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Estado de Minas Comportamento

Por tabela, torne o amor insolúvel

'O amor liberta, dizem, e acredito. O contrário de liberdade quer dizer aprisionamento'


13/03/2022 04:00 - atualizado 13/03/2022 08:29

IIlustração
(foto: Pixabay)

 
O amor liberta, dizem, e acredito. O contrário de liberdade quer dizer aprisionamento. O aprisionamento é uma característica da paixão, muitas vezes obsessiva. Me pus a pensar sobre isso depois que passei a observar a moda de simbolizar ou eternizar o amor através de cadeados colocados em pontes públicas ao redor do mundo. 
 
Li que essa onda pode ter tido início na Servia ou na Hungria, na época da Primeira Guerra ou até antes disso, mas ganhou fama e impulso décadas depois quando casais apaixonados, em visita a Paris, começaram a encher os guarda-corpos de determinadas pontes com cadeados de todo tipo. 
Foram tantos cadeados que geraram proibições, como o caso da famosa Pont des Arts, que há alguns anos viu despencar parte de seu guarda-corpo devido ao peso excessivo. Porém, proibições à parte, novos cadeados surgem diariamente onde tenha um lugar para fixá-los. Afinal, é o amor! E para ele não há impedimentos. 
 
Os nomes ou suas iniciais são escritos, marcados, gravados, encravados no metal, assim como a data, que pode ser aquela ou outra qualquer que tenha significado para o casal. Um coração pode ilustrar a peça, um laço de fita. A chave é jogada bem longe dali, muitas vezes levada pelas águas do rio, de forma que aquele cadeado não possa ser aberto nunca mais, o que por tabela torna o amor indissolúvel. Enquanto dure, claro, não o cadeado no local, mas as juras que nestes tempos têm caido e por  tudo no esquecimento ou no arrependimento com muita facilidade. 
 
"Será que quando brigam e se separam um deles vem aqui arrebentar o elo do cadeado?" ouvi certa vez com ironia. Pouco importa o que ocorreu antes da briga, essa é a verdade. Como tudo começou, as aventuras passadas, a família construída, tudo isso pode perder o valor e o sentido quando o casal se torna incompatível. 
 
Há quem diga que o amor é cego. Disso tenho certeza de que não. Amor, amor mesmo, enxerga tudo e por vezes se faz de bobo. Sabedoria pura. Enxerga tão profundo que perdoa e o que nos faz duvidar disso é nossa incapacidade de fazê-lo. Ou melhor, de fazer os dois, amar e perdoar. 
Compreender a pequenez do outro e a nossa própria nos ajuda a aprender a lidar com o amor pelo outro e por nós mesmos. Se conseguimos enxergar e encarar, aceitar e refletir sobre nossas imperfeições nesse campo, chegaremos mais perto de amar verdadeiramente. E para isso não há cadeado nem chave nem ritual algum, incluindo os civis e os religiosos. 

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