Publicidade

Estado de Minas MINAS EM FOCO

Sob as bênçãos do interior

Uberlândia, no Triângulo Mineiro, se comporta como uma espécie de China das Gerais em matéria de capacidade para movimentar renda, assim como Betim, na Grande BH


postado em 19/07/2019 04:00




Vista de Uberlândia, que se destaca nos rankings estadual e nacional do potencial de consumo da população estimado neste ano pelo IPC Maps(foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press %u2013 6/5/11 )
Vista de Uberlândia, que se destaca nos rankings estadual e nacional do potencial de consumo da população estimado neste ano pelo IPC Maps (foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press %u2013 6/5/11 )






Com Belo Horizonte e Uberlândia na dianteira, Minas Gerais tem condições de movimentar, neste ano, a bolada de R$ 476,8 bilhões, a despeito da crise econômica, e boa parte da circulação desse dinheiro ocorrerá graças ao dinamismo fora da capital do estado. O interior promete dar conta de sustentar vibrantes 66,2% desse potencial de consumo, que foi medido pelo IPC Maps. O indicador é publicado pela empresa IPC Marketing, especializada em estimativas de potencial de consumo baseadas em dados socioeconômicos para os 5.570 municípios brasileiros, incluindo população, renda per capita, gastos e setores de produção de bens e serviços.

Uberlândia, no Triângulo Mineiro, se comporta como uma espécie de China das Gerais em matéria de capacidade para movimentar renda, assim como Betim, na Grande BH. Vigésimo sexto município do Brasil em potencial de consumo neste ano, frente a 2018, Uberlândia desbancou do ranking Natal (RN), Caxias do Sul (RS), João Pessoa (PA), Osasco (SP), Contagem, na Grande BH, e Forianópolis. O avanço de uma das maiores cidades mineiras se deveu ao aumento dos domicílios das classes A e C, segundo Marcos Pazzini, responsável pelo estudo do IPC Maps.

Isso também explica o bom desempenho de outra China mineira, Betim, na região metropolitana, que ultrapassou 10 concorrentes de 2018 para 2019, em potencial de consumo, passando a ocupar a 55ª posição no país. “As mudanças de domicílios entre as classes sociais têm a ver com melhoria (ou não) de renda, que é resultado de maior ou menor oferta de empregos e valores de rendimento domiciliar, que estão ligados à atividade econômica no município”, afirma Marcos Pazzini.

Dinâmico, o interior de Minas será determinante, como o instituto de estatística viu no Brasil. Segundo o estudo, as capitais perderão espaço no consumo (de 29,6% em 2018 para 28,9% este ano) enquanto o interior dos estados voltará a dar sinais de recuperação, elevando de 54% para 54,4% a movimentação de dinheiro em 2019. BH fugiu a essa regra, mas não foi por mérito próprio, de acordo com o especialista do IPC Maps.

A capital mineira subiu um degrau no ranking nacional, do quarto para o terceiro lugar neste ano. Contudo, o bom desempenho, ao deslocar Brasília, a meca dos salários no Brasil, resultou, em particular, da queda de participação da capital federal entre 2018 e 2019. “Apenas a classe D/E teve aumento de domicílios nesse período. As demais perderam, o que caracteriza o processo de migração social negativa, daí a perda de potencial de consumo de Brasília”, explica Pazzini.

Em Minas, a classe C detém maior número de domicílios (50,1% do total) e participação no potencial do consumo, de 39,8%, seguida da classe B, que detém 20,7% dos lares e 37,3% do potencial do consumo. Há diferenças em relação ao Brasil, que se apoia numa classe B com o maior percentual de consumo no país (38,4%), seguida da classe C, com 37,5%. O IPC Maps considera, nessas classificações, as rendas médias domiciliares em dois extratos, de R$ 1.691,44 e R$ 2.965,69 para a classe C e de R$ 5.363,19 e R$ 10.386,52 da classe B. A renda média domiciliar da classe D/E é de parcos R$ 708,19, enquanto a da classe E alcança R$ 23.345,11.

Se os números nos servem como pistas sobre a importância do consumo para a economia, também revelam problemas fundamentais que podem minar esse potencial mostrado pelo IPC Maps. Vários indicadores econômicos mostram a perda do ritmo de recuperação da economia  e com tamanha desigualdade de renda difícil se torna alcançar algum crescimento sustentável.  O economista Celso Furtado foi um dos grandes teóricos dessa temática, e alertou em diversas publicações que a elevada desigualdade social inibe o crescimento econômico e impede o desenvolvimento do país.


Inflou

48,2%

Foi a média de avanço dos gastos do consumidor urbano em Minas de 2014 a 2019, segundo o IPC Maps. De 22 categorias, 14 subiram mais que a média, inclusive aquelas básicas



FUMO E REMÉDIOS
Os  gastos do consumidor em Minas Gerais que mais cresceram nos últimos cinco anos, de 2014 a 2019, gravitaram em duas frentes opostas. De um lado ficaram aqueles essenciais, com aumentos de 74,3% nas despesas de alimentação no domicílio e de 71,8% da compra de medicamentos. Na linha dos supérfluos cresceu 74,1% a despesa com fumo, puxada por cigarros eletrônicos e narguilés (os cachimbos orientais), que estão na moda entre os jovens.


Mercado de gigantes
As seguradoras não perdem tempo na disputa pelo consumo em Minas. A Prudential do Brasil, que lidera no ramo dos seguros de vida, está reforçando sua atuação no estado, com um sexto ponto de vendas em Uberlândia. Na cidade, a operadora mantém 22 de seus 300 corretores franqueados em Minas.
 
 


Publicidade