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Estado de Minas COLUNA

Primeiro PIB pós-pandemia mostra desempenho 'mais do que razoável'

Diante da conta alta que o país tem de pagar em função do impacto da COVID-19 sobre a economia, o crescimento de 4,5% do país em 2021 revela volta à normalidade


15/02/2022 04:00 - atualizado 15/02/2022 07:39

Setor de serviços foi o mais afetado pela pandemia de COVID-19
O setor de serviços, com a reabertura de lojas, restaurantes e empresas de serviços, teve desempenho especialmente positivo no ano passado, crescimento de 10,9% (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press - 18/12/21)
Neste início de fevereiro, as fontes primárias de informações sobre a economia brasileira – órgãos oficiais como o Banco Central, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e ministérios da área econômica – divulgaram os primeiros dados sobre o difícil ano de 2021. Essas são, na verdade, as fontes às quais recorrem os profissionais que precisam saber o que, de fato, ocorre para tomar decisões que envolvem o dinheiro que administram.
 
E o que elas mostraram reflete claramente os efeitos da volta gradual à normalidade da vida social e econômica da população, enfim livre dos polêmicos lockdowns impostos durante a crise sanitária. Os números finais do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro só devem ser conhecidos no início do próximo mês, mas os primeiros dados oficiais disponíveis já desmentem “especialistas” que vinham torcendo pelo pior.
Dadas as dificuldades do período de passagem da pandemia para a normalidade, que contou com os fenômenos mundiais da inflação, da alta dos preços do petróleo e do desarranjo das cadeias de suprimento, ninguém de boa fé e experiência contava com um desempenho espetacular.
 
Esperava-se apenas que o crescimento de 2021 cobrisse com alguma folga as perdas de 2020 – pico da pandemia com queda de 4,1% do PIB. Um importante sinal de que essa expectativa será confirmada veio na última sexta-feira, com a divulgação pelo IBGE da reação do setor de serviços à reabertura de lojas, restaurantes, transporte de cargas, viagens e hotelaria, cabelereiros e salões de beleza, por exemplo.
 
Por motivos óbvios, o setor de serviços foi o mais afetado pelo isolamento social imposto durante a pandemia. É verdade que as lojas se valeram das vendas on-line e os restaurantes deram trabalho aos motoqueiros para compensar em parte as perdas de receita. Mas é difícil imaginar como sobreviveram os prestadores de serviços, que, por sua natureza, dependem da presença do consumidor.
 
Mas o que não se pode perder de vista é que o setor de serviços responde pela maior parte da formação do PIB do Brasil, contribuindo com cerca de 73% do total de toda a riqueza produzida no país a cada ano. Maior vítima dos lockdowns, o setor teve dramática queda de 7,8% em 2020, dando a maior contribuição ao recuo da economia naquele ano. A boa notícia é que, em 2021, os serviços registraram crescimento de 10,9%, a mais alta taxa desde o início da atual série histórica em 2012.

Desempenho

Com isso, o setor que mais pesa na economia pagou com sobra as perdas provocadas pela pandemia. Sendo o setor que mais emprega mão de obra no Brasil (inclusive a informal), a retomada dos serviços também contribuiu para a redução do desemprego, que baixou de 14,5% no início do ano, para 11,6% no trimestre encerrado em novembro, medido pela PNAD Contínua.
 
Ainda segundo o IBGE, nos 10 anos da atual série histórica dos serviços, 2021 foi o segundo ano em que todas as atividades do setor cresceram simultaneamente, em todos os 27 estados da federação. Santa Catarina, com 14,7%, e Minas Gerais, com 14%, foram os destaques.
 
O bom desempenho do setor reforça a expectativa de que o Produto Interno Bruto tenha crescido pelo menos 4,5% no ano passado, mesmo considerando o ainda lento crescimento da indústria (3,9%, em 2021, insuficiente para cobrir o recuo de 4,5%, em 2020). Já a agropecuária, apesar das perdas de safras por causa da seca em algumas regiões, deve ter crescido cerca de 9% (dados ainda em processamento).
 
Uma prévia oficial da taxa de crescimento da economia em 2021 foi dada pelo Banco Central (BC), também na semana passada. Trata-se do IBC-BR, um indicador mensal calculado a partir de base menos ampla do que a do PIB trimestral do IBGE. É utilizado pela autoridade monetária para avaliar o ritmo da atividade econômica do país. Foi de exatamente 4,5% a taxa de expansão em 2021 apontada pelo índice do BC. Nem sempre o IBC-BR coincide com a taxa calculada pelo IBGE, mas a tendência indicada costuma ser confirmada.

Viés eleitoral

Não é, de fato, um crescimento espetacular, considerando a base de comparação negativa de 2020. Mas, sempre é bom lembrar que, em economia, números isolados pouco significam. É preciso compará-los com outros da mesma natureza para se chegar a conclusões que fazem sentido. Como se trata aqui de examinar a resiliência da economia brasileira diante de um recuo grave em seu crescimento, vale comparar a atual taxa de recuperação com a registrada após a última recessão econômica do país.
 
Sem qualquer outra doença grave além da irresponsabilidade fiscal, o governo tinha lançado o Brasil em dois anos de desempenho negativo do PIB. Foram 3,5% de perda em 2015 e 3,3% em 2016. Em 2017, primeiro ano de saída daquela crise, o crescimento conseguido foi de apenas 1,3%. No ano seguinte, outro crescimento pífio: 1,8%.
 
Agora, quando temos que pagar uma conta alta por gastos com a crise sanitária mundial, o crescimento de 4,5% do PIB em 2021 terá sido mais do que razoável. Não reconhecer isso será – para dizer o mínimo – uma desonestidade intelectual que em nada serve ao Brasil.

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