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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Dinheiro é para estas coisas!

Deveríamos dar graças a Deus se o que perdemos é algo que o dinheiro compre, seja ele meu ou de quem pode me ajudar%u2019


postado em 23/02/2020 04:00


 
Tragédias, sejam elas grandes ou pequenas, nos proporcionam ótimos e ricos momentos de reflexão. A dimensão real dos eventos é o grande problema. Digo real porque muitas vezes damos à tragédia uma importância que não lhe é devida, principalmente em se tratando das pessoais.
Temos aqui duas situações. Vimos nos últimos meses pessoas perdendo entes queridos, suas casas, móveis e eletrodomésticos e roupas. Nos condoemos, como sempre fazemos, formamos grupos de auxílio, fazemos campanha de arrecadação de tudo quanto há.
 
A sociedade tem a capacidade de se mobilizar rapidamente para dar soluções imediatas a problemas que se repetem dentro de um calendário bastante previsível. Depois tudo volta ao normal, cada um por si e Deus por todos. Afinal, já fizemos a nossa parte e esperamos que Deus faça a dele.
E a vida continua até que uma nova tempestade, fruto da natureza ou do erro humano, nos abale e nos leve a questionar o que fazer para acabar com tudo isso porque já estamos cansados desta mesma ladainha todo ano. Tem um cobertor aí, um fogão velho que não use mais ou pode ajudar na compra da água?
 
A outra situação é aquela que atinge o meu quintal especificamente. Vimos este mês pessoas de boa condição física, mental, educacional, econômica e financeira dando chiliques porque tiveram suas BMWs levadas pela água, os barrancos de seus jardins esparramados como lava de vulcão no terreno alheio. Coisa que ninguém deseja, é claro, atrapalha como bem diz a música Construção, de Chico Buarque. Ninguém quer enfrentar o tráfego porque alguém morreu na contramão, mas “dinheiro é para estas coisas” ou seria o seguro?
 
O problema é a paciência, paciência e tempo para colocar tudo no lugar, seja adquirir um novo carro ou contratar trator e jardineiro para que as árvores voltem a florir. É mesmo de lascar, mas podemos administrar bem nossas contrariedades, a partir do momento em que assumirmos que elas fazem parte da vida real e esta é a contrariedade da vez. Tem pior? Uuuuu!!! E como tem. Mas essas ficam para depois.
 
Outro dia, fui fazer uma colonoscopia. Exame de rotina, no meu caso uma rotina de 10 em 10 anos, mas é assim que a chamam. Há um preparo, que a cada vez que faço fica menos pior. O mais difícil não é o preparo em si, e sim ter que ouvir os comentários do quanto é horrível, intolerável, quase que a morte ter que tomar aqueles líquidos e passar horas no banheiro.
 
Helloo!!! Deveríamos dar graças a Deus porque temos a oportunidade de fazer o exame, que temos acesso a ele e de poder, ao final, saber se temos ou não com o quê de fato nos preocupar. Deveríamos dar graças a Deus se o que perdemos é algo que o dinheiro compre, seja ele meu ou de quem pode me ajudar. Mas não. Nossa sede de reclamar e lamentar nos impede de enxergar a dimensão real de nossas tragédias pessoais e onde se encontra a solução para todas elas.

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