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Estado de Minas Comportamento

Gratidão


03/01/2021 04:00 - atualizado 03/01/2021 08:35

Meu marido recentemente ganhou uma folha seca lindamente bordada com a palavra Gratidão. Um de seus ex-alunos o presenteou e sobrou-lhe poucas palavras para preencher o cartão que acompanhava a caixa de vidro adequada para preservar o delicado objeto contra qualquer tipo de agressão ou acidente. Afinal, não há muito mais a dizer.

Coincidentemente pouco tempo antes nós dois havíamos discutido sobre a diferença que há entre quando nos sentimos em dívida com alguém e quando sentimos gratidão por algo que alguém nos fez ou pelo que ele representa.

Para a dívida há sempre uma moeda dimensionável. Paga-se com dinheiro, com um presente ou um favor capaz de fazer com que nos sintamos quites, ou seja, de forma que ninguém deve mais nada a ninguém. Pode ser inclusive objeto de cobrança. Até que algo reinicie a troca de favores que dificilmente chegará ao fim um dia. Percebemos esta relação quando pedimos algo a alguém e esperamos que ele o faça. “Outro dia fiz isso ou aquilo por ele, agora ele o fará por mim”.

Quando nos sentimos gratos, pouco importa que o outro tenha a noção exata da dimensão do quanto o seu ato representou para nós. Na verdade, nem isso sabemos dimensionar. Não esperamos nada em troca, assim como temos noção de que o que seja que possamos fazer ou que ele possa nos pedir, jamais atingirá a importância do que ele fez por nós.

Quando gratos, exercitamos a humildade e reconhecemos o inegável e inquestionável fato de que todos precisamos uns dos outros muito mais que precisamos do que uns e outros têm a nos oferecer. Assumimos nossa impotência diante da própria roda da vida e deixamos os outros entrarem e preencherem os espaços existentes entre o que sou capaz de dominar e o que não me cabe controlar.

Podemos ser gratos até por profissionais que a princípio fizeram por nós o que juraram que fariam quando se graduaram. Depende da maneira com que sentimos e interpretamos o caminhar de nossas vidas.

Muitos professores fazem isso quando estão na frente da sala ou da tela expondo ideias e teorias ou compartilhando suas experiências bem e malsucedidas. Muitas vezes um simples toque, uma chamada de atenção, uma colocação bem-feita abre ao aluno uma perspectiva até então desconhecida que muda para melhor o rumo que se pretendia seguir.

Um professor, um médico, um amigo, o motorista de taxi ou aplicativo, um desconhecido com quem nos dispomos a jogar conversa fora enquanto esperamos o tempo passar. Que no ano que se inicia possamos ser inspiramos uns pelos outros e principalmente saibamos ser gratos pelas pequenas coisas que nos acontecem no dia a dia e por aqueles que foram veículo de nossas mudanças em direção à dias melhores mesmo em meio ao caos que pareça imperar.

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