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Estado de Minas

Vamos falar sobre isso?

O câncer de próstata é o segundo que mais mata os homens, ficando atrás somente do de pulmão. Doença mais comum àqueles que já passaram dos 50 anos, tem como principal cuidado o acompanhamento


postado em 04/11/2018 05:06

O construtor aposentado José Gonçalves da Silva Mendes, de 82 anos, procura se manter ativo para superar a doença(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press )
O construtor aposentado José Gonçalves da Silva Mendes, de 82 anos, procura se manter ativo para superar a doença (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press )

 









Alto-astral, esportista, atento com a alimentação e em cultivar bons pensamentos. Brincalhão, com boas tiradas, o construtor aposentado José Gonçalves da Silva Mendes, de 82 anos, é dessas pessoas de bem com vida e que exala sabedoria diante dos obstáculos que se apresentam. Ele faz parte do grupo que sabe lidar com o estresse e não deixa a angústia ou o desânimo colocá-lo pra baixo. Há pouco mais de dois anos, ele teve diagnóstico de câncer de próstata e encarou 37 aplicações de radioterapia para vencer a doença. Mesmo para os fortes, confessa, foi um susto e tanto. “Na realidade, vacilei. Para não dizer que errei ao não fazer os exames necessários. Só fui fazer o toque retal depois dos 80, com anos de atraso, mesmo com a família insistindo. O resultado foi que já estava num estágio grave, no penúltimo grau. Foi um choque.”

Choque que deu a ele força para lutar contra uma das doenças mais temidas. “Consultei-me com dois urologistas oncólogos, excelentes, e fiz meu tratamento pelo SUS, no Hospital Luxemburgo. Tive atendimento espetacular, fui incrivelmente bem cuidado. Fiquei mesmo foi impressionado com a quantidade de pacientes com câncer de próstata que chegavam por lá. Resisti bem ao tratamento e agora estou na contagem dos cinco anos, quando poderei dizer que estou livre da doença. Acredito também que praticar esportes desde cedo me ajudou muito. Jogo tênis, peteca, xadrez, buraco... pedra!”, brinca seu José.

A reação positiva ao tratamento ocorreu ainda porque ele tem boa saúde, não tinha nenhum outro problema. “Sem dúvida, isso me ajudou muito. E acredito que o fato de não ter omitido o câncer, de ter falado para a família, aberto o assunto, também contribuiu. Não me incomoda tocar no assunto, até para alertar as outras pessoas. O grande risco é não fazer os exames, tanto o toque retal quanto o controle do PSA. De preferência, anual. Na época em que descobri a doença, o meu PSA era 11, hoje está menos de um. É preciso vigiar. Não sou o típico homem com medo de médico, no entanto, por ser assintomático – não sentia nada, nenhuma dor –, acabei me descuidando. Temos de dar atenção ao nosso corpo”, aconselha.

Recuperado, na ativa e com o corpo em movimento, seu José recomenda que todos os homens “tomem cuidado com a alimentação, que deve ser balanceada, ingiram pouca gordura, bebam muita água, façam exercícios e consultas periódicas ao urologista, porque a especialidade faz parte do checape. Não mudei minha rotina, faço as mesmas coisas de antes, acrescentei um brócolis aqui, um aspargo acolá, sucos naturais – o de maracujá é ótimo –, e nada de estresse ou angústia”.

José Gonçalves é um personagem de alerta para todos os homens, ainda mais neste mês, quando, desde o dia 1º, para orientar a população, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) começou mais uma edição do Novembro Azul. A campanha deste ano vai contar com palestras, ações de esclarecimento nas ruas com o Dr. Prost (personagem criado pela SBU para esclarecer ao público leigo sobre as doenças da próstata), live nas redes sociais, veiculação de mídias em transporte público e material informativo no site oficial da entidade: www.portaldaurologia.org.br/novembroazul.

No dia 20, representantes da SBU participam do 11º Fórum de Políticas Públicas e Saúde do Homem, na Câmara dos Deputados, em Brasília. O evento ocorre todos os anos, por sugestão da entidade, para discussão da saúde do homem. O tema deste ano é “A saúde do homem do campo”.

A campanha, adotada no mundo todo, nasceu em 2003, na Austrália, ligada ao Dia Mundial de Enfrentamento ao Câncer de Próstata, em 17 de novembro, e ao Dia Internacional do Homem, celebrado no dia 19. Dessa forma, houve grande adesão, fazendo do mês a principal época de alerta e estímulo à prevenção do câncer de próstata.

MATA


O câncer de próstata é o segundo que mais mata os homens. Conforme o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), para o Brasil, estimam-se 68.220 casos novos de câncer de próstata para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 66,12 casos novos a cada 100 mil homens. Ele é considerado câncer da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos.

O Inca tem uma cartilha com o beabá do câncer de próstata que, por meio de informação segura, ajuda na quebra do medo, preconceito e desconhecimento, que são barreiras que impedem os homens de cuidar melhor da saúde. Câncer de próstata: vamos falar sobre isso? está disponível para que todos tenham orientação correta em mãos e um alerta para que cada homem se dirija a um médico, em caso de suspeita ou dúvida. O câncer de próstata, na maioria dos casos, cresce de forma lenta e não chega a dar sinais durante a vida. O risco aumenta com a idade. No Brasil, a cada 10 homens diagnosticados com a doença, nove têm mais de 55 anos. No entanto, há tumores que podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte.

O Bem Viver conversou também com médicos e especialistas, que alertam sobre o risco de se descuidar da saúde. Avisam para não esperar os sinais para tomar uma atitude. Eles podem não vir e a doença só ser descoberta em grau avançado. Se você faz parte do grupo de risco, fique atento, e aja.

 

 


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