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Aproveite a vida

Não é porque a maturidade chegou que é hora de ficar parado. Ao contrário. Conheça a história de pessoas que aproveitaram a aposentadoria para realizar sonhos e resgatar hobbies


postado em 11/11/2018 05:05






Engana-se quem pensa que cabelos brancos significam que é hora de parar. Eles já nem são mais sinônimo de velhice. O pensamento de que aos 60 anos já se aproveitou o melhor da existência está bem longe de ser verdade. A expectativa de vida do brasileiro aumentou para 75 anos e o padrão é viver ainda mais. Há muita gente que aproveita o período menos atarefado para buscar experiências novas e correr atrás dos sonhos.

Gilberto Godoy, psicólogo especializado em terapia do idoso, esclarece que o que se chama de velhice ou terceira idade é um momento da vida em que o organismo passa por limitações físicas e sociais. Entretanto, ele garante que é um privilégio ser idoso hoje em dia. “Antigamente, aos 40, 50 anos, as pessoas eram muito mais velhas. Hoje, vemos uma geração de idosos ativos.”

“A idade é uma coisa que preocupa. Não posso deixar de fazer a viagem que quero fazer esta semana e adiar para a semana que vem. Tenho 65 anos, a expectativa do brasileiro é de 74”, comenta o empresário e advogado Celso Ferreira. Esse foi o raciocínio que o incentivou a comprar uma motocicleta, em 2010. Ele acreditava que havia trabalhado muito e que merecia adquirir o bem e passear sobre duas rodas.

Um amigo o acompanhou na ideia, cada um comprou uma moto e começaram a combinar passeios tímidos. Um almoço na Vila Planalto, um pulo em Formosa e uma ida ao Jerivá foram as primeiras aventuras. Aos poucos, as distâncias foram aumentando, e Patos de Minas, Pirapora e Ouro Preto entraram para o roteiro dos motociclistas.

No começo, só viajava na companhia dos amigos, porque todos diziam que era perigoso fazê-lo sozinho. Até que, em cima da hora, um passeio em grupo não deu certo. “Vou deixar de fazer as coisas da minha vida porque os outros não podem?”, questionou-se. A partir de então, deixou o medo de lado. Celso planejava as viagens que queria fazer e convidava todos os amigos, mas se ninguém pudesse acompanhá-lo, ele ia do mesmo jeito.

Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, Peru, Colômbia, Guatemala, El Salvador, Chile, Ushuaia, na Argentina, e Alasca, nos Estados Unidos, são alguns dos lugares que esse destemido advogado já visitou na companhia da sua moto. Foram 36 dias na estrada para chegar a Ushuaia, e 84 até o Alasca. O motociclista define o percurso de Harley Davidson até o extremo dos Estados Unidos como espetacular. “Foi para provar para mim mesmo que eu sou capaz de muito mais do que imaginava.”

Os familiares sempre ficam um pouco apreensivos, mas Celso faz questão de dar notícias frequentemente. Quando não há internet, usa um aparelho com sinal de satélite. “Eles sabem que me dediquei muito ao trabalho e à família. Chega uma hora em que temos de nos dedicar a nós mesmos. ‘Tô’ curtindo a vida”, ressalta.

DESCOBERTAS

  Em 2016, Celso deu início a um projeto especial para ele. Quer visitar todos os 853 municípios de Minas Gerais – já se foram 653. O motociclista diz que, apesar da lista extensa de viagens, essa está sendo muito marcante. Ele nasceu em Patos de Minas, saiu com 1 ano para morar em Belo Horizonte com a família, foi para Brasília aos 14 e só retornou à cidade natal para visitá-la com 30 anos.

“A viagem por Minas está me proporcionando retorno à origem do meu estado, que não conheci. Já visitei 18 países e posso dizer: não existem pessoas como os mineiros”, acrescenta.

Na semana passada, Celso partiu para uma viagem rumo ao Nordeste. Vai visitar todas as capitais da região. Salvador é a primeira parada do roteiro e ele só pretende finalizar quando chegar a São Luís. “Vou devagar, parando pelo caminho, sem data exata para voltar. A única coisa certa é o destino: sempre a minha casa”, explica o advogado.

Depois de ter rodado mais de 300 mil quilômetros, Celso defende que o mais importante é não ter medo. “Perigoso é ficar dentro de casa.” Ele não sabe se vai conseguir manter o ritmo até os 80, mas garante que, enquanto puder pilotar uma moto, vai viajar. “As pessoas deixam de fazer as coisas porque estão sem tempo. Hoje, viajo muito porque ‘tô’ sem tempo. Tenho 65 anos, meu tempo está acabando”, alerta.





'As pessoas deixam
de fazer as coisas porque estão sem tempo. Hoje, viajo muito porque
tô sem tempo. Tenho
65 anos, meu tempo está acabando"


. Celso Ferreira,
advogado


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