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Figurinhas do WhatsApp

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Ando encantada com a nova forma de diálogo do Terceiro Milênio, que cresceu bastante com a necessidade de interação virtual na pandemia. Estou falando das trocas de figurinhas de WhatsApp. Elas tomam tempo, mas é uma delícia escolher os desenhos de acordo com o perfil de cada interlocutor.




 
As situações também podem variar. É preciso sentir a vibe da pessoa antes de enviar. Perceber se, naquele momento, ela precisa mais da coragem da Mulher Maravilha ou de um alento para a alma. Nesse último caso, é mais indicado o ícone do potinho cheio de amor. Os abraços também cumprem a função.
 
Quando a gente acerta o alvo, gerando empatia, é muito bom. Aconteceu com uma amiga muito séria, que ocupa alto cargo na empresa onde trabalha. Eu costumava me comunicar com ela formalmente. Sempre encerrava a conversa com o tradicional emoji com beijinho de lado ou, no máximo, a carinha cercada de corações.
 
Até o dia em que decidi ousar. Num impulso, enviei a figurinha de um bebê bem fofo, sorriso banguela, inocência pura. Fiquei esperando a reação dela. Ela correspondeu positivamente. Despachou a foto de uma menininha batendo palmas, toda feliz.  Entusiasmada, devolvi com o menino de braços levantados, dizendo aeeeh!
 
Após dois ou três bebês, nosso diálogo inusitado foi encerrado com a figura de um cachorrinho carregando uma rosa vermelha na boca. Que lindeza! Os publicitários já conhecem esse truque. As propagandas de maior sucesso envolvem o uso de imagens de crianças e de animais de estimação. Dou toda a razão.




 
Em alguns casos, os emojis não são bem-vindos. Já experimentei descontrair a conversa com a atendente da concessionária do carro. Não deu certo. A moça enviou um bilhete explicando se tratar de um aparelho corporativo, monitorado pelo gerente dela. Encerrei o assunto com uma carinha triste, a lágrima caindo do olho direito.
 
Há situações mais delicadas, como a que aconteceu comigo no ano passado. Com a missão de pedir emprego para um familiar, fui obrigada a trocar mensagens de WhatsApp com um megaempresário de BH, um dos maiores do Brasil. Custou, mas consegui o celular do homem.
 
O mais difícil foi escrever o texto de duas linhas. O que dizer com alguém que não tem tempo para respirar? Deveria perguntar ‘bom-dia, tudo bem com você?’ Não, ele se sentiria obrigado a devolver a pergunta. “Comigo está tudo bem, e com você?”. Longo demais.




 
Fiquei imaginando o executivo com óculos para vista cansada, na ponta do nariz, teclando com os dois dedos indicadores. Melhor entrar direto no tema. Quase pulei de alegria quando o homem autorizou a procurar o departamento de pessoal da empresa. Se o perfil se encaixasse na vaga, OK.
Agradeci com um obrigada, calculando se deveria reduzir para obgda, mas optei pela norma culta do português. Se fosse alguém mais chegado, eu acrescentaria um emoji de mãos postas. Para os holísticos, mandaria logo um gratidão, com girassóis, bem alegre.
 
Meu desejo era enviar uma figurinha de uma criança rebolando, com a mão na cintura e beijinhos no ombro, que costumo utilizar para os momentos mais épicos.
 
Quer saber? Devia ter feito isso, pois a promessa de emprego não deu em nada. Pelo menos o processo teria sido mais leve e divertido.