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Correr contra o tempo

Ter motivação para viver e se dedicar a atividades das quais se gosta, além de manter contato constante com amigos e familiares, são fundamentais para uma velhice saudável e feliz


postado em 11/11/2018 05:06

(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press )
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press )

 

 










Para o psicólogo especializado em terapia do idoso Gilberto Godoy, ter uma motivação para viver e atividades agradáveis são essenciais para uma velhice saudável. Para ajudar o idoso nessa busca, Gilberto sugere fazer um levantamento da história de vida deles e encontrar algo que já foi motivo de satisfação no passado. “Quando as pessoas são felizes? Quando elas fazem aquilo de que gostam. Está relacionado a se sentir bem fazendo, e fazendo bem”, explica Godoy.

A rede de amparo social é outro fator importante. O idoso precisa estabelecer uma rede social com os amigos e familiares. “A velhice é um momento em que as pessoas tendem a isolar os idosos”, critica. Segundo Gilberto, é preciso entender que hoje – mais do que antes – o psiquismo não envelhece na mesma velocidade que o corpo.

Jackson Jacobina, de 65 anos, trabalhou durante 31 como funcionário do Banco do Brasil, em Brasília. Passou por agências e se aposentou há aproximadamente 10 anos como auditor interno. Durante esse período, acordava por volta das 6h todos os dias para dar início à rotina. Arrumava-se, tomava café, deixava os filhos na escola e ia trabalhar.

Mesmo aposentado, continua se levantando no mesmo horário. Porém, para se dedicar a um hobby que adquiriu em 2011: a corrida. Jackson conta que sempre gostou de praticar esportes e frequentava a academia regularmente, mas correr não era algo que despertava o seu interesse. “Não gostava, tinha preguiça só de pensar que teria de voltar o caminho inteiro”, confessa. Conheceu Felipe, proprietário da assessoria de corrida Time, e, aos poucos, foi deixando a preguiça de lado.

O futebol que jogava tradicionalmente com amigos e familiares nos fins de semana foi perdendo espaço. “Tinha medo de sofrer lesões que poderiam comprometer meu desempenho na corrida.” A atividade, que começou como lazer, rapidamente se tornou algo mais sério. Com apenas seis meses de treino, Jackson sentiu vontade de participar da meia maratona no Rio de Janeiro. O treinador disse que, normalmente, esperaria um ano, mas, como o aposentado já estava acostumado a se exercitar, poderia tentar. O resultado surpreendeu e lhe deu mais motivação.

Atualmente, Jackson Jacobina corre três vezes por semana e alterna entre os seguintes locais: Parque da Cidade, Orla da Ponte JK e Parque Olhos D’Água. Dias de chuva também não são motivo para parar. Nessas ocasiões, ele opta pela academia. Duas vezes por semana, faz aulas de natação. Para ele, a aposentadoria nunca foi sinônimo de tristeza ou de ócio.

“Sempre gostei de me exercitar e a corrida é um vício bom. É um desafio consigo mesmo, superar seus limites. É muito bom para a autoestima estar com pessoas que têm a metade da minha idade e perceber que estou competindo em igualdade de condições”, afirma Jackson. Segundo o corredor, os colegas dizem que ele é o máximo e isso é mais uma fonte de motivação.

TRIATLO

 Jackson ressalta que nunca imaginou chegar aonde chegou. O currículo de provas é extenso. Foram cinco maratonas, mais de 30 meias maratonas, algumas corridas de 10 milhas e muitas de 10 quilômetros. “Acho que já participei de umas 100 corridas.” Este ano, ele conseguiu concluir uma corrida que é o sonho de todo maratonista: a Major de Boston. Foram 42 quilômetros com vento frio e chuva, 2 mil pessoas tiveram hipotermia. Jackson completou o desafio e fez um de seus melhores tempos.

Além do esporte, o funcionário público aposentado gosta de se dedicar ao quintal de casa. Ele passa horas cuidando da horta e da piscina. Com frequência, também se encontra com amigos e familiares. Uma vez por mês, visita um asilo que ajuda em Águas Lindas de Goiás. “Não passa pela minha cabeça ficar sentado dentro de casa esperando o tempo passar. A verdade é que me falta tempo para fazer tudo o que gostaria”, conclui Jackson.

Agora, ele se prepara para a meia maratona de Fernando de Noronha, no fim do ano. Em 2019, pretende tentar outra prova da categoria Major, como Berlim ou Chicago. E será que ele pensa em competir em uma prova de triatlo? “Claro. Por que não?”, responde o atleta.



"Quando as pessoas são felizes? Quando elas fazem aquilo de que gostam.
Está relacionado
a se sentir
bem fazendo, e fazendo bem"

. Gilberto Godoy,
psicólogo especializado
em terapia do idoso

"Não passa pela minha cabeça ficar sentado dentro de casa esperando o tempo passar.
A verdade é que me falta tempo para fazer tudo o que gostaria"

.Jackson Jacobina, de 65 anos, bancário



Quatro capitais

 

 

 

O médico especialista em longevidade Alexandre Kalache (foto) participou do evento Diálogos da longevidade, promovido pelo Bradesco Seguros, no mês passado, e reuniu os quatro capitais que devem ser acumulados para quem quiser envelhecer bem. Quanto mais cedo você acumulá-los, melhor, mas nunca é tarde para começar, aconselha.

1 – Saúde: é fundamental. Por isso, adotar medidas como cuidar da alimentação, se exercitar e cuidar das visitas ao médico é essencial para amadurecer ativamente

2 – Conhecimento: exercitar o cérebro é tão importante quanto movimentar o corpo. Quanto mais conhecimento se busca, mais força cognitiva se adquire

3 – Social: convivência com o outro é crucial – manter relacionamentos saudáveis traz mais alegria à vida

4 – Financeiro: preparar-se economicamente para o futuro é importante para envelhecer com tranquilidade


 


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