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Rombo no aspecto psicológico


postado em 11/11/2018 05:05

 

 



No cenário extremo, de feminicídio, a criança e o jovem acabam diante de uma situação dupla de perda – perde-se a boa imagem do pai e perde-se a mãe de uma forma objetiva. Nessas horas, Simone lembra que não dá para caracterizar o tipo de trauma que o filho vai sofrer. “É o trauma de alguém que perdeu a mãe, perdeu a convivência com ela, com o agravante de ter sido o próprio pai quem cometeu o crime. É um rombo no aspecto psicológico de uma criança, uma dor profunda, que pode e deve ser tratada o mais breve possível”, sublinha a psicóloga.

A felicidade dos filhos está diretamente relacionada à medida do amor que recebem de seus pais, ou de quem os cria, e a violência é o oposto disso, pontua o presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), o advogado Rodrigo da Cunha Pereira. “Filhos de pais separados, por exemplo, não são infelizes por isso. Filhos infelizes são aqueles cujos pais são violentos, brigam na frente deles. A violência doméstica deixa marcas profundas na psique da criança, causando traumas de toda ordem que, muitas vezes, vão aparecer só muito mais tarde”, afirma. “Além disso, os pais não podem usar os filhos como arma ou moeda de troca no fim da relação. Eles devem ser poupados, a qualquer custo, das desavenças entre o casal”, salienta.

Talvez, a mesma mágica que faz um relacionamento começar é o que o faz acabar, compara Rodrigo. Para ele, os motivos da atração são da ordem do desejo, muitas vezes inconsciente, e, em alguns casos, o fim do relacionamento não é o fim do desejo, mas uma necessidade. “Por exemplo, quando há violência doméstica repetitiva, a única saída é a separação, ainda que a vontade seja ficarem juntos. Há barreiras entre o casal que são transponíveis, outras não. A violência, para muitos, é intransponível. Não há uma fórmula para saber se o companheiro (a) será violento. Todos, homens e mulheres, temos um potencial de agressividade, às vezes até saudável. Mas ultrapassar o limite e colocar em prática essa agressividade com atos de violência é inadmissível. Quando se chega à violência extrema, os traumas são inimagináveis, até indeléveis – aparecerão, principalmente, nas futuras relações afetivas dos filhos, que, por vezes, tendem a repetir o que assistiram em casa”, ressalta Rodrigo.

Em um grito de alerta sobre a violência contra a mulher, o movimento Quem Ama Não Mata tem sua origem na década de 1980, primeiro com a participação de 30 mulheres, que, presentes em ato público no Centro de Belo Horizonte, chamaram a atenção para um problema que crescia a olhos vistos. Depois de denunciar as brutalidades cometidas contra as mulheres, com o passar dos anos as integrantes do grupo assistiram à criação da Lei Maria da Penha, das delegacias da Mulher, a qualificação do feminicídio, incluído no Código Penal. O tema conquistou visibilidade, mas as mulheres seguem sendo assassinadas, abusadas e violentadas, principalmente as negras. Os números assustam. O Relógio da Violência, do Instituto Maria da Penha, estima que, a cada 7,2 segundos, uma mulher é vítima de violência física. Diante disso, o Quem Ama Não Mata retorna à ativa, ganha as ruas e promove atos públicos na capital, com manifestações políticas, artísticas e culturais para reafirmar a urgência do combate aos crimes contra a mulher. A iniciativa não está atrelada a nenhuma corrente política ou religiosa. Muito antes, se posiciona contra qualquer tipo de discriminação religiosa, racial, capacitista, de gênero e de orientação sexual.


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