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Prisão privativa

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“Levanto-me duas horas antes da minha mulher e do meu filho. Procuro meditar, abrir os sentidos e fazer minhas leituras.” Quem me disse isso foi um dos primeiros convidados do canal Chá Com Leveza, há cerca de dois anos.



Na época, não levei muito a sério. Julguei que o policial federal Geraldo Castro Neto ainda estava sob efeito da experiência de quase morte. Ele havia ficado um mês em coma, paralisado do pescoço para baixo, após levar um tiro na cabeça durante assalto.

Na entrevista, Castro Neto contou ter superado os traumas graças ao pensamento positivo. Enquanto estava ‘inconsciente’, internado na UTI, desenvolveu a estratégia interna de se imaginar correndo, caminhando com as próprias pernas, saudável e feliz. Todo o tempo, repetia dentro de si: “Você vai sair dessa, você vai sair dessa...”

De fato, ele ‘saiu dessa’, contrariando prognósticos médicos e familiares. Logo após a recuperação, sem sequelas, decidiu compartilhar sua descoberta em entrevistas e palestras. Pensar positivamente ajuda a curar.





Castro Neto foi o primeiro. No ano passado, ouvi de outra pessoa que acordava às 4h, de modo a ter tempo suficiente para ‘despertar’. Fazia suas práticas matinais enquanto a cidade dormia.

O professor de ioga e meditação se preparava para se tornar um mestre. Exercitava a mente, as emoções, a alma todos os dias. Sua calma chega a incomodar os que estão em outra sintonia, pilhados.

Com a pandemia, tomei coragem de criar o meu próprio ritual das manhãs. Bebo um copo de água (já deixado ao lado da cama na noite anterior), agradeço a vida e me olho no espelho, com atenção. Digo para mim mesma, sorrindo, como sou linda, alegre e feliz. Para instituir um novo hábito, é preciso repetir a mesma tarefa por 21 dias, sem furos. Já estou no 11º.

Em seguida, faço 15 minutos da ioga feminina Altai Ioga, disponível no YouTube. Os movimentos são inspirados nas ondas do mar. Incentivando as mulheres a serem flexíveis como a água. Nas primeiras aulas, achei que não daria conta de continuar. As articulações estalavam, especialmente o pescoço. Quanta tensão acumulada!

Se a gente deixar, o corpo vira uma prisão privativa. Minha tia-avó passou por isso ao sofrer um derrame. Perdeu a autonomia para se alimentar, escovar os dentes, mudar os canais da tevê. Durante uma visita, confessou sentir saudades de segurar um livro, passar as páginas, ler. Intelectual e viajada, tinha as capacidades cognitivas preservadas, mas o corpo não acompanhava. Era triste.

A maioria de nós vive situação inversa. Cuida do corpo na academia, mas se esquece de malhar a mente. Para algumas pessoas, cinco minutos de meditação parecem cinco séculos.

Sentem-se incapazes de respirar fundo, reduzir o fluxo de pensamentos, viajar para dentro. Preferem fazer 'mil coisas ao mesmo tempo' a não fazer nada. É preciso parar. Pare agora




audima