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Talvez uma de nossas maiores fraquezas seja não admitir o que somos, independentemente de nossa pretensa e arrogante vontade. Começa por não sabermos ao certo o que seja ser fraco. Os dicionários dizem que fraqueza quer dizer falta de vigor físico, de robustez; debilidade, fragilidade, definições que podem ser empregadas além do corpo físico, claro.


 
Problemas surgem quando confundimos características que nos tornam humanos com atributos próprios da fraqueza, como se fosse possível isolá-la de fato e continuar sendo humano. Desejo de se sentir amado, querido, para muitos demonstra ser dependente. Quer vulnerabilidade maior? Reconhecer que precisa de ajuda? Quer coisa pior? Mas a fraqueza mais recorrente atualmente tem sido adoecer e precisar de internação.
 
Tenho percebido isso em relação a um número considerável de pessoas que contraíram a COVID. Enquanto estavam em casa se diziam ótimas. Dias depois, precisaram ir para o hospital “só para garantir”. Já intubadas, fizeram correr a notícia de que estavam cada dia melhor. Digo fizeram, pois esse tipo de atitude faz parte da dinâmica familiar, e não apenas do indivíduo debilitado.
 
Os que não resistem à doença causam surpresa aos amigos quando esses recebem a triste notícia do falecimento. Mas ele não estava melhorando?, se perguntam, decepcionados por um lado por não terem dado a atenção devida ao amigo e aos seus familiares durante o tempo da internação e por outro lado por não terem tido tempo suficiente para se preparar para mais uma perda lastimável.


 
Dividir nossas dores tem a incrível capacidade de nos tornar mais fortes. Costuma fazer muita diferença ter com quem dividir a torcida, com quem construir correntes de otimismo, seja em forma de oração ou de vibração positiva, enquanto uma melhora efetiva ainda seja possível, ou ainda ter com quem chorar e xingar, com quem se lamentar e resgatar lembranças que ajudam a tornar mais palatável todo o processo de perda.
 
Não nascemos sós, não vivemos sós. Não deveríamos sofrer a sós, e se o fazemos na maioria das vezes é por escolha, acreditando que estamos nos protegendo ou nos poupando de uma dor muito maior.
 
Se nos envergonhamos de chorar em público, até mesmo por emoções provocadas por conquistas e alegrias intensas e imensas, não nos espanta ter que assumir às escondidas que quando é a tristeza que nos consome fazemos questão de fingir que, apesar de toda a dor, estamos bem. Muito bem, obrigada!