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Estado de Minas

Como nos preparamos para guerrear a "herança maldita" do coronavírus

As consequências econômicas decorrentes do afastamento social, essas sim, começam a se afigurar ainda mais terríveis


postado em 24/05/2020 09:40 / atualizado em 24/05/2020 09:40

O cuidado de usar a máscara já é um pequeno grande gesto de amor a si próprio e ao próximo(foto: LEANDRO COURI/EM/D.A. PRESS)
O cuidado de usar a máscara já é um pequeno grande gesto de amor a si próprio e ao próximo (foto: LEANDRO COURI/EM/D.A. PRESS)

Luto comigo mesmo quando devo comentar notícias negativas ou publicar um título lembrando que nada temos a comemorar. Já explico. Nem tanto pelos mais de 20 mil mortos (na quinzena passada eram ainda 10 mil, metade da marca de hoje) pela desgraça da COVID19. As consequências econômicas decorrentes do afastamento social, essas sim, começam a se afigurar ainda mais terríveis. Mas tudo depende de como nos preparamos para guerrear a “herança maldita” do coronavírus.

Milhões de brasileiros têm dado pequenos e grandes exemplos de respeito ao próximo e atenção aos comandos das autoridades. O cuidado de usar a máscara já é um pequeno grande gesto de amor a si próprio e ao próximo. Para não repetir os heroicos profissionais da saúde, recordo dos que saem à rua por um sem-número de outras atividades essenciais, os garis da limpeza pública, os policiais e bombeiros, os motoristas, pilotos e condutores, bancários, balconistas, comerciantes e tantos mais. São brasileiros que se expõem, não por um merecido adicional, por periculosidade e insalubridade, e sim, por generosidade pessoal. Seria justo que a economia pós-COVID pudesse trazer uma retomada do tamanho de tantos exemplos de doação individual.

Há também ótimas surpresas no coletivo. Na área de inovação surgem projetos de respiradores baratos e de outros equipamentos de prevenção ao vírus. Nossos pesquisadores se mostram incansáveis em nos livrar mais rápido da pandemia. O Hospital Albert Einstein, tendo à frente líderes da estatura de Sidney Klajner e Claudio Lottenberg, acaba de anunciar um feito de pesquisa médica genuinamente brasileiro: um dispositivo de testagem em massa, mais rápido e acessível do que os disponíveis no momento. Isso pode acelerar, e muito, a velocidade da reabertura da economia. E há exemplos positivos, até de políticos e governantes quando, por exemplo, o governador de Minas – Romeu Zema – se destaca da planície da gestão pública ao disponibilizar um estoque emergencial de leitos de UTI, felizmente vagos, em sua maioria, a custo módico e com eficiência chinesa de entrega.

Porém. Ai porém. Todo esse imenso esforço no lado médico, sanitário e social da luta contra o medonho vírus se põe a perder pela flagrante inépcia, até aqui, no campo da economia. O País estará produzindo, nos próximos meses, uma avalanche de óbitos de empregos e mortes de empresas, em especial de pequenos e médios negócios. Alertamos, ainda em março, de que o PIB, medida mais sintética do estado da economia, passava a apontar uma queda dramática, da ordem de 5%. Hoje a previsão soa otimista. Um programa completo para a economia, com princípio, meio e fim, se requeria com absoluta urgência.

O que se viu, desde então, ressalvada a ajuda dos 600 reais para quem não tem mais de onde tirar, é praticamente nada. O socorro ao capital de giro das empresas foi deixado por conta de um punhado de bancos cuja única propaganda na TV é repetir que está renegociando o cliente “na mesma taxa”, a perder de vista, ou seja, contratando mais um caminhão de juros pelos anos à frente. A desvalorização do real, a maior entre os países relevantes, reflete um estado de desconfiança absoluto do resto do mundo em relação a nossa capacidade de articulação na retomada dos negócios.
O grande instrumento do governo nessa hora deveria ser o BNDES. Mas o banco não pode atuar na dependência dos bancos para abrir linhas de crédito, especialmente para pequenas e médias empresas. Esse modelo não tem futuro. Perpetua a agiotagem oficializada. Com conceitos equivocados de liberalismo, sem base na realidade, os poucos comandos da economia se dissipam enquanto cresce a onda de insolvências, a aparecer na estatística futura de óbitos empresariais, quando nada mais houver a fazer. A equipe está visivelmente perdida na floresta de monstros que não esperava enfrentar no seu passeio rumo à imaginária prosperidade sem dor.

Ainda há tempo. Muito pouco, mas certamente o discurso tem que mudar e ações concatenadas num programa econômico digno desse nome precisam brotar para sensibilizar as expectativas derrubadas do empresariado nacional. A promessa de recursos atrelados à manutenção de empregos só será acatada se o empresário vislumbrar atividade para sua folha de colaboradores. Sem produção, não há contratação. E, sem empregos, só comoção pública e convulsão social.  É preciso voar contra o tempo.



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