Jornal Estado de Minas

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Combustíveis na Grande BH encarecem 45,9% em 12 meses e alta persistirá


A onda de aumentos dos preços dos combustíveis veiculares, explicada com resignação, atingiu em 12 meses, até junho, 45,89% na Região Metropolitana de Belo Horizonte, medida na pesquisa do IPCA do IBGE. Significa fôlego mais de 5 vezes superior ao da evolução média das despesas das famílias em geral, algo com efeitos difíceis de aceitar como simples realinhamento desses produtos ao comportamento errático do petróleo.





No Brasil, a alta chegou a 43,92%, enquanto o IPCA subiu 8,35% no período de um ano, terminado no mês passado. A discussão sobre o avanço dos preços deixou o consumidor em último plano. Analistas de bancos e corretoras e especialistas do setor comemoram a “coragem” do governo de corrigir a defasagem da gasolina no país em relação ao vigente no exterior e respiram aliviados por entender dissipada a desconfiança de que o governo mudou o comando da petroleira, neste ano, para interferir no mercado de combustíveis.
 
O sufoco das famílias parece, tampouco, importar ao mercado financeiro, a um presidente, seu ministro da Economia e aliados mais envolvidos em tentar abafar a crise política e jogar o jogo antecipado das eleições. Os combustíveis e a energia já ditam a inflação e vão continuar elevando os gastos das famílias, num atropelo de reflexos da falta de controle sobre a pandemia de COVID-19, do desemprego alto e da renda apertada.

Em 12 meses, até junho, os preços do óleo diesel foram reajustados em 42,30% na Grande BH, os da gasolina em 43,56% e os do etanol, que poderia ser uma opção, avançaram 67,36%, cerca de 7,4 vezes além do IPCA. Nessa corrida dos preços, o interior de Minas Gerais sai mais prejudicado e, sem saída, o consumo deve cair, diante de uma inflação que se espalha dentro do ramo dos transportes.





Antes mesmo do primeiro reajuste aplicado pela gestão do general Silva e Luna na Petrobras, o litro da gasolina havia ultrapassado a barreira dos R$ 6 entre o fim de junho e o começo deste mês em mais da metade dos municípios mineiros com mercados de consumo sob acompanhamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A reportagem do Estado de Minas mostrou que esta semana revendedores do Bairro Belvedere, em Belo Horizonte, vêm oferecendo o combustível fóssil acima de R$ 6. Essa era a realidade enfrentada, de 27 de junho ao último dia 3, pelos motoristas em 14 municípios mineiros do grupo de 27 cidades listadas na pesquisa regular de preços da ANP. Não se trata apenas de preços máximos de venda; há preços médios também acima dessa trava.

Em Três Corações, no Sul de Minas, o litro da gasolina era vendido na semana pesquisada pela ANP ao preço máximo de R$ 6,449. Na vice-liderança estava outra cidade da região, Passos, onde o combustível foi encontrado por até R$ 6,399 o litro. Os preços máximos em Unaí (R$ 6,349), Araxá (R$ 6,398), São Sebastião do Paraíso e Alfenas (R$ 6,299), Patrocínio e Conselheiro Lafaiete (R$ 6,298) também alimentam a polêmica sobre os rumos da inflação.





Fugir dos aumentos não é algo simples como trocar legumes fora do período de safra no sacolão. De janeiro a junho, as variações dos preços dos combustíveis veiculares somaram 27,72% em BH e entorno, segundo o IBGE. A gasolina encareceu 26,32% e o etanol 40,96%. O IPCA foi de 3,87%. As análises mais frequentes sobre o mercado do petróleo têm indicado que as altas vão persistir, assim como nada indica baixa importante do câmbio. Pelo contrário, elas são impactadas ainda pela instabilidade política provocada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro.

Quanto ao etanol, está havendo redução da oferta, o que força preços altos e com tendência de assim permanecerem, como avalia a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig). Depois de um verão muito seco, que afetou a safra da cana-de-açúcar, sobretudo, no Triângulo Mineiro, maior produtor do estado, o inverno castiga a lavoura com geadas, adversidades que se refletem na produção.

Produção verde

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É o número de usinas produtoras de etanol em Minas, das quais 10 só produzem o combustível limpo e 23 ofertam também  a gasolina
 

Gás veicular

 
A inflação do gás veicular não deixou por menos na armadilha coletiva de preços dos combustíveis. O produto teve reajuste médio de 30,03% em 12 meses até junho, no Brasil. Na Grande BH, não há pesquisa desse item nas despesas que compõem o IPCA. Neste ano, a elevação foi de 27,34%.


Gás de botijão

 
Por sua vez, o gás de cozinha sofreu remarcação de 25,89% nos últimos 12 meses na Grande BH. No ano, esse produto, que tem maior peso nos gastos das famílias de baixa renda, foi reajustado, na média, em 17,19%, portanto, acima da variação média no país, de 16,05%.




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