Jornal Estado de Minas

RICARDO KERTZMAN

Do Parque Municipal ao Bairro Califórnia: brilha, Galo, amor da minha vida!

Juro que não é exagero. É que eu não sei mesmo separar a minha existência, como indivíduo, da do Atlético. Se algum dia eu soube, já não me lembro mais, e certamente foi bem antes de ser tocado n'alma pela magia do grito mais apaixonado e apaixonante do mundo: Galo! 

Hoje, o Atlético completa 115 anos - e, quem diria, quem poderia ao menos imaginar? -, promovendo um culto ecumênico em sua casa própria, a primeira da sua vida, a Arena MRV. Aqueles vinte e poucos garotos, no Parque Municipal, em 25 de março de 1908, mudaram (para melhor ou pior eu não saberia dizer, hehe) para sempre a vida de dezenas de milhões de pessoas e o futebol mundial.





Rascunho essa coluna sentado no carro, defronte à essa Primeira Maravilha do Mundo (quem são as Pirâmides, a Grande Muralha, o Coliseu, o nosso Cristo Redentor… Machu Picchu? Bobagem. Coisa de amadores), olhando o sol brilhar sobre nosso futuro gramado, campo de batalhas épicas e palco de glórias mil que virão pela frente, enquanto espero o portão do estacionamento abrir. 

Se comecei lá fora, continuo cá dentro (de casa), minha casa, nossa casa, tão sonhada casa. Não tenho palavras para agradecer a todos os envolvidos nessa obra, dos 4 Rs aos operários e funcionários da Arena MRV, à essa diretoria espetacular que carrega todo o peso do universo (do mundo é pouco; acreditem!) sobre as costas e a cada irmão atleticano que jamais, em tempo algum, abandonou nosso Clube.

Encerro agora dentro de casa, uma outra casa, que já nem sei mais se a primeira ou a segunda, pensando justamente nisso: uma casa. Conversando essa semana com um novo amigo, tão querido quanto os mais antigos, refletimos sobre a dor de quem não tem um lar, ou perde um lar. Trocamos experiências dos nossos passados sobre o tema e constatamos as fraturas emocionais que a insegurança da falta de moradia promove nas pessoas.





Brilha, Galo! (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Há quem seja médico e salve vidas. Há quem seja policial e nos proteja. Há quem seja professor e nos ensine. Profissões e atividades, quando exercidas de forma honesta e digna, são equivalentes em valia e respeito. Dinheiro é bom e todo mundo gosta, todo mundo precisa. Mas há uma remuneração intrínseca, incalculável, intangível que todos buscam. A Arena MRV é filha de muitos pais, mas de um, em especial, Rubens Menin. 

Ele escolheu como profissão construir casas. Escolheu amenizar a dor de quem não tem um lar. Por este trabalho ele é muito bem recompensado, é um homem riquíssimo. Ao mesmo tempo, seguindo sua vocação, resolveu abrigar 9 milhões de almas preto e brancas sem cobrar nada em troca, monetariamente falando. Seu pagamento virá através de cada sorriso e cada lágrima de emoção de cada atleticano vivo - hoje e sempre - que um dia terá orgulho de pisar na Arena MRV e, mais do que dizer, sentir: eu tenho um lar. 

Chamem como quiser a Arena MRV. Eu chamarei de Estádio Rubens Menin. Sem palavras pra te agradecer, Vô!