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Enquanto o fim da crise não chega, futuro da economia preocupa

O pós-corona é o que mais aterroriza quem acompanha o afundamento dos indicadores de produção e emprego


postado em 10/04/2020 04:00 / atualizado em 10/04/2020 08:04

Fila de pessoas à procura de emprego vai ser muito maior após a pandemia(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Fila de pessoas à procura de emprego vai ser muito maior após a pandemia (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

Agora conhecemos os efeitos devastadores do isolamento horizontal que deve perdurar até o fim de abril, respeitando a curva ainda explosiva de contaminação do vírus – cuja disseminação atinge capitais distantes do Centro-Sul do país, como Manaus e Fortaleza, para ficar em apenas dois casos.

Mas já sabemos também que a saída do isolamento terá que ser paulatina. O mês de maio e, possivelmente, junho, terão desempenhos muito comprometidos pela crise de paralisação quase geral.
 
O segundo trimestre foi para o espaço. Com ele, começam a soar conservadoras as estimativas que arriscamos publicar aqui, há apenas 15 dias, projetando queda de 4,5% do PIB enquanto a dívida pública, no rescaldo do colapso fiscal da Federação, poderia saltar para cerca de 100% do PIB.

O pós-corona é o que mais aterroriza quem acompanha o afundamento dos indicadores de produção e emprego. O alerta foi dado esta semana por mais um empreendedor que sabe muito porque já vivenciou de tudo: Aguinaldo Diniz, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas.
 
Aguinaldo me confessou – e partilhou seu alerta em carta aberta ao presidente da República – que seu maior temor é com a “outra saúde”, a dos muitos milhares de empregadores que lidera – micro, pequenos e médios – por toda Minas Gerais. A catástrofe é nacional. Se o governo federal está conseguindo passar, com nota média, no quesito de socorro às pessoas físicas (os R$ 600 ajudarão muito nas próximas semanas!), na questão do apoio às empresas e aos empregos, nem dá para se falar em nota, porque nada aconteceu.
 
O BNDES, o Banco Central e outros bancos federais, acuados por um suposto temor de agir em prol do coletivo e ter seus dirigentes depois questionados pelo MP na pessoa física (tamanha arbitrariedade não seria plausível...), limitaram-se a anunciar medidas em números bombásticos, que pouco valem quando o empresário, de qualquer porte, procura um gerente de banco para saber das linhas de apoio anunciadas pelo governo. Na prática, elas não estão lá.
 
É soada a hora de uma completa mudança na abordagem de apoio às empresas. Os recursos devem fluir de saldos ociosos, como os recolhimentos compulsórios dos bancos (mais de R$ 400 bilhões parados), direto para quem tem algum cadastro operacional e um mínimo de histórico gerencial.
 
Deixei no BNDES um sistema novo, o Cartão BNDES Direto, sem intermediários, que foi posto na “prateleira” pois a ordem era encolher o banco e acabar com suas supostas mordomias. Tudo fantasia ou inútil ideologia. Coloquei o BNDES emprestando para MPMEs, em 2017, quase metade de todo valor desembolsado naquele ano. Todo esse avanço foi revertido quando fizeram o banco encolher. O país agora paga a conta de um falso debate pró ou antiliberal, que não se aplica a um banco fundado por ninguém menos que Roberto Campos e outros desenvolvimentistas de quem o país hoje tanto carece.
 
O desafio desta crise é sairmos dela, como país, em condição de recuperar, em 2021 e anos vindouros, tudo o que perderemos neste e nos próximos trimestres. Mas como se fará isso se a coordenação de um programa pós-crise não existe nem sequer é buscada? O que se vê são todos, especialmente governadores, bradando por socorro, como numa nau à deriva, quando deveriam estar reunidos, em bloco, apresentando ao presidente soluções duradouras para retomar com força os empregos, com investimentos em infraestrutura, em saúde e saneamento, na indústria e serviços.
 
Onde estão os secretários de planejamento do país? A coordenação federal de ações precisa ser retomada. Pelo contrário, o que hoje avulta, no horizonte turvo, é uma nova PEC, proposta de emenda constitucional, chamada de “Orçamento de Guerra” que é – ela mesma – a própria calamidade, tamanhas são as arbitrariedades lá permitidas para se gastar sem lastro nem planejamento, deixando as contas a pagar, amargas, para você, futuro pagador da nova festa de bilhões que o Senado pode vir a autorizar na semana entrante.
 
Não tenho a menor dúvida de que, se nada for feito de prático para apoiar empresas e empregos, a tragédia pós-doença será maior do que o sofrimento dos mortos e desvalidos do presente.

(*) Paulo Rabello coordenou uma proposta-relâmpago de Programa de Retomada Consciente para o País, pelo Instituto Atlântico. Ver link em https://www.atlantico.org.br/programa-de-retomada-consciente/  

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