Jornal Estado de Minas

BRA$IL EM FOCO

Um 2023 melhor do que o esperado, como mostram indicadores


Depois de um crescimento de 1,9% do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre deste ano, puxado por uma safra recorde de grãos, as expectativas eram de que, em função da manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano, o indicador ficasse no negativo ou próximo a zero no segundo trimestre deste ano, mas dados divulgados até agora mostram que entre abril e junho a atividade econômica segue aquecida, embora com menos tração. O setor de serviços, que responde por cerca de 70% da geração de riqueza do país, cresceu 0,9% em maio, recuperando parte do tombo de 1,5% em abril, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).



Outro ponto positivo é o fato de quatro das cinco atividades registrarem crescimento, o que mostra a dispersão da alta por todo o setor, com destaque para transportes que cresceu 2,2% e recuperou parte da perda de 4,3% em abril, e para serviços para as famílias, que avançou 1,1% em maio depois de registrar crescimento de 1% em abril. E a previsão é de que as famílias continuem demandando serviços nos próximos meses. Economistas do Banco MUFG Brasil avaliam que os serviços para as famílias vão crescer ainda mais, com a queda da inflação e a previsão de abertura de 1 milhão de postos de trabalho formais.

“No balanço entre riscos e fatores de suporte às atividades de serviços, esperamos um crescimento modesto de alguns segmentos de serviços nos próximos trimestres. No que diz respeito ao PIB, os serviços podem contribuir para quase metade do crescimento geral do PIB”, diz relatório divulgado pelo banco ligado ao  Mitsubishi UFJ Financial Group, Inc, do Japão. Ao lembrar que o IBC-BR – indicador de atividade econômica do Banco Central – cresceu 0,6% em abril, a produção industrial subiu 0,3% e o setor de serviços reagiu em maio, os economistas do Banco MUFG Brasil reviram a projeção de queda do PIB no segundo trimestre para uma alta.
Para o economista Nicola Tingas, consultor econômico da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), os indicadores recentes marcam um “ponto de virada” nas expectativas do mercado financeiro em relação às projeções deste ano. Ao lembrar que as projeções do mercado para a inflação para este ano caíram de 6,05% em 28 de abril para 4,98% em 30 de junho. “Descompressão de preços permite uma projeção inesperada de que o fechamento do ano estará próximo do intervalo 4,50% a 4,80%. Portanto, com boa possibilidade do IPCA 2023 fechar no “teto da meta de inflação” do ano de 4,75% (meta 3,25% + 1,50%)”, afirma o economista.



Esse cenário de inflação convergindo para ficar dentro do teto da meta fixada para o ano e caminhando para o centro da meta nos próximos anos, aliado ao ingresso de dois diretores indicados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Banco Central. Gabriel Galípolo assume a diretoria de Política Monetária e Ailton Aquino a de Fiscalização, indicando que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve iniciar o ciclo de corte da taxa de juros na reunião do início de agosto. “Nossa estimativa é de que o Copom poderá iniciar o ciclo de corte de juros na reunião de agosto com 0,25 ponto de corte e continuar com cortes de 0,5 ponto nas reuniões seguintes para terminar o ano 2023 com Selic de 12%”, diz Tingas.


Emissões
R$ 153,4 bi

É o valor que as companhias brasileiras levantaram no mercado de capitais nos seis primeiros meses deste ano, uma queda de 35,4%, segundo a Anbima.


Gelados

A franquia mineira de açaí, sorvetes e picolés naturais JAH projeta investimentos de R$ 202 milhões na expansão da sua rede de lojas. Com 130 unidades em todo o país e presença em 50 cidades mineiras, a JAH quer chegar ao final de 2026 com 900 unidades. A intenção da empresa é chegar a uma loja a cada 90 mil habitantes. Duas unidades serão instaladas em BH, uma na rodoviária e outra em um shopping da região Centro-Sul.


Reciclando

Com 7 mil clientes no país, sendo 2.360 em Minas, a eureciclo realizou a compensação ambiental de 42.303 toneladas de embalagens pós-consumo em Minas Gerais. No estado, o destaque é a reciclagem de plástico e papel, com o vidro aumentando gradualmente. Desde o início de suas operações, em 2016, a eureciclo compensou mais de 828 mil toneladas de resíduos e distribuiu R$ 50 milhões às mais de 420 centrais de triagem parceiras.