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Estado de Minas Comportamento

Movidos pela certeza

Simplesmente, não temem o dia de amanhã


30/08/2020 04:00 - atualizado 28/08/2020 22:40


 
Domingo passado, falava aqui sobre o trabalho de distribuição de alimentos para instituições sociais ao qual tenho me dedicado desde o início da quarentena. Destaquei principalmente a alegria com a qual creches, asilos e abrigos recebem os alimentos e o valor que dão a eles.
Mas há outro ponto que tem me chamado muito a atenção: a fé e a união de alguns grupos de pessoas. Quando digo fé, não estou me referindo a nenhuma religião, mas à certeza de que quando se dispõem a fazer um trabalho com seriedade e comprometimento a proposta irá adiante. Apesar de todas as dificuldades e percalços, o trabalho não será abalado.
 
Conheci lugares como a Casa do Caminho, em Santa Efigênia, e a Fundação Sara Albuquerque, no Cidade Jardim, que acolhem pacientes de câncer e doenças crônicas que vêm de cidades do interior com seus acompanhantes para tratamentos e não têm onde se alojar. O Dreminas, na região hospitalar, onde pessoas acometidas de anemia falciforme podem se recolher, descansar e tomar um lanche entre suas idas e vindas ao Hemominas num único dia.
 
Sobrevivem de doações e, na maioria das vezes, não têm uma verba líquida e certa para entrar todo início de mês, ao contrário de todas as contas que certamente irão chegar com data de vencimento muito bem definida. Foram trabalhos iniciados por famílias, grupos de pessoas, que pensam e se identificam com uma causa e a ela dedicam parte de seu tempo.
 
É desconhecimento acreditar que os que fazem isso são todos aposentados, com filhos criados e uma boa conta bancária capaz de garantir a sobrevivência ao menos da própria família. Onde conseguem tempo, não sei. Simplesmente, conseguem fazer com que o dia renda o suficiente para dar conta de todos os compromissos pessoais, familiares, profissionais e os demais.
 
Onde conseguem dinheiro? Simplesmente, não temem o dia de amanhã. Há muito, concluí que trabalhos bem realizados, com amor e responsabilidade, atraem voluntários que se dispõem a doar desde seu tempo, dinheiro, mercadorias a serem vendidas em bazares, realizam festas nas quais arrecadam o que precisam, entre tantas outras realizações criativas.
 
E assim as instituições sobrevivem durante anos, décadas. Crescem, se tornam referências e colecionam muitas histórias de vida, casos engraçados, chegadas e partidas, verdadeiros milagres, como dizem, entre histórias alegres e tristes. Nunca imaginaram que chegariam aonde chegaram quando decidiram abrir a primeira porta e receber seus primeiros assistidos. Apenas acreditaram e ainda acreditam que a demanda vem, mas junto dela, muitas vezes de formas inexplicáveis e inesperadas, vêm também as soluções.

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