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Estado de Minas Mina$ em foco

Pandemia mascara desemprego e supera cenário da recessão de 2014/2016

Isolamento contribuiu para intensa queda no número de trabalhadores que estavam empregados ou procuravam oportunidade, o que atenua taxa de desocupação


05/03/2021 04:00 - atualizado 05/03/2021 07:20

Taxa de desemprego em Minas atingiu 13,3% no terceiro trimestre de 2020, segunda maior taxa trimestral em Minas desde 2012 (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 2/1/20)
Taxa de desemprego em Minas atingiu 13,3% no terceiro trimestre de 2020, segunda maior taxa trimestral em Minas desde 2012 (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 2/1/20)

Nem mesmo a longa recessão que o Brasil e Minas Gerais enfrentaram de 2014 a 2016 produziu desemprego tão alto quanto mostraram as taxas medidas no fim do ano passado pelo IBGE.

A crise, que afeta 1,392 milhão de pessoas sem atividade no estado, tem contornos ainda mais assustadores quando se avalia a desocupação junto ao intenso movimento de saída das pessoas com mais de 14 anos da força de trabalho.

Isso ocorre tanto em razão da falta de oportunidades para quem quer e precisa trabalhar, quanto devido ao desestímulo de procurar emprego.

Analisados lado a lado, esses indicadores mostram o que os governos parecem não querer ver: o desemprego real supera em larga escala as taxas divulgadas na virada do ano, uma vez que o percentual de trabalhadores empregados ou em busca de uma chance despencou em relação a 2019 e 2018

Com tanta gente fora do mercado de trabalho ou sem motivação para disputar vaga, a base de dados usada para o cálculo do desemprego diminuiu. Não se trata de ideologia, mas de matemática.

A taxa de desemprego em Minas atingiu 13,3% no terceiro trimestre de 2020, último dado divulgado pelo IBGE, segundo os levantamentos da Pnad Contínua.

O percentual faz extensa sombra ao desemprego de 6,8%; 8,6% e 11,2%, medido, respectivamente, de julho a setembro de 2014, 2015 e 2016. Na série trimestral acompanhada pelo instituto desde o primeiro trimestre de 2012, a taxa estimada em 2020 foi a segunda mais alta, só perdendo para os 13,7% do período de janeiro a março de 2017.

Se esse cenário não bastasse, a redução drástica de pessoas na força de trabalho atenua a taxa. Em Minas, a taxa de participação das pessoas de 14 anos ou mais na força de trabalho caiu de 64,1% no quarto trimestre de 2019 para 58,6% de julho a setembro do ano passado.

Na média do Brasil, recuou de 61,9% no fim de 2019 para 56,8% no último trimestre de 2020. O desemprego no Brasil alcançou 13,9% entre outubro e dezembro, o que representa 13,925 milhões sem oportunidade.

Estudioso do mercado de trabalho há vários anos, o economista Mário Rodarte, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, alerta para a realidade que a pandemia mascara.

Se tanta gente não tivesse deixado de trabalhar ou procurar emprego, ele não tem dúvidas de que a taxa de desemprego no país estaria hoje próxima dos 20%.

“Os dados de Minas não fogem do que ocorre no cenário nacional porque Minas responde por uma parte significativa do mercado brasileiro. Com a taxa de participação muito menor, o desemprego atual esconde uma situação muito mais grave do que havia de 2014 a 2016 e no começo de 2017”, alerta.

Outros indicadores, como a evolução do emprego, sugerem dificuldades generalizadas de setores que são grandes empregadores. No Brasil de outubro a dezembro, a ocupação desabou 10,3% na indústria, 11,8% na construção civil e 27,7% nos serviços de alimentação e alojamento, este último um dos mais prejudicados pelos efeitos do coronavírus na economia, frente ao trimestre de 2019.

Ainda assim, não adianta só culpar a pandemia do coronavírus e esperar todo o seu estrago. Rodarte lembra que a discussão sobre o desemprego e possíveis soluções para a crise não pode ficar reduzida aos efeitos da doença respiratória.

“Temos problemas que se acumulam. Há uma questão de base no país relativa à falta de um projeto nacional, combinada ao baixo nível de investimento do setor privado. Observamos um movimento de desindustrialização que é antigo. Não existe uma força indutora, uma agenda que pense o país para alguma direção. Sobre esse problema se assenta o problema da pandemia, mas ela ilude as estatísticas e dá a ideia de que temos um desemprego menor que o real”, afirma.

A economia brasileira encolheu 4,1% no ano passado, de acordo com o IBGE. Apenas a agropecuária se salvou de tombar e cresceu 2%. Houve recuos de 4,5% no setor de serviços e de 3,5% da indústria.

A sucessão de sinais negativos e que parecem ser desprezados pelos governos e os políticos encarregados de legislar se avoluma na retração do emprego no mercado formal, que atingiu 12,4% no Brasil no fim de 2020.

O balanço no vermelho não perdoou nem o universo de trabalhadores por conta própria, espécie de colchão de amortecimento de crises, mas que precisa do vigor de outros setores, com queda de 5,2%.


PORTAS FECHADAS

32,6% - Foi quanto caiu o emprego em Minas Gerais nos serviços de alojamento e alimentação entre julho e setembro do ano passado, frente ao mesmo período de 2019

BAIXA RENDA

O rendimento médio habitual dos trabalhadores de Minas Gerais, descontada a inflação, não passou de R$ 2.132 no terceiro trimestre de 2020, ainda segundo a Pnad Contínua do IBGE. O valor diminuiu 2% frente ao vencimento de R$ 2.174, pago de abril a junho do ano passado. Além da redução, ficou abaixo do rendimento médio nacional de R$ 2.507.
 


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