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Estado de Minas

Como será o futuro depois desta crise provocada pelo coronavírus

É bom que governos, empresas e cidadãos se preparem para o que está por vir, depois de sobrevivermos


postado em 13/04/2020 04:00 / atualizado em 13/04/2020 07:06

Apesar da relutância de alguns líderes políticos, especialmente nos Estados Unidos e no Brasil, a pandemia da COVID-19 é, infelizmente, uma realidade dura e devastadora como indicavam as advertências de tanta gente séria.

No início da civilização humana, os chefes eram sempre uma mistura de governantes e sacerdotes. Tinham um pé na terra e outro no céu. No correr da história essas duas funções se separaram, quando o povo foi se cansando de mistificações e de milagres falsos.
 
Ainda hoje, costumam surgir governantes nostálgicos daqueles tempos primitivos e creem, ou fingem crer, que têm acesso ao sobrenatural e que não necessitam da pobre ciência humana. Sempre com péssimos resultados.
 
Nossa civilização, nossos modos de vida, a forma como funciona a economia, tudo isso corre o risco de ser radicalmente transformado pela doença que, além de ser um grave problema sanitário, obrigou a uma paralisação inédita da vida social,  único remédio para se evitar uma catástrofe médica.  Não sabemos como imunizar as pessoas, nem como curá-las, apesar de todo o conhecimento que acumulamos. É quase como as pestes de antigamente.
 
Em algum momento vai ser descoberta uma vacina ou alguma forma de cura para os casos mais graves, que requerem internação. Só depois disso a vida vai retomar aos poucos os ritmos habituais, não sem antes ter semeado danos severos à vida das pessoas, das empresas e do Estado. Que mundo e que país surgirá após a pandemia?

A futurologia é uma arte elusiva, está sempre a nos desmentir. Alguma coisa, no entanto, podemos antever como consequência das intervenções do Estado e dos efeitos da forte redução do comércio, da produção e do emprego. É bom que governos, empresas e cidadãos se preparem para o que está por vir, depois de sobrevivermos.
 
A pandemia chegou num momento em que a maioria dos governos tinha pouca margem para elevar os seus gastos. No Brasil, especialmente, o governo federal vinha operando com déficits primários e um endividamento da ordem de 76% do PIB. Todo o foco da gestão econômica estava voltado para a diminuição dos gastos. Neste ano sonhava-se com um déficit de 1% do PIB, em torno de R$ 70 bilhões.

Só os programas aprovados até o fim de semana já apontavam para um déficit de R$ 500 bilhões e ninguém duvida de que será preciso muito mais. Por causa da forte redução da atividade econômica as receitas tributárias vão desabar, tanto na União como nos estados e nos municípios. Mais despesas e menos receitas em todos os níveis de governo.
 
No fim da pandemia, com certeza o Estado brasileiro estará superendividado e com déficits enormes. Será preciso retornar a níveis mais normais de equilíbrio, ou seja, menos emprego público, salários congelados e oferta crítica de serviços. A não ser que a sociedade venha aceitar um Estado muito maior, com mais impostos e menos espaço para o setor privado.
 
A maioria das médias e pequenas empresas não vai sobreviver se a crise durar muito tempo, que é a hipótese mais provável. Os remédios à sua disposição podem alongar sua agonia, mas são insuficientes para assegurar a sua plena existência, pois sem faturamento e sem recursos de caixa, essas empresas não vão manter os empregos indefinidamente nem terão acesso ao sistema bancário privado.
 
Das empresas maiores, algumas também deixarão de existir, enquanto as mais sólidas e voltadas para mercados menos voláteis sobreviverão, mas terão que se submeter a ajustes:  tecnologias que reduzem mão de obra e encurtamento das cadeias de suprimento.
 
O resumo da história é que a saída da crise será muito difícil. A sociedade e a economia que resultarão das mudanças serão diferentes. Para um país que não crescia antes da crise e já vivia em meio a grandes bolsões de pobreza, infelizmente vamos viver ainda muito tempo com baixo crescimento, mesmo depois da recessão brutal de 2020. Para resistir a tudo isso e ainda ter um futuro, mesmo adiado, será preciso muita união e grandes lideranças, o que no momento não temos.

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