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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Prioridades

O que é urgente e de fato necessário?


postado em 14/07/2019 04:00


 
 
Difícil estabelecê-las. O que deve ser considerado mais importante levando-se em conta fatores como tempo, ordem e dignidade, como define o dicionário, o que devemos deixar passar à frente dos outros, o que é urgente e de fato necessário? Pense quando você vai montar uma mala de viagem. Acha que vai precisar disto e daquilo outro, por mais que essas peças tenham a mesma função e similaridade. Mas vai que um estrague, molhe ou suje? É bom então levar dois. E este outro, gosto tanto, fica tão bem em mim. Vou levar então. E assim, o que nos é primordial passa a ser mais o que gostamos ou achamos que pode nos faltar.
 
Então chegamos nos lugares, aproveitamos ao máximo o passeio e voltamos com a mala muitas vezes cheia de roupas limpas. Carregamos peso desnecessário, porque privilegiamos as possibilidades que nunca se concretizam. E o pior é que sempre que montamos nossas malas sabemos que ao menos a metade daquilo é dispensável, mas não conseguimos deixar para trás. O medo da falta é maior que a certeza da necessidade. O que nos falta para mudar esta perspectiva?
 
Usei como exemplo as malas por serem elas concretas, têm volume, massa e conseguimos facilmente visualizar, ao contrário do peso excessivo que carregamos em função das prioridades que estabelecemos em relação às nossas ações cotidianas.
 
Este tema me veio à mente quando o grupo de pessoas com as quais vim para o Malawi, na África, numa Caravanas da Fraternidade sem Fronteiras, discutia como aproveitar melhor nossas franquias de malas. Como a missão tem como foco a saúde, logo se estabeleceu os medicamentos como prioridade. Nesse país, a falta de medicamentos, os mais básicos, é enorme, mesmo para quem tem dinheiro para adquirir. Não há oferta. Fruto da dedicação dos médicos do grupo, felizmente conseguimos trazer uma boa quantidade que, por maior que seja, nunca é suficiente para atender a todos. Em segundo lugar as roupas de frio, pois a África não é apenas o continente do calor infernal.
 
Quando faz frio, faz de fato. Durante a madrugada, em julho, no Malawi, chega a fazer 5 graus. E imagine passar por isso quando não se tem uma casa fechada do chão ao teto para se proteger.
E o restante? Tantas outras coisas entre badulaques e brinquedinhos também não têm sua importância? Sim. Para muitos de nós não são apenas importantes, mas essenciais. Imagine a vida sem as festas, os encontros, os presentinhos, o Natal sem seus enfeites. Seria sem graça, andaríamos uniformizados, não teríamos como manifestar no corpo nossas diferenças, nossos protestos muitas vezes silenciosos. Mas até que ponto precisamos de tanto para fazê-lo?

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