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Estado de Minas

Arroz de festa


postado em 08/04/2019 05:08 / atualizado em 08/04/2019 08:44

Figurinha fácil em toda reunião social. Aparece mesmo sem convite, faz pose para fotos e vira notícia. Aproveita qualquer oportunidade. Quando a boca é livre, nem se fala. Qual o berço da expressão arroz de festa? Para uns, vem do costume de se atirar arroz em recém-casados. A explicação não convence. Melhor encontrar outra, mais lógica. Trata-se de antiga tradição de Portugal. Lá, entre as famílias mais ricas, era quase obrigação servir, em toda comemoração, aquela gostosa sobremesa feita com arroz, leite e açúcar que conhecemos como arroz-doce. Em terras lusitanas, era chamado justamente de arroz de festa – como aquele sujeito, que está sempre em todas... A saborosa iguaria faz estalar a língua de muita gente, inclusive do arroz de festa que está posando para a foto...

CANHÃO – Do espanhol caño, cano grande. O primeiro canhão de que se tem notícia foi usado na batalha de Crécy, em 1346, durante a Guerra dos 100 Anos. Aliás, decisivo para que um Exército inglês de 50 mil soldados derrotasse o francês com 100 mil homens. Merece referência o canhão apelidado de Berta, com o qual os alemães bombardearam Paris, a 120 quilômetros de distância, durante a Primeira Guerra Mundial. O filme O grande ditador, do genial Charles Chaplin, em suas primeiras cenas faz corrosiva ironia com o ridículo desempenho de um gigantesco canhão que prepara o tiro, mas frustra os soldados quando a bala cai lentamente no chão. Risos da plateia prenunciam a devastadora crítica de Chaplin à figura de Hitler. No filme, o canhão não funcionou, mas na vida real quanta tragédia os canhões nazistas provocaram...

SPAM – Abreviação da expressão spiced ham, presunto picante. Originalmente, era apenas marca do presunto enlatado fabricado pela empresa americana Hormel Foods. Depois, virou gozação numa comédia do grupo Monty Python. Num programa de TV, alguns sujeitos fantasiados de vikings, reunidos numa taverna, exigem: “Spam, spam, spam!”. Logo, chovem latas de presunto enlatado. Precipitação semelhante ocorre na internet com aquelas mensagens eletrônicas que anunciam correntes de sorte e todo tipo de ofertas publicitárias, além de outras, indesejáveis, que infernizam a vida dos internautas. O spam já supera, de muito, as mensagens úteis enviadas por amigos, família e colegas de trabalho. Entopem a caixa postal e são a praga dos tempos de internet que estamos vivendo...

PANACEIA – Do grego pan, todos, e ákos, remédio. Na mitologia, era o nome de uma deusa, filha de Esculápio, o deus da medicina. Personificava a cura universal através das plantas. Especialista em ervas medicinais, trazia remédio para todos os males de saúde através de uma beberagem tida como miraculosa. Claro que isso não passava de crença mitológica, nada a ver com a realidade. Entretanto, até os dias de hoje prolifera coisa parecida: as panaceias caseiras ou simpatias, receitadas por gurus e quejandos para resolver problemas, explorando a credulidade humana, sempre disposta a acreditar naquilo que lhe dê esperança. São milhares as simpatias, quer ver alguns exemplos? Para acabar com as brigas de um casal, corte uma folha de papel azul em quatro partes. Em cada uma delas, escreva o nome do marido com caneta vermelha e a seguinte frase: “siam acnun sagirb”, “brigas nunca mais” ao contrário. Outra, conhecida das mães: para curar o soluço do filho, colocar algodão ou uma fita vermelha na testa do pimpolho. Dizem que é tiro e queda. E, para fazer casamento, a interessada deve virar uma imagem de Santo Antônio de cabeça para baixo. Finalmente, para não perder o marido, num sábado à noite, sirva-lhe um pouco de amendoim torrado e um copo de vinho branco. Coma com ele e separe um pouco do amendoim. No dia seguinte, jogue esse resto para uma galinha, mas tome cuidado para um galo não comê-lo. Ver para crer...

PARANOÁ – Nome do lago artificial que banha a capital da República. Vem do tupi e é uma variante de Paranaguá (Paraná, rio caudaloso ou mar + Cuá, bacia, cavidade). Paranaguá significa enseada do mar, baía fluvial. A variante Paranoá quer dizer a mesma coisa: baía fluvial. O lago foi criado para atender à melhoria do clima do Distrito Federal e excitou o imaginário popular: um lago em pleno cerrado, cercado de obras por todos os lados! Iniciado em 12 de setembro de 1959, chegou à cota de 1 mil metros acima do nível do mar e, hoje, compõe a paisagem da cidade como elemento de lazer, esporte e turismo. É o maior patrimônio ambiental da escala bucólica de Brasília. Um gaiato espalhou a história de que certo dia, inspecionando as obras da cidade a bordo de um helicóptero, quando JK sobrevoou o enorme lago, maravilhado com o que via, pediu ao piloto que parasse o aparelho para que pudesse curtir melhor o panorama. Teria dito: “Para no ar, para no ar!” – e há quem acredite nisso...


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