Passado o Natal, o clima de festa finalmente com famílias reunidas depois da pandemia trocando presentes e compartilhando o retorno e o reencontro com alegria e... lá vem bomba. O clima festivo de encontros afetivos e o alívio do fim do isolamento duraram pouco.
A COVID branda, ainda assim ativa, não atrapalhou o clima de Natal como nos anos passado e retrasado. Mas o caminhão explosivo, este sim, foi pra arrebentar com a alegria da galera.
Dizem que tudo que é bom dura pouco. Momentos de alegria e prazerosos são leves e agradáveis e desejamos que durem para sempre. Porém, a realidade é feita também de conflitos e problemas que devemos atravessar e superar.
Quando há problemas e pendências, o tempo parece denso e lento. Apesar do que sentimos e da nossa percepção, o tempo não para. Não para, não.
Quando há problemas e pendências, o tempo parece denso e lento. Apesar do que sentimos e da nossa percepção, o tempo não para. Não para, não.
Hoje, dia 1º de janeiro de 2023, dia da posse de Lula. Um dia que não sabemos como vai terminar, pois o perigo de novas tentativas de atos terroristas traz insegurança e medo. Será preciso segurança extrema. Um dia tão esperado para muitos e também recusado por inconformados que diante dos quartéis exigem intervenção militar, pelo que consideram o melhor para o país. A política dividiu a nação, até aí, tudo bem; é a democracia.
Porém, passou do ponto. O incômodo cresceu à espera do dia de hoje, quando o provável atentado terrorista estaria sendo orquestrado por forças nem tão ocultas e, claramente, iniciativa de uma extrema direita radical. Foi descoberto e desmontado.
A brutalidade no Brasil se deu nos tempos da ditadura. Porém, terrorismo de explodir caminhão em locais públicos é a primeira vez. Somos um país pacífico e assim o desejamos.
A brutalidade no Brasil se deu nos tempos da ditadura. Porém, terrorismo de explodir caminhão em locais públicos é a primeira vez. Somos um país pacífico e assim o desejamos.
Atentados antidemocráticos que ferem a Constituição brasileira, desacatando o resultado das urnas são inaceitáveis. Partir para a violência não resolve nada, apenas cria caos. E hoje tememos que outros episódios como este tenham lugar, atingindo pessoas inocentes. Evidente que depois de encontrar um caminhão explosivo, a intenção de retaliação e odiosidade ficou evidente.
Estes terroristas políticos não se importariam e até desejavam explodir, doa a quem doer, a vida de inocentes, acabando com a felicidade daqueles que estão presentes na festa da posse. A brutalidade é impactante. Mas quando as pessoas estão tomadas pelo ódio, ficam passionais e já não pensam nas consequências de seus atos. Assim são os crimes passionais que criticamos e abominamos lutando por conter cotidianamente.
Machistas que matam as mulheres, machões que matam homossexuais, machos imbrocháveis que não aceitam perder. A masculinidade mal interpretada é perigosa. Transforma em questão de honra aquilo que só envolve desejo e, quanto a isto, ninguém é dono de si mesmo. Porque o coração tem razões que a própria razão desconhece.
O desejo não obedece a mandamentos morais. Escapa ao controle e, se o sujeito insiste em contrariar, cria barreiras poderosas e violentas contra si próprio. Este é o motivo de tantos evitarem o desejo ao máximo: pelo medo de que ele aponte para onde não podem suportar.
Portanto, este é um conflito interno que se exterioriza nos comportamentos e causa graves danos para a civilização. Como as guerras de poder e por territórios como assistimos na Rússia de Putin contra quem deseja diferente. Como assistimos na política. No machismo feminino e masculino que prefere morto o filho homossexual.
Assim caminha a humanidade, com passos de formiga e marchas reversas que nos arrastam para o retrocesso e a ignorância. Entre a pulsão de morte e as de vida, muitas lutas serão travadas sempre, mas lutar com dignidade e armar-se de valores maiores a favor da vida, independentemente das crenças e desejos diferentes, é alcançar, e isto desejamos, uma mais alta qualidade de humanidade, a civilidade, a cidadania.
Espero sempre que a capacidade da civilização seja forte o bastante para superar a violência e o desrespeito que este caminhão explosivo representou, que a guerra contra a Ucrânia representa, que qualquer ato terrorista, por uma fé única, represente, que as mulheres possam ser respeitadas em suas escolhas, que haja respeito com escolhas diferentes, que a verdade seja plural. E assim, sim: doa a quem doer, só a educação e a cultura podem operar a civilidade, elevando a dignidade de um ser criado para ser menor do que de fato é.