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Estado de Minas EM DIA COM A PSICANÁLISE

Mesmo com o coronavírus devemos cuidar uns dos outros à distância.

Brasil é um país com problemas sociais sérios devido à discrepância de nível socioeconômico entre ricos e pobres e, portanto, precisa assistir os menos favorecidos, criando redes solidárias para enfrentar a crise da COVID-19


postado em 22/03/2020 04:00


É difícil mudar de assunto quando estamos todos ameaçados por uma pandemia que pode fazer um estrago profundo no bolso, nas famílias, no sistema financeiro mundial nos obrigando ao fechamento.

O fechamento das fronteiras para refugiados, o Brexit, a meu ver, somente agora se justificariam. Temos reais motivos para cancelar aglomerações, eventos, reuniões, encontros. Ficaremos isolados, mas não por individualismo, ao contrário, e isso parece paradoxal, mas não neste contexto, pois assim faremos por solidariedade. O abraço antes solidário agora representa perigo.

O vírus nos deixa de cara com a vulnerabilidade, a mortalidade à qual estamos todos sujeitos sempre e, agora, mais próxima, não podemos evitar olhar para ela e pensar nela como algo imediato. É bom evitar pensar na morte porque se ficássemos imaginando nossa morte o tempo todo, não conseguiríamos viver.

A única saída para nós, mortais, é deixar de lado o pensamento da morte para seguir a vida com menos angústia, apesar dela. Assim podemos viver sem o peso do medo do fim imediato atravessando o cotidiano. De nada adianta viver pensando na morte. Só nos resta viver.

E embora devamos nos isolar e cada um permanecer dentro de sua casa e lá ficar o máximo possível para prevenir o contágio que é facilmente disseminado, mesmo assim devemos cuidar uns dos outros à distância. Esta crise que nos afasta ao mesmo tempo nos aproxima e convida à união. A repensarmos nossas relações com o propósito de evitar o pior: que as coisas cheguem aonde chegaram na Itália. E nos obrigam a pensar, não somente no próprio umbigo, mas no cuidado do outro.

Esta crise nos obriga a pensar em nossos idosos, em cuidar do que é nosso, não o repassando. É o que nos cabe fazer por nós e pelo outro. E nos obriga a tomar decisões de não sair e escolher entre correr ou não riscos a todo o tempo. Aumenta a solidão sobre a qual devemos pensar e suportar. Cuidemos dos que amamos. Fiquemos próximos afetivamente.

O vírus corre à solta e parece descontrolado trazendo pânico com a possibilidade de perdas irrevogáveis. O pânico não ajuda em nada, o medo sim. O medo é um sinal e tem função protetora. Não quando nos paralisa, mas para que não ousemos demais frente a perigos reais. É como um aviso interno, que nos segura e retém.

Felizmente, vivemos no Brasil, país que conta com uma rede de saúde gratuita, o SUS, que está em alerta e já lançou um aplicativo preparando a população carente ou não a lidar com o coronavírus.

O SUS faz toda a diferença neste momento. Como declarou Emmanuel Macron, presidente da França, é que a saúde gratuita não é um custo ou encargo, mas um bem e serviço para todos, devendo estar fora das leis do mercado. Muito lúcido.

Nosso país conta com grande população de baixa renda, sem poder aquisitivo para arcar com as altas mensalidades da assistência privada, e não pode prescindir de um sistema público, é hora de dar valor ao que temos.

O Brasil é um país com problemas sociais sérios devido à discrepância de nível socioeconômico entre ricos e pobres e, portanto, precisa assistir os menos favorecidos, criando redes solidárias.

Além disso, felizmente, ao contrário do que acreditam os neoliberais e ambiciosos capitalistas, nestas horas é que se vê o valor da Licença Saúde Remunerada para o trabalhador assalariado infectado. Enfim, precisamos prevenir, pois como o dito popular apregoa é melhor que remediar.

Não tenham dúvida, agora a união fará a força de resistência que precisamos para enfrentar esta crise. E que sejamos poupados do pior que se anuncia, empenhando-nos e responsabilizando-nos para que não caiamos numa situação gravíssima. Porém, sigamos o exemplo dos italianos levantando os ânimos, cantando em uníssono pelo bem comum. É uma questão de vida ou morte.


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