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Estado de Minas Comportamento

Eu, nós e eles

Não importa do quê e de que categoria se trate%u2019


17/01/2021 04:00

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)

 
Quando do fechamento dos serviços não essenciais pela Prefeitura de BH, me pus a pensar em quantos interesses são colocados à prova. De um lado, os comerciantes e suas necessidades, que vão desde o próprio sustento ao sustento de tantas famílias que dependem de seus negócios. De um lado, as escolas e a necessidade de se manterem “abertas”, os professores e seus ideais tão nobres, e do outro os alunos distribuídos numa enorme gama entre os bons (quem mais está perdendo com tudo isso) e os maus (que fazem desta situação uma ótima desculpa para não sair da roda-vida da inércia improdutiva).
 
De um lado, pessoas que amam abraçar e se alimentam dos encontros, e do outro aqueles que estão confortáveis em não precisar comparecer aos almoços na casa da vovó, onde só tem tios chatos. Aliás, temos visto tanta gente fugir das responsabilidades consigo mesmas e com a sociedade, com base na necessidade de se isolar, mesmo tendo à mão várias ferramentas que possibilitam agir sem ser preciso sair.
 
Não importa do quê e de que categoria se trate, nos dividimos em eu, eles e nós. E é exatamente encarar e questionar o que há por trás dessa divisão um dos desafios que nos estão sendo colocados durante o isolamento social. Temos o hábito bem humano, que chega a ser muitas vezes desumano, de acreditar que o que atende nosso eu é o correto, melhor e obviamente o mais adequado a todos nós e a eles.
 
Temos pontos de vista diferentes, graças a Deus, o que enriquece nossa existência e nos faz andar pra frente. Porém, pontos de vista focados em nosso próprio umbigo não se encaixam nessa qualificação e é difícil fazer nosso orgulho ceder mesmo quando reconhecemos nossas picuinhas e inflexibilidade.  Esse é o eu.
 
Já o eles reflete muitas vezes nossa capacidade de nos excluir de determinadas categorias. Eles não fazem nada certo, eles são imorais, eles isso e aquilo. Chegamos ao absurdo de dizer, por exemplo, que os brasileiros são preguiçosos, atrasados e burros, como se nós não fôssemos brasileiros. Ou, parafraseando uma propaganda de aparelho de TV, nossos brasileiros são melhores que os brasileiros dos outros.
 
Porém, ganhamos todos quando, mais do que pensar no eu e excluir o eles, focamos no nós. Quando falo eles me excluo, quando falo nós me incluo, quando falo eu excluo todos os demais, por mais comum e medíocre que eu possa ser. Nós fala do coletivo. E esse é o nosso desafio. Precisamos reconhecer e aceitar que nossas leis, direitos e deveres são feitos para o nós, mas nem sempre coloca o eu e o eles no mesmo patamar.

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