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Bra$il em foco

Isolado, Banco Central vai iniciar ciclo de corte de juros em agosto

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Apesar de a divergência existente na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o início do ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic) não dar certeza, o mercado financeiro já dá como certo que a redução dos juros ocorrerá na próxima reunião do colegiado, no início de agosto. E o próprio Banco Central sinalizou ontem que os juros podem começar a cair, ao divulgar o relatório de inflação do segundo trimestre deste ano. No documento, a autoridade monetária reduziu de 5,8% para 5% a previsão de inflação para este ano, de 3,6% para 3,4% no próximo ano e de 3,2% para 3,1% em 2025, mostrando convergência para o centro da meta de inflação, de 3%, no médio prazo. As projeções do BC apontam uma desaceleração mais forte do que a prevista pelo mercado, respectivamente de 5,06%, 3,98% e 3,80%.




 
Com a redução vista como certa, os agentes apostam agora em uma baixa de 0,25 ponto percentual, o que traria a Selic dos atuais 13,75% para 13,50%, abrindo caminho para atender às projeções dos agentes econômicos de uma taxa de 12,25% ao fim deste ano e de 9,5% em 2024, segundo o último boletim Focus – Relatório de Mercado do Banco Central. Essas projeções estão, respectivamente, 0,25 e 0,50 ponto abaixo das previsões feitas na semana anterior. Até o mercado já projeta juros menores em função dos indicadores apontarem para a desaceleração da inflação.
 
A divulgação ontem do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), com deflação de 1,93% em junho, com o acumulado em 12 meses ficando em -6,86%, o que representa deflações recordes no índice calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e reforça o movimento de queda nos preços. Com destaque para a queda dos preços do milho (-14,89%) e do diesel (-13,82%) para os produtores. Os dois têm influência no custo dos alimentos e de rações animais e no custo dos produtos transportados por rodovias, com impacto sobre a formação de preços ao longo de uma cadeia de produtos. O próprio Banco Central projeta deflação de 0,08% para o IPCA este mês. “Esse resultado de deflação histórica do IGP-M é mais um fator que justifica o início da queda da taxa Selic na próxima reunião do Copom”, afirma Paulo Casaca, economista da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas).
 
“A desaceleração da inflação oficial vem confirmando queda importante até junho. Nossa expectativa para o IPCA até dezembro de 2023 passa a ser de 4,80%, que está no limiar do teto da meta de 4,75% (3,25% de meta + 1,5 ponto). Esse cenário deverá promover queda das expectativas de inflação para 2024 e 2025, contribuindo para o início da redução de juros em agosto”, diz Nicola Tingas, consultor econômico da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). A aposta do economista é de que o Copom promova um corte de 0,25 ponto na Selic em agosto e 0,50  até dezembro, com a Selic fechando o ano a 12%.




 
O certo é que, ao resistir a cortar os juros, o Banco Central acabou se isolando. Agora, com o IGP-M apontando deflação, a cotação do dólar abaixo de R$ 5, os preços das commodities indicando baixas e o petróleo estabilizado, não há nenhum indicativo para não iniciar o processo de redução dos juros. Se não o fizer, ficará ainda mais isolado, e o presidente Roberto Campos Neto, que estourou o teto da meta de inflação em 2020 e 2021, terá que se explicar ao Congresso, como anunciou esta semana o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Pacheco lembrou do artigo 11 da Lei Complementar 179, que deu autonomia ao Banco Central, ao cobrar “redução imediata” das taxas de juros. Pacheco afirmou que caso os juros não sejam reduzidos, Campos Neto será chamado ao Senado para explicar os motivos para manter a taxa a 13,75% ao ano.

Startups

O ecossistema de inovação e startups têm encontro marcado na primeira Minas Summit, que ocorre hoje no Minascentro com a participação de mais de 3 mil inscritos, cerca de 780 startups e mais de 40 palestrantes e painelistas. A intenção é colocar a capital mineira na rota dos grandes eventos de inovação no país. Com custo estimado de R$ 500 mil, o evento é realizado pelas mineiras FCJ Venture Builder e da Órbi Conecta.

Sustentabilidade

Com capacidade para produzir 35 mil sacas de cafés por ano, em fazendas no Alto Paranaíba, Cerrado Mineiro, a Guima Café teve renovado o selo Rainforest Alliance, o que ocorre um ano após um processo de avaliação conceder o título de Cafeicultura Regenerativa à produtora mineira que tem 700 hectares de café plantado. O título Regenagri, concedido pela britânica Control Union, atesta boas práticas no manejo rural.

Safera

R$ 385 milhões é o valor que o BDMG vai destinar para financiar a agricultura e a pecuária de Minas na safra 2023/2024. O valor e 1.000% maior do que o da safra anterior.