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Estado de Minas Comportamento

Volta às aulas

"Nunca coube tanto aos pais a orientação dos filhos"


14/11/2021 04:00

Aulas
A volta dos jovens às aulas um ano e meio após terem se despedido dos colegas com a expectativa de se reverem em breve (foto: Pixabay)

 
A volta dos jovens às aulas um ano e meio após terem se despedido dos colegas com a expectativa de se reverem em breve desencadeou um cenário bastante interessante no que se refere à identificação. Aqueles que estavam no auge da puberdade, com transformações físicas tão aparentes, hoje se encontram completamente mudados. 
 
Quando passamos muito tempo sem ver qualquer um que esteja na faixa da menor idade, nos assustamos. Não há nada que os aborreça mais que ouvir “nossa como você cresceu!”, “você agora é homem!”, “uma moça!”. Expressões de admiração que vêm sempre seguidas de sorrisos amarelos por parte das vítimas, que desejavam ter passado imperceptíveis pela transição. Eles é que não fazem ideia de que a ve- lhice pode trazer um baque ainda maior. Mas isso ainda está bem longe da preocupação deles, então deixemos para depois. 
 
Uma amiga estava correndo contra o tempo para ajudar o neto, que acabou de completar 16 anos, a refazer o guarda-roupa, que esteve dominado por moletons e blusas de malha maltrapilhas, nada me- lhor para quem ficou enfurnado dentro de casa teclando, comendo e dormindo nos últimos 20 meses. Quem era magro pode ter engordado demais, quem era gordo pode ter encontrado na quarentena estendida a chance de fechar a boca. Porém, a questão hormonal está fora do controle humano, por mais que uma ala da medicina tente interferir. Ela é líquida e certa, além de implacável. Terrível, na visão de alguns. 
 
O neto de minha amiga estava inseguro diante das possibilidades que se colocaram. Como seria recebido com a face cheia de penugens indecisas se vão se tornar pelos grossos e vistosos ou se vão apenas "manchar" seu rosto. E a voz? "Será que vou virar motivo de risada?" Além disso, cresceu além da conta, da conta dele, claro. 
 
Me pus a refletir como eu teria me sentido caso o mesmo tivesse ocorrido na década de 1970, quando de minha adolescência. Tempos bem diferentes, mas expectativas semelhantes. Fico imaginando que fim tiveram as paixões platônicas tão comuns de serem cultivadas nessa fase. Rever a menina ou o menino que se acreditava amar pode ter sido uma decepção. Melhor seria manter a antiga imagem, idealizada com base na inocência do mundo infantil. Bem-vindos à realidade, eu diria a eles. 
 
Bem ou mal ,precisamos "traba- lhar" com o que temos no momento. A adolescência é uma fase marcada por crises internas e externas necessárias para o amadurecimento. A forma como saímos dela define muito como vamos conduzir os primeiros anos da vida adulta, outra fase de grandes conflitos. Nunca coube tanto aos pais a orientação de seus filhos, longe da tutela tão marcante dos professores, que têm também um poder enorme de influenciar os jovens. 
 
Lamentar o que se passou, tudo o que a juventude em tempo de Covid perdeu, não leva a lugar algum. Apenas mantém quem o faz no patamar de vítima do sistema, qualquer que seja ele. O melhor a fazer é tentar extrair algo de positivo de todas as experiências pelas quais passamos, independentemente se estão sob nosso controle ou não. É a forma como lidamos com a vida, seus desafios nem sempre amigáveis, que nos define. 

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