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Estado de Minas PEDRO LOBATO

Este deve ser o melhor Natal dos últimos cinco anos

Há, sim, muito o que comemorar. Mas não podemos cair na tentação de voltar à farra dos que jogaram milhões no desemprego


postado em 26/11/2019 04:00 / atualizado em 26/11/2019 08:04

Em outubro, foram criados 70,8 mil empregos formais líquidos. É o melhor resultado para o mês desde 2017(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS)
Em outubro, foram criados 70,8 mil empregos formais líquidos. É o melhor resultado para o mês desde 2017 (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS)
 
O Brasil pode fechar 2019 com saldo de 1 milhão de novos empregos com carteira assinada. Será, de longe, o melhor resultado desde 2014, o último ano antes da maior recessão econômica da história recente do país. Não se trata de discurso ou promessa do governo, mas de uma projeção que vem se tornando factível nos últimos meses, com base nos números oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mantido pelo antigo Ministério do Trabalho e Emprego, hoje incorporado ao Ministério da Economia.
 
Para os brasileiros que, diferentemente dos economistas e jornalistas de economia, estão menos acostumados a acompanhar estatísticas oficiais sobre essa matéria, o Caged é montado a partir de declarações que as empresas são obrigadas a enviar ao governo, sobre demissões e contratações de empregados. Mensalmente, o saldo positivo ou negativo dessa movimentação é divulgado pelo governo. É, portanto, a estatística mais precisa da evolução dos empregos formais em todo o país. Os empregos informais são levantados pelo IBGE com base na Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad).
 
O nível do emprego formal de um país é um dos indicadores mais importantes das condições de saúde (higidez, no jargão economês) da economia local. O emprego com carteira assinada representa um contrato – que se presume duradouro – entre empregador e empregado. Portanto, ele revela três tendências fundamentais: se a economia está crescendo, se os empresários estão confiantes e se teremos mais pessoas em condições de comprar o que precisam ou desejam.
 
É por isso que os cidadãos de bem, que não torcem para que o Brasil dê errado, receberam com entusiasmo a divulgação dos últimos dados do Caged. Em outubro, foram criados 70,8 mil empregos formais líquidos (isto é, já descontadas as demissões). É o melhor resultado para o mês desde 2017.

Com isso, o acumulado de janeiro a outubro deste ano já soma 841,6 mil empregos com carteira assinada. Em todo o ano passado, eles foram só 529,5 mil. Faltam, portanto, apenas 158,4 mil empregos formais a serem preenchidos em novembro e dezembro para o país fechar o ano com 1 milhão de novas carteiras de trabalho assinadas.

OTIMISMO CAUTELOSO

Está ainda muito longe de baixar significativamente o déficit atual de 11 milhões de desempregados, mas, para quem herdou mais de 14 milhões de trabalhadores postos na rua nos anos anteriores, esse desempenho não deixa dúvida quanto aos sinais de retomada da economia. Ainda tímida, é verdade, mas persistente: outubro foi o sétimo mês seguido de alta no emprego formal.
 
Sempre atento, já que é obrigado a se antecipar aos acontecimentos para definir as taxas de juros de empréstimos que só vão vencer daqui a um ano ou mais, o mercado financeiro já vem registrando esses sinais positivos. Mas, como lhe convém, não abre mão de uma boa dose de cautela, refletida na ausência de saltos em suas projeções. É aos pulinhos que elas avançam ou regridem. Ocorre que, nesse setor, o que está em jogo não tem partido ou paixão e não aceita desaforo: o dinheiro.
 
Foi assim que, ontem, o boletim Focus, organizado e divulgado pelo Banco Central a partir das opiniões colhidas junto a 100 agentes privados do mercado financeiro, elevou suas expectativas de crescimento da economia (PIB) para este ano de 0,92% para 0,99%. Já para o ano que vem, a projeção de crescimento passou de 2,17% para 2,20%.
 
Para o mercado financeiro, a manutenção da tendência de crescimento pesa mais do que o percentual admitido no momento. O mercado ainda vive a expectativa de como as pessoas e as empresas vão reagir à taxa de juros mais baixa da história do país, com a Selic a 5%, sem notícia de alta visível no horizonte.
 
Pelo contrário, o Banco Central já sinalizou que é razoável esperar que na última reunião do ano, dia 11 de dezembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a Selic nesse piso ou, quem sabe, corte mais uma fatia de 0,25%. Ocorre que, mesmo com uma leve ameaça de aumento dos preços nas vésperas do Natal, a inflação de 2019 chegaria no máximo a 3,5%, ou seja, ainda abaixo de meta de 4,25%.

A LUTA CONTINUA

O resumo da ópera é que há, sim, muito o que comemorar e este deve ser o melhor Natal dos últimos cinco anos. Mas não podemos cair na tentação de voltar à farra dos que quebraram o país e jogaram milhões no desemprego.
 
A verdade é que ainda falta muito para recuperarmos totalmente a economia e as dificuldades a enfrentar são tão grandes quanto o estrago que fizeram a corrupção e a gestão irresponsável do dinheiro público.
 
Apesar dos avanços conseguidos com a austeridade nos gastos, o rombo fiscal herdado ainda é fardo pesado e sabotadores políticos farão de tudo para barrar a indispensável agenda de reformas e de modernização da administração pública. Mas os resultados já obtidos confirmam que o país trilha caminho certo e que essa é uma luta que vale a pena.

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