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Estado de Minas COLUNA

Ford, tecnologia, empregos e a necessidade de mais produtividade no Brasil

Ou preparamos nossos jovens e reciclamos os atuais trabalhadores para a nova realidade do mercado de trabalho ou teremos mais desemprego


19/01/2021 04:00 - atualizado 19/01/2021 07:47

(foto: PxHere)
(foto: PxHere)

Desde quando Henry Ford acionou pela primeira vez, em outubro de 1913, a linha móvel de montagem do Ford T, na sua fábrica em Highland Park (EUA), a busca pela produtividade do trabalho passou a ser uma das obsessões do setor produtivo. Foi uma revolução no processo industrial: mais produção em menos horas trabalhadas.
 
Ford não foi o primeiro a buscar a inovação em seu negócio, mas o impacto do automóvel na vida urbana do Século 20 fez de sua experiência uma referência e um alerta.

Desde então, com ou sem o advento das grandes guerras, o mercado – palavrinha chave para se entender o desenvolvimento do capitalismo – passaria a estimular, mais do que nunca, a concorrência interna e externa entre agentes privados. Venceriam os mais competitivos, ou seja, os que oferecessem algo útil, com boa qualidade e bom preço.
 
Mais do que em qualquer atividade produtiva, foi nas indústrias que se buscou a racionalização dos processos de produção e se investiu na modernização do maquinário. O que dizer, então, do setor automotivo, em que a tecnologia embarcada em cada carro – além do design – sempre foi argumento de venda?
 
Há 108 anos, as inovações de Henry Ford foram apenas o começo de uma corrida tecnológica que nunca mais parou. Infelizmente, em nosso país de renda média baixa, nem sempre o consumidor teve acesso a todos os avanços em redução do consumo, aumento da segurança e do conforto dos automóveis, alcançados pela indústria no exterior.
 
Mas essa limitada capacidade de consumo da maioria da população brasileira não tem sido o único obstáculo à expansão da indústria automotiva no país. Obrigado a bancar o Estado obeso e tornado caro pela força do corporativismo do setor público, o consumidor tem boa parte de sua renda sequestrada por uma carga tributária pesada.
 
Executivos estrangeiros se queixam do cipoal de tributos que recaem sobre a produção de automóveis no Brasil. Por isso, o governo tem sido forçado há décadas a criar alívios tributários e, não raro, oferecer créditos subsidiados, a pretexto de garantir a manutenção no país dos milhares de empregos abertos pelas montadoras.

SUBSÍDIOS

Isso acabou gerando uma política permanente, não só para as montadoras, mas para o setor produtivo em geral. Para 2021, esses subsídios deverão passar dos R$ 300 bilhões – quase 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Desse total, só com a indústria automotiva, o gasto previsto será de R$ 5,9 bilhões. É valor que vai se somar aos benefícios concedidos ao longo da década passada, quando o setor acumulou benefícios de R$ 50 bilhões a preços corrigidos para dezembro de 2020.
 
Ainda assim, a competitividade desse setor no mercado internacional é baixa, o que dificulta compensar a limitação interna com exportações substanciais. Ou seja, o sistema de incentivos fiscais é caro e funciona mal. Esse é um dos sinais emitidos pela decisão de encerrar a produção automóveis no país, anunciada na semana passada pela montadora fundada por Henry Ford, uma das primeiras a instalar uma filial no Brasil.
 
Outro sinal importante dessa decisão tem a ver com a tal corrida tecnológica que nunca para e que não perdoa quem não consegue acompanhá-la. Estamos numa fase de mudanças radicais no setor automobilístico. A troca de toda a frota atual por carros elétricos já dá seus primeiros passos, enquanto a automação das fábricas ganha novo ritmo com a pandemia do coronavírus.
 
Consultorias especializadas em robotização, ouvidas pela revista britânica The Economist, estimam que o mercado de robôs industriais, que movimentou US$ 45 bilhões em 2020, deverá chegar a US$ 73 bilhões nos próximos cinco anos. Somente em 2021, o número de unidades operando em todas as fábricas do mundo deve dobrar em relação ao do ano passado, podendo superar os 3,2 milhões robôs industriais.
 

DESEMPREGO

Somam-se a isso duas outras tendências. A primeira é a do aumento da tecnologia embarcada nos veículos, com a incorporação de recursos de inteligência artificial e da conectividade pela internet. A segunda é a da crescente troca do carro próprio pela mobilidade acionada por aplicativos via telefones celulares. 
 
Assim, enquanto a corrida tecnológica obriga as montadoras a investir pesado, o setor de serviços usa a tecnologia para facilitar a vida das pessoas, mas, nesse caso, reduzindo o mercado de carros de passeio.
É por isso que a decisão da Ford é considerada estratégica para o reposicionamento do seu negócio. Mas tão estratégicas quanto urgentes são também as mudanças que o momento impõe ao Brasil. Antes de mais nada, a agenda de reformas destinadas a reduzir o custo de se produzir no país é questão de Estado que precisa se sobrepor ao calendário eleitoral.
 
Além disso, urge repensar todo o sistema de ensino. Ou preparamos nossos jovens e reciclamos os atuais trabalhadores para a nova realidade do mercado de trabalho ou teremos mais desemprego e menos produtividade.
 
Enfim, menos politicagem e mais produtividade.

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