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Perdidos

Precisamos despertar em nossas crianças e jovens a vontade de trabalhar%u2019


postado em 27/10/2019 04:00 / atualizado em 25/10/2019 16:29


 

Tenho visto muitos jovens adultos perdidos em suas carreiras profissionais e como consequência em sua vida. Durante um bom tempo, posso dizer que me encaixei neste círculo, pois, antes de escolher e decidir de fato o que fazer, prestei vestibular para outros dois cursos completamente desconectados em relação ao meu perfil e à área de conhecimento com a qual me identificava.
 
Ainda bem que não passei em nenhum deles, pois senão, com certeza teria ao menos iniciado-os, tentado levá-los  adiante e me frustrado, pois não há como não passar por este desconforto. Aliás, é ele que nos faz desistir e persistir no que seria um erro e a escolher um novo caminho.
Por fim, no mês em que completei 21 anos entrei para a faculdade. Mas eu tinha uma justificativa que me garantia. Dois meses após eu ter me formado no colégio, ainda com 17 anos, comecei a trabalhar. Desta forma, não havia como ser classificada como “alguém que não faz nada” até que decidisse retomar meus estudos. Isso tudo ocorreu há quase 40 anos. Ou seja, os tempos são outros, mas além das oportunidades hoje serem mais restritas para muitas áreas de atuação, esbarramos no que meu filho classificou como “classe média sabe como fazer merda”!
 
Muitos jovens, filhos de famílias de bom poder aquisitivo, não aceitam qualquer salário, não acham justo ganhar pelo estágio menos do que gastam para manter seus carros e baladas e fazer determinadas atividades que “não são para gente de sua categoria”. Afinal, para esses luxos têm seus pais ou sabem que mais cedo ou mais tarde terão acesso à herança. Então para que tanto esforço, gastar tanta energia agora?
 
Me lembrei de meninos e meninas que podiam faltar à aula no dia de seus aniversários ou a um simples espirro e suspeita de gripe. Tudo era motivo para ficar em casa quando tudo deveria ser motivo para ir à aula. Jovens estudantes que faziam viagens longas durante o período escolar, escondidos atrás da ideia de que viagem também é cultura. Por certo, mas na hora certa.
 
Muitos hoje vão às aulas depois de passarem por muitos cursos, e esperam formar mesmo que para apenas ter um diploma e calar a boca dos pais que um dia colaboraram para que a situação chegasse a este ponto. Não conseguem estágio e colocam a culpa no mercado que, também por certo, anda selecionando apenas aqueles que acreditam no que fazem. E para piorar não veem a hora de chegar as férias para poderem acordar na hora em que a maioria dos simples mortais estão regressando do almoço para seus labores.
 
Não importa se a profissão que escolhemos ou que a vida nos encaminhou exige de nós um diploma. Fato é que  nos traz muito mais que dinheiro e satisfação pessoal e o esforço que ele nos exige ninguém pode fazer por nós ou nos deixar de herança.


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