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Estado de Minas Mina$ em foco

Inflação em BH e interior para os pobres evidencia um 2021 difícil

IPCs da capital, de Montes Claros e Viçosa refletem comportamento incerto de preços e novas pressões sobre o orçamento das famílias de menor renda


21/05/2021 04:00 - atualizado 21/05/2021 07:32

Alimentos como o pão francês e a gasolina persistem entre os vilões de preços na primeira prévia do IPCA de maio em BH medido pela Fundação Ipead/UFMG (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Alimentos como o pão francês e a gasolina persistem entre os vilões de preços na primeira prévia do IPCA de maio em BH medido pela Fundação Ipead/UFMG (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

 
A semana foi de mais comemorações nos gabinetes do Ministério da Fazenda com “melhoras consistentes” nos indicadores econômicos, que serviram para turbinar previsões do governo para o crescimento do Brasil em 2021. Na economia real, aquela que sustenta o asfalto onde pisam as donas de casas e os trabalhadores, as preocupações aumentam com o desemprego persistente e o ritmo dos preços. Em Belo Horizonte e no interior de Minas Gerais, os reajustes não enganam quem acompanha os IPCs todo mês. A inflação dá sinais de um novo ano de sacrifício, sobretudo para os pobres.
 
Retrato das despesas das famílias com renda entre um e cinco salários mínimos, o IPCR medido em BH pela Fundação Ipead, vinculada à UFMG, subiu 2,34% de janeiro a abril e desde fevereiro mostra aumentos superiores aos dos mesmos meses de 2020. Quando a comparação é feita no acumulado dos últimos 12 meses até abril, a inflação dos pobres avançou 8,09%, na capital. Em 2020, o mesmo indicador alcançava 3,92% em idêntico intervalo de comparação.
 
O gerente de pesquisa da Fundação Ipead, Eduardo Antunes, avalia uma tendência incerta do IPCR, mas de elevação. Os fartos reajustes de preços de 12,21% do gás de cozinha e de 25,94% da gasolina em 2021 se destacaram no balanço da evolução dos gastos, nos quatro primeiros meses do ano, apurados pelo índice na capital mineira. Enquanto a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, conclui que a economia vai bem, obrigado, as pressões na primeira prévia da inflação dos pobres em maio persistiram. O IPCR variou 0,64% no período de 30 dias terminado na primeira semana deste mês.
 
Como o ditado popular bem destaca, “pimenta nos olhos dos outros é refresco”. Também sob influência da gasolina, dos alimentos e dos serviços de saúde, o IPCA, que mede a evolução dos gastos das famílias de BH com renda entre um e 40 salários mínimos, terminou abril com alta de 0,40% e repetiu elevação entre as três últimas semanas de abril e a primeira de maio, de 0,41%. Além de gasolina, encareceram alimentos como o pão francês.
 
A despeito da postura sempre otimista do ministro Paulo Guedes, a pasta sob o comando dele teve de elevar as previsões para a inflação deste ano, mas o fez com menos alarde do que as expectativas para o crescimento do Brasil. A projeção, agora, é de que o indicador oficial do custo de vida no país atinja 5,05% em 2021, e não mais 4,42% como a equipe imaginava. Foi essa mesma equipe que, ao mesmo tempo, melhorou as projeções de expansão da economia de 3,20% para 3,50%, Nas mesas de analistas de bancos e corretoras as apostas vão a 4%.
 
No interior de Minas Gerais, o IPC medido pela Unimontes em Montes Claros, no Norte do estado, dá mostras de que não há nada a comemorar. Coordenadora da pesquisa do índice, a professora Vânia Villas Bôas verificou que a inflação de abril perdeu fôlego frente a março – saiu de 0,75% para 0,48% no período, mas sem compensar a exagerada alta observada no primeiro trimestre. Ela diz não ver possibilidade de que o consumidor perceba o alívio nos preços.
 
O IPC de Montes Claros cobre despesas de famílias de menor poder aquisitivo, com renda entre um e seis salários mínimos. Em abril, o principal grupo de gastos, o da alimentação, refletiu quedas de preços da carne bovina (-0,38%), feijão (-0,63%), arroz (-1,62%), tomate (-1,71%), banana (-5,24%) e batata (-7,41%). Apesar dos recuos, novas remarcações afetaram o orçamento das famílias, como gasolina (2,87%), etanol (2,78%) e gás de cozinha (4,35%).
 
Em Viçosa, o IPC calculado pelo Departamento de Economia da Universidade Federal de Viçosa para famílias com renda entre um e seis salários mínimos recuou para 0,73% em abril, frente a 1,18% em março. Contudo, cinco grupos de despesas tiveram reajustes superiores aos de março. O recuo foi possível graças à queda de preços de vestuário e ao aumento bem inferior dos gastos com transporte e comunicação.

Repetição?


A se manter o ritmo dos aumentos, 2021 será, de novo, um período difícil para o orçamento familiar, com ou sem a expansão do país tão aguardada. Passado um ano desde a confirmação dos primeiros casos de COVID-19 no Brasil, em março de 2020, a inflação das famílias mais pobres representou quase o dobro da variação do custo de vida das mais ricas. De acordo com o Ipea, os pobres pagaram por alta de 6,75%, em média, de março do ano passado a fevereiro último, ante 3,43% pelos ricos.

Esforço


113h10min é a estimativa do tempo de trabalho gasto em BH, no mês passado, para a compra da cesta básica de alimentos, cuja despesa média foi de R$ 565,78, segundo o Dieese

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