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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Somos nossa maior graça

A vida tem muita graça, há muito do que rir, principalmente de nós mesmos%u2019


postado em 13/02/2020 14:43


 
O mundo está ficando sem graça!, argumentam aqueles que defendem comentários depreciativos e ofensivos quando o objetivo principal é ser irônico e gozador. Até ontem, podíamos falar abertamente do cabelo “ruim” dos negros, dos trejeitos afeminados dos gays, da baixa intelectualidade feminina e sua alta sensualidade, das estranhas diferenças culturais entre os povos e suas esquisitices, como se características desses tipos fossem por si só capazes de nos dividir entre os bons (nós, claro) e os ruins (eles, mais do que óbvio).
 
“Não, eu não tenho preconceito”, repetimos sempre que nos confundem com aqueles que ateiam fogo em mendigo porque eles simplesmente existem, mas defendemos a ideia de que um mendigo não passa de um peso para a sociedade produtora. Somos aqueles que não têm nada contra homossexuais “e suas variações”, desde que não estejam na nossa família ou dela se aproximem, assim como amamos ver nossas mulheres e filhas se destacando aos olhos dos concorrentes e inimigos, mas é melhor que em casa, não se esqueçam de quem detém o poder.
 
Qual o problema em sair fantasiado de mulher quando se é de fato um macho, ou de índio quando o que se quer é apenas um apito? Qual o problema em rir da incapacidade de um homem andar sobre um salto 10 quando elas o fazem com maestria e destreza ou vê-lo tentando rebolar como só elas o fazem naturalmente? Para onde foi nossa capacidade de rir da vida e dos gracejos que ela gratuitamente nos oferece?
 
Os romanos, quando tiveram suspensas as execuções de cristãos e malfeitores de todo tipo em suas arenas e circos, com certeza, em grande parte lamentaram como se a vida tivesse perdido a graça. Afinal, era uma grande e, muitas vezes, a única diversão que achavam que tinham. Estaríamos nós sentindo falta disso também? Onde reside a graça de nossa vida? Na vida dos outros? Principalmente, daqueles com quem não nos identificamos porque são diferentes, diversos, inferiores?
 
Quem somos nós de fato? Um pouco negro e branco, nem que para um ou outro gastemos uma fortuna em tratamento estético. Se brancos demais, bronzeador; se negros demais, clareador. Se lisos, horas de salão para enchê-los de cachos; se encaracolados, reversão só com uma progressiva. Se grosseiros, desejamos a capacidade de delicadeza de alguns, mas há também a inveja da agressividade que impõe respeito nem que seja pelo medo.
 
A vida tem muita graça, há muito do que rir, principalmente de nós mesmos. Esses sim são nossos maiores fornecedores de material para piada. Se começássemos a perceber o quanto damos fora, seja no que dizemos ou na forma como nos comportamos, e o quanto fazemos papel ridículo através de atitudes dispensáveis, teríamos muito do que rir, desincumbindo todos os outros desta tarefa.


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