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O 'lado b' da tragédia mundial causada pelo coronavírus

Depois que passar esse tsunami virótico, espero que continuemos praticando a boa política, a responsabilidade com o outro em situação de risco e sofrimento


postado em 12/04/2020 04:00

O coronavírus mudou radicalmentea vida das pessoas(foto: Douglas Magno/AFP)
O coronavírus mudou radicalmentea vida das pessoas (foto: Douglas Magno/AFP)

 
O Brasil e o mundo se transformaram com a chegada do vírus. O mundo mudou e não sabemos o que virá quando a quarentena terminar. Como sairemos deste tempo, que efeitos ele terá sobre nós? Seremos melhores, mais solidários, percebendo que o mundo é mesmo uma aldeia global na qual todos dependem uns dos outros.
 
Estamos isolados e de algum modo mais ligados aos outros. Mais sensíveis ao que lhes pode acontecer. Privação extrema, porque impedidos de trabalhar e ganhar o pão de cada dia e sem reservas para queimar enquanto a onda não passa.
 
Isto é de algum modo interessante. Não que eu ache bom estar sob ameaça de uma pandemia que pode causar fome, miséria e mortes. Além dessas privações, há outras. É difícil ficarmos confinados, sem ver amigos, sem ir ao cinema, a restaurantes, festas, reuniões, aulas. Talvez nem Páscoa tenhamos como nos outros anos.
 
Estamos percebendo mais os outros, mais atentos para as necessidades das pessoas. Mas me admiro em ver autoridades, políticos, governadores e prefeitos empenhados e fazendo aquilo que, diga-se de passagem, deveriam fazer sempre – cuidar dos pobres, dos miseráveis, dos sem teto e convocar a população para se unir solidariamente. Que belo momento para nos ensinar sobre valores.
 
Espero que depois de passar esse tsunami virótico, continuemos praticando a boa política, a responsabilidade com o outro em situação de risco e sofrimento. Muitos têm falado que o mundo nunca mais será o mesmo depois dessa experiência surreal. Parece cena de cinema ver Copacabana deserta, Nova York parada, ruas vazias. Desejar que tudo seja melhor significa continuar a batalhar por um mundo melhor. Ele é a nossa casa, não podemos olhar apenas para nossos próprios interesses. Precisamos cuidar de todos. A economia não pode ser o único medidor de uma sociedade bem-sucedida.
 
Vejo a possibilidade de um mundo melhor. A crise é também oportunidade. Agora é um bom momento para mudanças e reformas. É hora de escutar e dar atenção a quem tem informação oficial. Nada de mensagens de desconhecidos e fakes. O perigo é que as pessoas não seguem as orientações da OMS, das autoridades da área de saúde e do Ministério da Saúde e estão saindo da quarentena. Entendemos que estamos cansados, mas mesmo assim...
 
No Brasil, ocorre o contrário dos outros países, pois o próprio presidente incentiva o povo a ir em direção oposta a todas as orientações competentes e nega toda a tragédia no mundo. E ainda por ciúmes e por ver o ministro da Saúde trabalhar bem, nosso presidente (sim, com minúsculas) decide enfraquecê-lo e ameaça demiti-lo. Na política é assim, quando alguém se destaca porque é bom, é castigado por evidenciar a impotência dos demais. Não fosse a pressão exercida por diversos setores da sociedade, ele teria feito isso de fato. Sem medo de mostrar seu lado violento.
 
Essa é parte sinistra do ser humano. E é por causa dela que devemos trabalhar e fazer análise, para que não nos entreguemos a nosso pior. Todos temos um lado estranho, o desconhecido em nós que chamamos inconsciente, com o qual devemos lidar melhor. Negá-lo ou menosprezá-lo nos torna invejosos, ciumentos e vingativos. São emoções humanas, mas não sejamos tão autênticos e fiéis ao pior. Se não administramos bem as paixões, desconhecendo o nosso lado B, ele nos toma de assalto, nos precipitamos, erramos sendo destemperados e desequilibrados.
 
Devemos ser sujeitos de nós mesmos. Da nossa oração (no duplo sentido). Sujeitos capazes de dirigir com o lado B, de modo que estejamos na direção, não a serviço de caprichos, medos e inseguranças que vão nos colocar sempre na rivalidade com o outro.
 
A inveja é fruto do recalque. Todos somos recalcados, embora alguns consigam se manter sãos, sabendo que há motivações ocultas em nós e que não devemos nos deixar levar por paixões, mas pelo bom desejo e pela racionalidade. Hoje é domingo de Páscoa. Será uma Páscoa diferente. Sem muita festa e menos doces, pouca gente querida. Mas estamos bem, saudáveis e conscientes sobre como devemos agir pelo bem de todos. Boa Páscoa a todos.

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