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Estado de Minas MAIS LEVE

A fórmula da leveza

Ser leve é uma caminhada, portanto. Existem desvios de rota, mais do que gostaríamos. Em vez de negá-los, porém, é melhor aprender a lidar com os obstáculos'


postado em 09/02/2020 04:00



SANDRA KIEFER



Leveza não é para todos os momentos. Faz parte da vida sentir raiva. Nessas horas, se estiver a ponto de explodir, você deve usar a criatividade. Em vez de contar até 10 – ou até 10 mil, dependendo da situação –, que tal andar esse mesmo número de passos? Inclusive, contando cada um deles, como forma de ocupar a mente e mudar o foco?

Foram poucas as vezes na vida, mas já experimentei a técnica. Confesso. Tive de sair correndo de mim mesma antes de respingar nas pessoas mais próximas. Sabe aquela chaleira esquecida no fogão? É isso. A água ferve, arrebenta em borbulhas, solta fumaça até a tampa. Feito uma panela de pressão quando passa do ponto de co- zimento. Para impedir que ela estoure, furiosa, arrebentando tudo à sua volta, é preciso tomar uma providência. Cortar o fogo e dar um banho de água fria, antes que o caldo entorne.

Ser leve é uma caminhada, portanto. Existem desvios de rota, mais do que gostaríamos. Em vez de negá-los, porém, é melhor aprender a lidar com os obstáculos. A maneira mais simples que encontrei foi obrigar o corpo a fabricar endorfina. Nosso Rivotril natural. Os métodos variam. Pode-se andar ou correr. Fazer polichinelos. Atravessar uma piscina 20 vezes. Pular corda até suar. Dançar.

Se o nível de estresse estiver muito alto, recomenda-se dobrar a dose: malhar o corpo e treinar a alma. “Experimente rezar o terço todos os dias e veja como sua vida vai mudar”, ensina a pediatra Filomena Carvalho do Valle, a doutora Filó. Os remedinhos prescritos pela médica curam cada bebê adoentado e pais aflitos que atravessam a porta do consultório ou suplicam por misericórdia no CTI infantil da Santa Casa.

Rezar o terço para acalmar o espírito não é exatamente uma novidade farmacêutica. Minha avó paterna já fazia isso. Amanhecia mais cedo para desfiar padre-nossos e ave-marias, multiplicados pelas necessidades de cada um dos sete filhos. Na temporada chuvosa, era preciso de algo mais forte. Vovó estendia a romaria à família, reunida nos almoços de domingo. Ao menor clarão de relâmpago ou sinal de trovoada, convocava netos, filhos e noras a rezarem juntos, de joelhos, segurando uma vela.

Vovó cantava o terço rapidamente, acelerado mesmo. Nunca soube se era por medo da tempestade ou pela força do hábito. As crianças, eu entre elas, boiávamos no salve-rainha. “A vós suplicamos gemendo e chorando nesse vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa...” A oração é bela, quase uma poesia. Mas não consigo nem conceber quantas milhares de vezes teríamos de repeti-la caso minha avó estivesse viva nas últimas chuvas que castigaram Belo Horizonte.

Perdão, doutora Filó, mas sempre achei complicado rezar o mistério. Sei que existem tutoriais na internet, terços simplificados e até aplicativos para ajudar a cumprir a tarefa. Acredito que haja meios menos mecânicos, ou mais íntimos, de conversar com Deus. Só queria ter um dia um milésimo da fé do padre Alexandre Fernandes, que se reinventou na Paróquia Bom Jesus do Vale. Ele foi perguntado se acreditava em Deus, assim, durante entrevista ao canal Chá Com Leveza. Sem aviso prévio, nem roteiro, o padre respondeu simplesmente: sim. Sem pensar. Sem alterar o semblante. Sem dúvidas. Seria invejável, se a inveja não fosse um pecado.

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