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Estado de Minas ELEIÇÃO DE JOE BIDEN

Reforma ministerial para retirar Brasil do isolamento é 1º desafio de Bolsonaro

Impacto imediato da eleição de Joe Biden para a Casa Branca será a necessidade de o Brasil mudar políticas ambiental, de relações exteriores e na economia para conviver com o novo governo americano


08/11/2020 04:00 - atualizado 08/11/2020 07:27

Curtir luto com a derrota de Donald Trump não faz sentido, tendo em vista que as relações amigáveis com o presidente Jair Bolsonaro não resultaram em benefícios significativos para o país (foto: Marcos Corrêa/PR %u2013 21/10/20)
Curtir luto com a derrota de Donald Trump não faz sentido, tendo em vista que as relações amigáveis com o presidente Jair Bolsonaro não resultaram em benefícios significativos para o país (foto: Marcos Corrêa/PR %u2013 21/10/20)

O democrata Joe Biden é o novo presidente dos EUA. O atual presidente e candidato republicano Donald Trump irá resmungar e contestar pelas redes sociais, inclusive judicialmente, por nova apuração das eleições. Mas o novo inquilino na Casa Branca a partir de Janeiro de 2021 é Joe Biden, o mais votado da história americana, numa bela e limpa vitória.
 
E o que muda para o Brasil, com o ocaso de Trump? As questões diplomática e comercial entre os dois países estão no centro da pauta bilateral. A política externa brasileira não pode se vestir de luto pela derrota do ícone de Bolsonaro. Os benefícios da relação pessoal entre os dois presidentes eram pífios e insignificantes. O Itamaraty ganha, em tese, uma chance de se recompor e assim melhorar a péssima imagem externa do país.
 
Joe Biden sempre foi um hábil negociador político ao longo da sua longa carreira. Não vai embarcar no padrão persecutório do futuro ex-presidente Trump. Pelo contrário, irá sentar-se à mesa e mostrar ao Brasil e a Bolsonaro as cartas da sua diplomacia democrata. Entre as questões-chave para o Brasil estarão a implantação da nova rede 5G no país, o avanço de parcerias comerciais e, principalmente, um novo encaminhamento para o problema ambiental apontado pela comunidade internacional na Amazônia e no Pantanal.
 
Nada será de graça, mas existem incentivos na mesa para que ambos os lados alcancem um novo e produtivo equilíbrio na relação Brasil-EUA. Esse cenário de desafio de convivência colocará o capitão-presidente numa prova difícil: destravar uma reforma ministerial bem bolada, logo após as eleições municipais, com alvos especiais no Itamaraty, no meio ambiente e na economia. Esse será o grande impacto imediato que antevemos para nós, brasileiros, das eleições americanas.
 
Surge uma nova oportunidade para a desgastada gestão Bolsonaro. Terá o presidente a antevisão desse processo interno, vinculado – como está – a um fato externo que ele mesmo não esperava e com que não contava assim? É a política, as tais nuvens no céu, como diria o saudoso e hábil Magalhães Pinto. O presidente é animal político. Se não fosse, o Centrão não estaria dando cartas no seu go- verno. Pode surgir daí o Bolsonaro repaginado, em segunda edição. E capaz de agilizar reformas e acertar o Orçamento 2021. Se não encarar isso, pode esquecer 2022. O povo lhe dará o mesmo destino de Trump. Mas as cartas ainda estão na mão do presidente.

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