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Há momentos nos quais optamos pelo próprio prejuízo apenas para satisfazer nosso desejo de ver o outro se dar mal ou para não ver as posições que defendemos sendo contrariadas. Recentemente, tomei conhecimento de uma disputa entre dois vizinhos que ilustra bem esta questão.




 
Moram sozinhos, cada um em seu apartamento, no mesmo prédio. No andar de baixo está o senhor, tendo logo acima a senhora em questão. Apaixonada por plantas, ela se gaba de ter uma minifloresta amazônica na varanda aberta para o mundo exterior. Ele, não tão adepto à natureza em meio tão urbano, reclama que o excesso de água derramada sobre a suposta floresta causou vazamentos e infiltrações terríveis em seu imóvel.
 
Depois de ouvir tantas negativas aos seus insistentes pedidos para que as plantas fossem removidas, o senhor decidiu acionar a Justiça. Em resposta à acusação que ela não reconhece como procedente, a senhora escolheu defender sua posição com unhas e dentes.

Contratou ela mesma um perito judicial com vasta experiência, acreditando que a conclusão que ele tomaria a favoreceria ao transportar para problemas estruturais do prédio as razões das infiltrações. Para tanto, pagou cerca de R$ 5 mil.




 
Em contrapartida, ele fez o mesmo. Recorreu a um técnico e também gastou cerca de R$ 5 mil. Confesso que não sei se a demanda já foi resolvida, na justiça ou fora dela, e muito menos sei para o lado de quem ficou a razão.
 
O que me chamou a atenção foi a o fato de que todo o conserto na estrutura da varanda, incluindo material e mão de obra, havia sido orçado inicialmente por menos da metade do que foi gasto com os dois peritos. Fica claro que o que mais incomodava a um e a outro não era o problema concreto em si, mas a necessidade de ver a opinião de um prevalecer sobre a do outro.
 
Há um ditado que diz que "um mal acordo é melhor que uma boa demanda" e nesse caso o acordo provavelmente manteria as boas relações sempre tão desejadas e adequadas entre vizinhos. Mas nem todos dão valor a isso.