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Estado de Minas MINA$ EM FOCO

Cidades mais ricas de Minas sofrem impacto maior da COVID-19

Os 20 municípios responsáveis por mais da metade do PIB do estado concentram 51% das mortes e quase 49% dos casos de contaminação pela doença respiratória, o que deve complicar a recuperação da economia, após o controle da pandemia, e afetar também as cidades mais pobres


postado em 26/06/2020 04:00 / atualizado em 26/06/2020 07:55

 
Ipatinga, que ocupa a sétima posição do ranking das cidades mais ricas de Minas, é um dos municípios mais afetados pela disseminação do novo coronavírus, com 33 mortos(foto: Prefeitura de Ipatinga/Divulgação 28/5/20)
Ipatinga, que ocupa a sétima posição do ranking das cidades mais ricas de Minas, é um dos municípios mais afetados pela disseminação do novo coronavírus, com 33 mortos (foto: Prefeitura de Ipatinga/Divulgação 28/5/20)
Entre as lições que as crises nos ensinam, um dos principais aprendizados é deixar de olhar para o próprio umbigo. Seria um bom exercício nessa direção cruzar os números dramáticos da escalada da COVID-19 em Minas Gerais com o ranking dos municípios mais ricos do estado e a lista dos mais pobres. As 20 maiores cidades do ponto de vista da produção de bens e serviços de Minas, medidas pelo PIB, concentram mais da metade das mortes (51,11%) e cerca de 49% dos casos de contaminação pelo novo coronavírus. Os dados foram obtidos do boletim epidemiológico de ontem da Secretaria de Estado de Saúde (SES).

O grupo dos municípios mais importantes para a engrenagem da economia – que têm como carro-chefe Belo Horizonte, seguida de Uberlândia, no Triângulo; Contagem e Betim, na região metropolitana da capital; Juiz de Fora, na Zona da Mata; Uberaba, também no Triângulo; e Ipatinga, no Vale do Aço – responde por mais da metade (51,8%) do PIB de Minas. A estimativa consta de relatório do ano passado dos pesquisadores da Fundação João Pinheiro, usando dados de 2017, os últimos disponíveis nessa base de comparação.

Naquele período, o PIB estadual estava avaliado em R$ 504,9 bilhões. Refletir sobre a força da pandemia em áreas com tamanha representatividade para fazer a economia girar e naquelas regiões carentes é essencial na discussão a respeito da futura recuperação das empresas, do emprego e da renda da população. Com mais da metade da produção de bens e serviços de Minas impactada pelo novo coronavírus, a reação pode demorar mais do que se imagina? Essa dificuldade agravaria também a situação de uma extensa lista de pequenas cidades, tão dependentes do poder público?

A pandemia já provocou 412 mortes nos 20 maiores municípios de Minas, dos 806 óbitos no estado desde o surgimento da doença respiratória. Os casos de contaminação somam 15.993 registros do total de 32.769. Esse grupo de municípios é formado ainda por Nova Lima, na Grande BH; Sete Lagoas, Itabira e Ouro Preto, na Região Central; Extrema, Pouso Alegre, Poços de Caldas e Varginha, no Sul de Minas; Montes Claros, no Norte; Divinópolis, no Centro-Oeste; Governador Valadares, no Leste; e Araxá e Patos de Minas, no Alto Paranaíba.

Observando a lista das 20 cidades mais pobres de Minas, o boletim da Secretaria de Estado de Saúde nos mostra 21 casos de contaminação concentrados em Senador José Bento e Wenceslau Braz, no Sul do Estado; Olaria, Senador Cortes e Silveirânia, na Zona da Mata. Participam ainda desse ranking de municípios, que é liderado por Cedro do Abaeté, na Região Central de Minas, São Sebastião do Rio Preto, na mesma região;  Serra da Saudade, no Centro-Oeste; Passabem, Pedro Teixeira, Paiva, Santo Antônio do Rio Abaixo, Aracitaba, Antônio Prado de Minas, Consolação, Itambé do Mato Dentro, Rochedo de Minas, Nacip Raydan, São Sebastião do Rio Verde e Glaucilândia.

Entendendo, por um lado, que esses municípios poderiam estar a salvo da COVID-19, por enquanto, a recuperação da economia após a pandemia ser controlada é outra a realidade. Nada indica que essas cidades sofrerão muito menos do que os primos ricos os efeitos da disseminação do vírus sobre as atividades das empresas, o emprego e a renda.

Afinal, são municípios muito dependentes do poder público, tanto da administração municipal quanto de transferência de verbas. Enquanto na média do estado a administração pública responde por 15,6% do PIB, nas cidades mais pobres essa participação variou de 45,7% do PIB de Consolação a 59,4% do PIB de Nacip Raydan. Os recursos públicos tendem a minguar, com a redução do ingresso de dinheiro no caixa estadual, mas isso não é tudo, quando se pensa em crise econômica.

Aos economistas e políticos, faria bem propor soluções alargando o horizonte de análise de dezenas de indicadores usados nas diversas projeções, do comportamento do consumo aos rumos dos investimentos milionários nas bolsas, passando a considerar as condições sociais e de bem-estar impostas aos brasileiros. Não seria por falta disso que, ano após ano, eles erram nas suas previsões?
 

CERCO


652 É o número de municípios com casos de contaminação pelo novo coronavírus em Minas

Novo investimento

Com aporte de R$ 25 milhões e usina de energia solar implantada em Pirapora, no Norte de Minas, a Empresa Mineira de Geração Distribuída (EMGD) iniciou suas atividades no estado. A companhia se dedica ao negócio da compensação energética, garantindo redução na conta de energia de clientes que alugam lotes em fazenda solar.
 

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