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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Pênalti passou de redenção a pesadelo para nosso América

Penalidade era sinônimo de gol, mas para o Coelho virou uma espécie de maldição. Andamos perdendo campeonato e esperança com isso


22/06/2021 04:00

Na trágica derrota para o Palmeiras, em que o América fazia um ótimo jogo, Ademir desperdiçou a chance de encaminhar nossa vitória(foto: CÉSAR GRECO/DIVULGAÇÃO)
Na trágica derrota para o Palmeiras, em que o América fazia um ótimo jogo, Ademir desperdiçou a chance de encaminhar nossa vitória (foto: CÉSAR GRECO/DIVULGAÇÃO)

Marcação de pênalti para o América eu não comemoro mais. Acredito que todo torcedor sinta isso também. Até mesmo quando o VAR “entra em campo” para garantir nossa cobrança, eu não me animo. E olha que antigamente era um parto termos penalidades máximas a nosso favor.

Lembro bem do Independência antigo, quando criança. Eu tinha impressão de que a trave era maior, coisa de infância. Na hora em que o juiz apitava a falta dentro da área, comemorávamos como se fosse um gol. Aliás, o grito da torcida nesse momento era maior que o grito depois da cobrança convertida, que parecia roteiro óbvio.

Quando a marcação era ali na ferradura, a gente descia até quase o nível do campo e ia ver de perto. Bem de trás da baliza, parecia ser impossível que o jogador perdesse. Talvez para bons batedores o gol fosse maior mesmo.

No final das contas, torcíamos para ser um pênalti bonito e bem batido, e ficávamos calculando onde a bola iria entrar. Vibrar era consequência natural. Quando foi que isso acabou e não me avisaram?

Dessa vez, contra o Palmeiras, tentei uma superstição diferente da final do Mineiro e da Copa do Brasil. Mas aí chamaram o Ademir (que estava lesionado!). Muito bom jogador, mas sem perfil de batedor, com uma canhota habilidosa, embora sem grande potência.

Desliguei a TV e me retirei. “Eu não vou ver ao vivo mais um pênalti errado”, temia. Fui para o quarto. A esperança era voltar e ver o placar “2 a 1”. Que alento! Ao menos, evitaria um infarto. Quem sabe sem ver a cobrança a bola entraria em algum tipo de dimensão paralela? Doce ilusão.

Olhei na Internet antes de ligar a TV e a previsão concretizou: “Ademir bate e goleiro defende”. Caminhão pipa de água fria. E, meu Deus, como o momento do jogo era favorável.

Desperdiçamos uma final de Mineiro, uma classificação na Copa do Brasil e, agora, no nosso melhor jogo, contra um gigante, fora de casa, perdemos a chance de ganhar e renascer no torneio. Mais uma vez, um pênalti errado.

Realmente, não jogamos mal, mas a bola pune. O futebol é cruel e um erro infantil da zaga, no apagar das luzes, fez a camisa do Palmeiras pesar. Que frustração para uma manhã de domingo.
Fui almoçar com meu pai, que não tinha visto o jogo, e contei a história. O que ouvi? “É só com o América mesmo, não dá para entender”. Enfim, eu também não entendo.

A semana agora tem dois jogos em casa: Juventude e Internacional. Alguma coisa de diferente tem de acontecer e essa coisa se chama vitória. Uma hora ela vai ter de aparecer. Boa semana, nação.

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