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Estado de Minas

Emater prepara mapeamento das flores em Minas

Segundo maior produtor do país, o estado prepara um diagnóstico e vai criar sistema de acompanhamento da safra para subsidiar políticas públicas que incentivem a cadeia produtiva


postado em 11/06/2018 06:00 / atualizado em 11/06/2018 08:24

Produção de flores em Barbacena, no distrito de Alfredo Vasconcelos: plantação de rosas é destaque na região(foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press 6/9/11)
Produção de flores em Barbacena, no distrito de Alfredo Vasconcelos: plantação de rosas é destaque na região (foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press 6/9/11)

Um levantamento que avaliará a cultura de flores em Minas Gerais vem sendo preparado pela Emater-MG, em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Seapa, e Epamig, com o propósito de desenvolver um Sistema de Acompanhamento da Safra Floricultura. O estado é o segundo maior produtor de flores do país, mas até o momento não dispõe de diagnóstico de produção. “Os dados são importantes porque subsidiam políticas públicas para incentivar a cadeia e norteiam a produção. O sistema será um diagnóstico da exploração de flores no estado, com dados que nem mesmo as prefeituras têm”, ressalta o coordenador técnico da Emater-MG, Edson Logato. O objetivo é identificar quais os municípios produtores, as espécies e a quantidade produzida no estado.


Os técnicos da Emater-MG são responsáveis por visitar as propriedades e coletar informações para alimentar o Sistema de Acompanhamento de Safra Floricultura. A coleta de informações será mensal, o que permitirá um panorama completo da produção. A floricultura envolve o cultivo de plantas ornamentais, flores de corte – usadas em arranjos e buquês, plantas em vasos, produção de sementes, bulbos e mudas de árvores de grande porte. Minas Gerais tem na floricultura de corte o município de Barbacena, na região do Campo das Vertentes, como um dos destaques na produção de rosas. Dona Euzébia, na Zona da Mata, também tem destaque no cultivo de plantas ornamentais e para jardins, como as palmeiras.


De acordo com Mariana Moreira, assistente técnica da Seapa, dados preliminares do trabalho indicaram 760 produtores no Sul de Minas, Zona da Mata e Região Metropolitana de Belo Horizonte, que trabalham com flores tropicais, temperadas e ornamentais, com destaque para a produção de rosas em Barbacena, Alfredo de Vasconcelos e Antônio Carlos. No Sul de Minas, Andradas e região de Munhos com flores de corte. Região de Dona Eusébia, na produção de mudas de plantas ornamentais.Teófilo Otoni e Grande BH na produção de folhagens e corte. E Rio Casca com o plantio de flores tropicais. A Emater-MG oferece assistência técnica.


Simone Novaes Reis, pesquisadora em floricultura da Epamig, ressalta a importância da cadeia produtiva no setor “que emprega muita gente na área, que começa no plantio e tem na outra ponta decoradores de eventos, artistas florais, paisagistas e uma grande variedade a ser explorada”. Há plantas que se destacam pela folhagem utilizada para complementar arranjos e buquês, outras para mudas de jardim, que podem ser subdivididas em mudas de forração utilizadas na cobertura de grandes espaços ocupados por flores, mas também arbustos, arvoredos e palmeiras.

SUSTENTABILIDADE
A Epamig desenvolve pesquisa de floricultura há uma década e tem como foco a produção sustentável, reduzindo a utilização de agrotóxicos e produtos químicos “pensando no meio ambiente e na saúde do trabalhador rural”, conta Simone Reis.


Izabel Cristina dos Santos, pesquisadora de flores comestíveis da Epamig São João del-Rei, vem conduzindo um projeto financiado pela Fundação de Assistência à Pesquisa de Minas Gerais – Fapemig, para avaliar a melhor adubação na produção de flores comestíveis: capuchinha, calêndula e amor-perfeito. “A que parece mais promissora é esterco de gado curtido com húmus de minhoca, mas ainda em estado de avaliação da melhor dose. A produção deve ser sob sistema orgânico.”

A pesquisa indica que a demanda por flores comestíveis vem aumentando gradativamente, devido à adesão de chefes de cozinha, que usam também como decorativas nos pratos a serem servidos. São plantas comestíveis não convencionais. “O produtor não tem ainda informações técnicas para produção de flores em sistema orgânico”, pontua a pesquisadora.


Além da beleza ao prato, tem valor nutriente e entre as mais usadas está a capuchinha, conhecida também como chaguinha, que tem utilidade medicinal e na culinária. “Ela apresenta alta concentração de luteína, que protege a saúde dos órgãos.” Mas nem todas são comestíveis e é preciso saber com especialistas quais as que servem para alimento, alerta Izabel dos Santos. Algumas são tóxicas, como copo-de-leite e azaleia, e não se deve comer frutas produzidas nas ruas devido à contaminação por poluição.

 

Festival de sempre-viva

 

A flor típica do cerrado é coletada por comunidades tradicionais autodefinidas com
A flor típica do cerrado é coletada por comunidades tradicionais autodefinidas com "apanhadores de flores sempre-vivas" (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Diamantina promove nos dias 21 e 22 o 1º Festival dos Apanhadores e Apanhadoras de Flores Sempre-viva, na Praça Barão de Guaicuí e no Centro Cultural David Ribeiro (Mercado Velho), ocasião em que ocorrerá o ato de entrega do dossiê da primeira candidatura brasileira ao programa de reconhecimento de Sistemas Importantes do Patrimônio Agrícola Mundial – Sipam (ou GIAHS, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU). Esse título já foi concedido a 41 sítios, em 18 países, que se destacam por sua paisagem, diversidade agrícola e herança cultural. O programa foi criado em 2002 com o objetivo de preservar sistemas agrícolas marcados pela integração entre modos de vida tradicionais e o meio ambiente de forma equilibrada.


As sempre-vivas são coletadas por comunidades tradicionais autodefinidas como “apanhadores de flores sempre-vivas”. Organizados em comunidades rurais (algumas delas quilombolas), esses grupos têm um modo de vida baseado no manejo e uso de diversos ambientes da Serra do Espinhaço Meridional (MG), onde realizam atividades de cultivo de roças, criação de animais e coleta de flores sempre-vivas de forma tradicional.


Os apanhadores são detentores de uma gama de conhecimentos e práticas seculares e integram o patrimônio cultural de Minas Gerais e do Brasil. Devido à sua relevância sociocultural, ecológica e econômica, são reconhecidos pelo estado como um povo tradicional e estão representados na Comissão Estadual para o Desenvolvimento Sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais (CEPCT-MG) e no Conselho Nacional de Povos Tradicionais (CNPCT).


A expectativa é da presença de 300 apanhadores de flores de toda a região da Serra do Espinhaço Meridional-MG. Haverá o lançamento e exibição de um documentário sobre o modo de vida tradicional dos apanhadores de flores sempre-vivas, além de mostra fotográfica, feira com produtos artesanais das comunidades e uma série de apresentações culturais.


A candidatura ao programa da FAO/ONU é uma iniciativa da Comissão em Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas (Codecex), organização social que representa regionalmente as comunidades apanhadoras de flores sempre-vivas, com o apoio de pesquisadores parceiros. O processo de candidatura envolveu representantes das comunidades de apanhadores de flores, acadêmicos, e das prefeituras municipais de Diamantina, Buenópolis e Presidente Kubitschek e dos governos estadual e federal.

 

Raio-x da produção

Valores da produção de flores em 2018


Produto     Unidade de venda     Valor total em R$

Flor de corte     dúzia                   9.960.677,00
Flor envasada     unidade               8.371.572,00
Grama                    m²                 1.711.050,00
Mudas de folhagens
e arbustos                   unidade     54.469.800,00
Mudas de forração         unidade     63.000,00
Mudas de palmeiras        unidade     513.950,00

Fonte: Assessoria da Emater
 

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