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Estado de Minas comportamento

Entre doces e flores

Isolamento dos homens favoreceu crescimento da fauna


02/05/2021 04:00

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)

 
De repente, na pandemia me tornei florista e doceira. Tenho um jardim terreiro enorme, povoado por todo tipo de bicho. De insetos, a roedores, de calangos gordos e enormes a jacus, corujas e pássaros de todos os tamanhos. Não preciso dizer que horta não adianta plantar, a não ser muito bem cercada e protegida, pois a freguesia é grande e crescente. Parece que o isolamento social dos homens, ou de parte deles, favoreceu o crescimento da fauna visto que aumentou consideravelmente a quantidade de animais que dividem conosco o terreno.
 
Amo plantas de todo tipo, mas confesso que não sou muito fã de trabalhar no jardim, não sou de mexer na terra mesmo não tendo nenhum problema em me sujar dela. Gosto mesmo é de apreciar. Converso com as plantas e os animais acreditando que da mesma forma que eles me animam e estimulam a vida só de notá-los apreciá-los, posso fazer o mesmo por eles.
 
O dono do jardim é meu marido que não rejeita nenhuma muda que ganha de quem quer que seja. Já recuperou tantas plantas desacreditadas que se acha o homem do dedo verde. E o é. Entre as tantas flores plantadas em nosso jardim, não se sabe vindas de onde, estão as zingibers que aqui em casa florescem duas vezes por ano no máximo. Com poucas delas se pode fazer arranjos lindos apenas acrescentando algumas folhagens ao buquê. E nasce aí um belo presente.
 
Há algumas semanas chego até elas, peço licença para cortar três de cada vez e improviso um arranjo simples com papel de seda amarelo e fita marrom, tons bem próximos às flores. Escrevo um bilhetinho a mão e entrego a algum amigo ou amiga que eu ache que esteja precisando de um carinho, uma força, minha presença naquele momento. Tenho colhido tantas alegrias desde então que acho que meu jardim corre sérios riscos de precisar ser refeito brevemente.
 
O mesmo tem acontecido com as frutas como banana, goiaba, laranja, laranjinha japonesa, a da época. A colheita é farta, então grande parte vai para a panela que, juntando açúcar ou rapadura, tem se transformado em potes e potes de doces. O processo muitas vezes demora dias até chegar ao ponto de comer, mas ao final vale a pena. Aí é hora de sair distribuindo também acompanhado do bilhetinho escrito a mão.
 
Se doces ou flores pouca diferença faz. O que temos percebido é que, em momento tão delicado, simples atitudes que demonstrem afeto, que nos mostrem que somos lembrados porque amados, podem tirar qualquer um do desanimo, do marasmo no qual o isolamento tem conduzido muita gente. Não precisamos fazer muita coisa, nem investir mundo e fundos para arrancar sorrisos e plantar esperança, assim como nos surpreender que quando se espalha alegria, a maior felicidade está reservada a você.

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