A proposta do governo do presidente Luiz Inácio da Silva para a agropecuária está clara na espécie de mantra que ele repetiu exaustivamente durante a campanha eleitoral e que já está assimilado pelo novo titular do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Carlos Fávaro, que é incentivar o aproveitamento de áreas degradadas para ampliar o volume de terra agricultável e de pastagem do país sem que haja a necessidade de desmatamento para ampliar a fronteira agrícola. Estima-se que existam no país, entre terras abandonadas que são mal utilizadas ou estão em processo de erosão, 140 milhões de hectares de áreas degradadas. Esse volume é quase o dobro da área plantada na safra 2022/2023, de 76,8 milhões de hectares, e que, segundo estimativas de novembro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), devem gerar uma produção de 313 milhões de toneladas de grãos.
A perspectiva de fortalecimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), anunciada pelo ministro, e a pressão dos consumidores europeus, que ensaiam barrar produtos agrícolas vindos de áreas desmatadas, devem acelerar as pesquisas, feitas há 13 anos, de novas tecnologias, insumos e processos agrícolas que vão abrir uma janela de oportunidades para o Brasil. A tecnologia promete revolucionar a produção agrícola com base na recuperação do solo a partir da remineralização das áreas, com a aplicação de pó de rochas na terra associada a bioinsumos.
Até agora, o cultivo era baseado na preparação do solo e no uso intensivo de fertilizantes no plantio e de defensivos agrícolas na cultura. O processo de remineralização permite reduzir o consumo de fertilizantes químicos, como nitrogênio, fósforo e potássio – esses dois últimos dependentes de importação –, e reduz a necessidade de uso de defensivos agrícolas pelo fortalecimento das plantas e pelo uso de bioinsumosno combate às pragas.
Hoje, o Brasil conta com 5 milhões de hectares usando a tecnologia de remineralização na produção agrícola, que dá ao processo a característica de agricultura sustentável. Entusiasta da tecnologia, o ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli diz que o Brasil está diante de uma oportunidade igual à que existia no início da década de 1970, quando o país tinha uma agricultura incipiente e extrativa. Com tecnologia, a produção avançou para o cerrado, área de solo pobre mas que se tornou produtiva com aplicação de corretivos e técnicas agrícolas. De lá pra cá, o Brasil se tornou uma potência agrícola, com destaque para a soja.
Paulinelli defende a concentração de esforços de pesquisa reunindo a Embrapa, universidades e centros de pesquisa no Brasil e até mesmo do interior, para que o Brasil lidere a transição agrícola e se prepare para abastecer o mundo em 2050, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que sejamos 10 bilhões de habitantes no planeta. E para exemplificar ganhos, ele lembra que a partir de técnica desenvolvida na Embrapa, a soja brasileira retém nitrogênio no solo, reduzindo em 20% a necessidade de aplicação de nitrogênio na lavoura. Com o uso de rochas e agrominerais, como cálcio, magnésio, potássio, cobre, ferro, manganês, silício e zinco, entre outros, há um fortalecimento das plantas, o que permite a colheita de frutos mais saudáveis e com o uso de menos agrotóxicos.
A remineralização do solo, na visão dos técnicos da Embrapa, é um importante fator para um novo caminho para a agricultura tropical e hoje já existem no país 20 produtos registrados para uso na rochagem de solo, produzidos por cerca de 10 mil pedreiras e uma produção de 650 mil toneladas em 2019. Mas há disponibilidade desses insumos em praticamente todas as regiões do país e a produção pode ser ampliada para atender à demanda da agricultura sustentável. Além de recuperar o solo e tornar as plantas mais saudáveis, a remineralização contribui para o sequestro de carbono da atmosfera. Essa é a chave para a virada da agricultura no Brasil para produzir alimentos para um mundo que consome cada vez mais e exige qualidade e sustentabilidade nos produtos.
Acelerando
A Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) prevê um crescimento de 20% de passageiros até o fim deste mês. Com o avanço, a associação espera retomar o patamar de 39 milhões de passageiros embarcados em dezembro e janeiro, número equivalente ao do período anterior à COVID-19. Apesar da concorrência do transporte clandestino, o setor espera atrair passageiros da aviação.
Turismo
Outro setor que aposta em crescimento este ano é o de turismo, que vive dois anos de retração. A Associação Brasileira de Operadoras de Turismo (Braztoa) prevê expansão de 53,6% este ano. O Grupo Tauá Hotéis, que encerrou 2022 com faturamento de R$ 420 milhões, uma alta de 49% sobre 2021, espera registrar este mês uma ocupação de 72%. Em diárias, a expectativa é alcançar a marca de 25.100 diárias este mês.
Discriminadas
86%
das executivas líderes brasileiras apontam que tiveram que lidar com algum tipo de discriminação na carreira, segundo pesquisa da KPMG