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Estado de Minas EM DIA COM A PSICANÁLISE

Assaltados por um real insuportável, sofremos angústia pela desproteção

A virulência do coronavírus nunca deixou tão clara esta realidade. O vírus invade ambientes, corpos e se impõe dizimando a população


28/03/2021 04:00 - atualizado 28/03/2021 08:22


“Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado, todo homem é um pedaço de continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio, a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntai: por quem dobram os sinos; eles dobram por vós.”

Este belo e conhecido poema de John Donne nos emociona por transmitir o quanto dependemos de todos os homens e ressalta o que sabemos, mas nem todos se importam. Na união, somos mais fortes e vencemos grandes desafios. Para vencer este momento, é preciso solidariedade. Pensar no outro – o próximo, vizinho, irmão.

Infelizmente, pode ser uma tarefa tão imprescindível quanto impossível, pois implica reverter a era do individualismo e do narcisismo. Nem todos querem ceder sua farinha, não porque seja pouca e pensam no seu pirão, mas porque no capitalismo selvagem vale mais quem mais acumula, independentemente de ter ao lado uma mão estendida por um pedaço de pão.

Vivemos hoje o que podemos chamar, e muitos concordam, de Terceira Guerra Mundial. Não é como as outras de lutas territoriais, cunho político e desejo de poder. Esta é inédita, é diferente.

É consequência da globalização do mundo. As fronteiras foram abertas e viajantes se deslocam em massa. Na época da peste negra, ela se limitou a um território restrito, já que não havia quem a exportasse porque não se viajava como agora.

Agora, não precisamos de exércitos, nem campo de batalha. Armamentos nem pensar. Graças ao perigo e a medidas imediatas de cerco ao foco, somado ao trânsito internacional e à falta de divulgação inicial, a peste se espalhou. Hoje, nem sequer podemos sair de nossa cidade, de nossas casas. Esta guerra nos faz prisioneiros do invisível. De um grande outro aterrorizante que chega sem ser visto, anunciado e sem pedir licença.

Nos tornamos, quase todos, vítimas de uma “paranoia delirante”, que nos tira a paz. Estamos todo o tempo com receio do contágio, lavando as mãos, passando álcool, assistindo a notícias terríveis, que aumentam mais ainda nosso medo de sermos pegos pelo nosso inimigo invisível.

Nossas escolas foram fechadas, nossas lojas baixaram as portas, igrejas deixaram de ser refúgio pacificador, nossas praças cercadas nos retiraram a liberdade. Nem temos prisioneiros de guerra. Temos doentes sem leitos, hospitais e assistência, pois o governo dispensou respiradores e dispensou a compra de vacinas ano passado, prometendo apenas uma “gripezinha” tratada com cloroquina. Maior é nosso desamparo por isso. Temos muitos mortos.

É como se agora todos nós sofrêssemos de certo modo desta mania de perseguição que vivem os delirantes, tragicamente ao contrário de ser imaginária, vem do real e atinge a realidade, é fato!!! O real é osso duro de roer e não tem remédio. Fato consumado.

O vírus invade ambientes, corpos e se impõe dizimando a população, os negócios, interrompendo planos. Os negacionistas vivem em seu universo paralelo. Teimam com fatos. São acumuladores de interesses próprios, apesar de viverem em uma aldeia global. E a virulência do coronavírus nunca deixou tão clara esta realidade. Assaltados por um real insuportável, sofremos angústia por este estado de desproteção. Somente mãos dadas e ação conjunta são eficientes. Só assim venceremos esta guerra.

A luta que lutamos hoje é viral. Somos atacados diariamente por bombardeios de avisos de perigo, notícias trágicas, amigos e vizinhos são atingidos e sofremos por eles e por saber que poderíamos estar em seu lugar.

E a roleta russa que é o vírus continua. Nunca se sabe onde vai atacar ou como. Se fará leves sintomas, grandes estragos ou nos levará alguém que amamos de nada sabemos de antemão.

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