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Casa velha, vida própria


postado em 03/11/2019 04:00 / atualizado em 31/10/2019 14:53

 

Conheço um casal que, logo que decidiu morar junto, mudou-se para a casa que havia sido dos pais dela, que fica em um bairro dos mais antigos de Belo Horizonte, bem central e tradicional. Como a grande maioria das ruas à beira da Avenida do Contorno, a que moram se tornou um misto de cada vez mais comercial e menos residencial, principalmente porque os donos das casas se recusam por motivos inúmeros a ceder aos apelos do tentador mercado imobiliário.

 

Esse é o caso do casal. Terreno de dimensões difíceis de encontrar hoje em dia no meio urbano, tem de tudo lá dentro. Espaço para todo tipo de espaço, da oficina ao gourmet, é o sonho de consumo de qualquer um que queira espalhar-se dentro de casa e, quando sair, poder chegar rapidinho a qualquer um dos pontos mais importantes da cidade. Então, oferta pela casa é o que não falta. O que falta é vontade do casal em se desfazer dela.

 

Confesso que sempre achei uma loucura eles permanecerem lá. A porta de entrada, assim como as janelas do cômodo que sempre serviu de sala de visitas, recebem todo aquele bafo exalado pelos ônibus que ali passam. E não são poucos, assim como os demais veículos, com seus sons estressantes e motoristas estressados.

 

A poluição de todo gênero é fácil de ima- ginar. Casa velha, secular, imagine os tubos e conexões, as instalações elétricas. Me dá arrepio só de pensar que a todo momento pode-se precisar encher a casa de prestadores de serviço que vão dizer sempre a mesma coisa. É preciso refazer tudo, quebrar aqui e ali, rezando para não aparecer nada pior quando a “ferida” for aberta.

 

Mas lá estão eles, felizes. Dizem que quando fecham a porta se sentem em casa. Então, sou obrigada a concordar que lar é aquele lugar onde a gente deseja ir quando está cansada e quer lá ficar até cansar, independentemente de qualquer coisa. Fato é que são eles que moram ali, não eu. E aí é que se encontra uma de nossas maiores dificuldades. Entender e aceitar que os outros pensam diferentemente de nós, desejam outras coisas, não se satisfazem com o mesmo que a gente.

Mas como assim? Gostar de morar naquele lugar? Devem ter medo de se mudar, devem sentir culpa de abandonar a herança que ela recebeu dos pais ou seria preguiça mesmo? Sempre buscamos explicações para as escolhas dos outros, explicações essas que refletem nossos próprios sentimentos ou temores.

 

Hellooo!!! Deixe eles com a vida deles, serão eles a sofrer as consequências de suas próprias escolhas, assim como acontece com cada um de nós. Por que então não mudar o foco e tentar conhecer, entender e se necessário aceitar os caminhos que traçamos para nós, sem que para isso precisemos nos adentrar na casa dos outros? 


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