele clara, olhos azuis ou verdes, cabelos ruivos ou loiros, quem tem casos na família, muitas pintas no corpo, ou quem sofreu queimaduras solares antes dos 15 anos. Para os carcinomas, o aviso pode vir de uma lesão que não cicatriza em 28 dias, período em que a pele deve se regenerar. Para pessoas de pele negra, uma pinta no pé pode sinalizar melanoma. “Mas lesões suspeitas não necessariamente têm características definidas. O importante é, além de comparecer ao dermatologista anualmente para controle, procurá-lo no caso do surgimento de uma lesão nova”, ensina Enaldo.

Também existem hábitos e comportamentos perigosos, que podem levar à enfermidade, de maneira abrangente a todas as formas de câncer. Entre as posturas ideais para que a doença não se manifeste estão manter o peso e o Índice de Massa Corporal (IMC) normais, fazer atividades físicas, afastar cigarro e álcool, ter alimentação correta e saudável, e praticar sexo seguro (17% de todos os casos de câncer, em geral, vêm de vírus ou bactérias transmitidos pela relação sexual).

“Vivemos uma epidemia de câncer no mundo. A questão da informação responsável em saúde é a mais importante a se considerar. No Brasil, isso é muito pobre. O governo é irresponsável, negligente em não transmitir a informação correta à população. Não se preocupa com a qualidade do atendimento, é desorganizado, o sistema em geral está degenerado e sucateado. Em qualquer esfera (municipal, estadual, nacional), secretarias e Ministério da Saúde têm atuação extremamente tímida na realização de programas de orientação sobre a saúde. É fundamental prover a informação didática, melhorar os programas de prevenção. Espero que os novos governantes tenham mais comprometimento”, conclama o médico.


"Não foi preciso continuar com nenhum outro procedimento. Não houve complicação, cicatriz, no lugar nem aparece mais nada. Quando percebi a marca, logo tomei providência, peguei o problema no início”
. Gilda Valente,
de 70, aposentada, sobre uma mancha
que tirou na parte posterior do joelho


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